Advogada relata acusações de assédio e humorista Marcius Melhem se defende

Advogada das atrizes que o acusam conversou com a CNN sobre o caso

Da CNN, em São Paulo
25 de outubro de 2020 às 16:22


O humorista e diretor Marcius Melhem se manifestou nas redes sociais sobre as acusações de assédio sexual e moral feitas por atrizes contra ele, após entrevista com a advogada criminalista Mayra Cotta ser publicada pela Folha de S.Paulo.

A advogada, que representa 6 testemunhas e um grupo de 30 pessoas que as apoiam, também conversou com a CNN sobre o caso. 

"Muitos casos de mulheres diferentes relatando situações muito parecidas. De ficarem em situações em que não tinham muito como dizer 'não', constrangê-las, insistir, perseguir, se vingar em casos de rejeição, isolando as mulheres, deixando elas muito sem uma rede de apoio, se sentindo como se não tivessem recurso de como sair dessa situação. Houve, sim, relatos em que a violência fazia parte da estratégia de assédio sexual", afirmou a advogada.

 
Foto: Reprodução/CNN

As denúncias contra Melhem, que era diretor do núcleo de humor da TV Globo, vieram à tona em dezembro do ano passado, quando uma atriz procurou o departamento de compliance da Rede Globo para relatar os abusos. Depois disso, outras colegas fizeram o mesmo. Ele deixou a emissora em agosto deste ano, nove meses após a primeira denúncia, após ter trabalhado 17 anos na empresa.

À época, a Globo informou que o contrato de Melhem foi encerrado em comum acordo entre o humorista e a emissora. O humorista usou a conta dele no Twitter para se defender, logo depois da publicação da reportagem do jornal. 

"Sei que num caso desses, ainda mais no momento que vivemos, de tanto ódio, serei culpado até provar o contrário. Então quero que tudo seja colocado às claras, expor a minha inocência e os meus erros. Quero poder pedir desculpas e cobrar responsabilidades. Vou em busca da verdade", escreveu.

Procurada pela CNN, a TV Globo afirmou que não comenta assuntos da área de compliance, mas reafirma que todo relato de assédio, moral ou sexual, é apurado criteriosamente assim que a empresa toma conhecimento.

Disse ainda que a empresa não tolera comportamentos abusivos em suas equipes e, neste sentido, mantém um canal aberto para denúncias de violação às regras do código de ética do grupo.

(Edição: Marcio Tumen Pinheiro)