Com setor cultural fechado há 4 meses, SP terá exposição de arte em drive-thru

A mostra Drivethru.Art está sendo montada na zona oeste de São Paulo e vai abrir ao público na próxima sexta-feira (17)

André Catto, da CNN, em São Paulo
14 de julho de 2020 às 13:32 | Atualizado 14 de julho de 2020 às 16:12
Galpão da DriveThru.Art
Foto: Divulgação/ DriveThru.Art

Com exposições e feiras culturais de portas fechadas há quatro meses por causa do novo coronavírus, a capital paulista ganha nesta semana um novo espaço para acesso presencial à arte. A exemplo de outros setores que estão se adequando ao chamado “novo normal”, o formato também será adaptado em sistema drive-thru.

A mostra Drivethru.Art está sendo montada na zona oeste de São Paulo e vai abrir ao público na próxima sexta-feira (17), com obras de 18 artistas de diferentes gerações. O espaço vai abrigar pinturas, vídeos, painéis e fotografias de nomes como Criola, Crânio e Felipe Morozini. 

Com estrutura montada na ARCA – um galpão de mais de oito mil metros quadrados, onde funcionava uma indústria metalúrgica –, a visitação completa terá de ser feita de dentro do carro e com hora marcada. As visitas ocorrerão em um circuito com duração de aproximadamente uma hora, com limite de até 20 carros simultâneos. Cada veículo deverá ter, no máximo, quatro pessoas.

Seguindo a ideia de evitar o contato entre as pessoas, a compra dos ingressos terá de ser remota: os tickets poderão ser obtidos no site drivethru.art, onde o visitante terá acesso às orientações e protocolos para o percurso.

A mostra terá obras que trabalham, sobretudo, questões contemporâneas, como reflexões sociais, importância da representatividade das mulheres negras e a urgência da preservação do meio ambiente.

Carne Viva (2019), de Luiz Escañuela, é uma das obras em exposição
Foto: Divulgação/ DriveThru.Art

Carne Viva (2019), de Luiz Escañuela, que traz uma representação do desmatamento da Floresta Amazônica em textura de pele humana; Nunca Haverá Silêncio, de Patrick Rigon, que traz a intersexualidade por meio de uma figura andrógina; e a obra audiovisual Não Estamos Sozinhos, de Felipe Morozini, que propõe uma reflexão sobre o pertencimento do ser humano à natureza estão entre as obras.

Nunca Haverá Silencio, de Patrick Rigon, traz a intersexualidade por meio de uma figura andrógina
Foto: Divulgação/ DriveThru.Art

De acordo os organizadores Luis Maluf, da Luis Maluf Art Gallery, e Mauricio Soares e Mário Sérgio Albuquerque, da ARCA, a ideia surgiu como uma saída para que o público possa visitar a mostra pessoalmente, mas sem se expor à contaminação pela Covid-19. 

A mostra estará aberta de quarta-feira a domingo, das 13h às 21h, entre 17 de julho e 9 de agosto. A ARCA está localizada na Avenida Manuel Bandeira, 360, na Vila Leopoldina, em São Paulo.

Perdas no setor

A Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo estima que o setor deverá ter uma perda econômica total de R$ 34,5 bilhões no estado, em meio à pandemia. Com isso, 650 mil pessoas devem ficar sem fonte de renda.

Os setores de cultura e de economia criativa, que englobam atividades em museus, casas de espetáculos, teatros, cinemas e startups, têm participação de 3,9% do PIB do estado e geram, em média, 1,5 milhão de empregos.

O governo de São Paulo anunciou, no último dia 3 de julho, que a reabertura parcial das atividades culturais pode ocorrer no próximo dia 27, caso a capital paulista permaneça na fase amarela do Plano São Paulo, que leva em conta indicadores do novo coronavírus nas regiões do estado.

A retomada deve ocorrer, no entanto, com uma série de restrições, como ocupação de 40% da capacidade local, funcionamento máximo de seis horas por dia, uso de máscara e distanciamento mínimo de um metro e meio entre as pessoas. 

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