‘Pintado por um louco’: Edvard Munch escreveu uma mensagem oculta em ‘O Grito’

A mensagem “Só pode ser pintada por um louco”, rabiscada e quase invisível no canto superior esquerdo da pintura, foi objeto de debate por décadas

Rob Picheta, da CNN
22 de fevereiro de 2021 às 11:47
'O Grito', famosa pintura de Edvard Munch
'O Grito', famosa pintura de Edvard Munch
Foto: Divulgação/Nunch Museum

 

Uma nova investigação descobriu que uma pequena mensagem escondida na famosa pintura de Edvard Munch, “O Grito”, foi escrita pelo próprio artista, finalmente resolvendo um dos mistérios mais duradouros da arte moderna.

A mensagem “Só pode ser pintada por um louco”, rabiscada e quase invisível no canto superior esquerdo da pintura, foi objeto de debate por décadas e amplamente considerada um ato de vandalismo por parte de um espectador da peça.

Mas uma extensa pesquisa do Museu Nacional da Noruega revelou que foi Munch quem escreveu a frase.

A obra-prima expressionista é um dos trabalhos mais célebres dos tempos modernos, anunciada como uma representação atemporal da ansiedade humana. O rosto angustiado do sujeito tornou-se tão familiar que recentemente recebeu seu próprio emoji.

Os curadores usaram tecnologia infravermelha para analisar a mensagem, que foi adicionada ao topo da pintura finalizada, comparando-a com as notas e cartas de Munch e estudando eventos na época da primeira exibição pública da obra.

“A escrita é, sem dúvida, do próprio Munch”, concluiu a curadora do museu, Mai Britt Guleng. “A própria caligrafia, assim como os acontecimentos ocorridos em 1895, quando Munch mostrou a pintura na Noruega pela primeira vez, apontam todos na mesma direção”.

A obra está passando por um extensivo processo de conservação no museu antes de sua exibição pública. Raramente foi exibida desde que foi brevemente roubada em 2004, e os danos à peça tornaram-se mais aparentes nos últimos anos.

Após sua primeira exibição pública, alguns críticos rejeitaram a pintura enervante e houve uma discussão frenética sobre o estado mental de Munch, levando à ideia de que um terceiro indignado rabiscou sua própria crítica condenatória na obra.

Mas os curadores disseram que provavelmente foi a reação de Munch, chateado com a resposta crítica à pintura quando a exibiu em sua cidade natal Kristiania (agora Oslo) pela primeira vez, que o levou a escrever na peça.

“Em uma noite de discussão na Associação de Estudantes, onde acredita-se que Munch esteve presente, o jovem estudante de medicina, Johan Scharffenberg, questionou a saúde mental de Munch, alegando que suas pinturas provavam que ele não estava com a mente sã”, disse o museu. “É provável que Munch acrescentou a inscrição em 1895, ou pouco depois, em resposta ao julgamento de sua obra”.

Eles acrescentaram que Munch ficou ferido com as acusações e se referiu a ela novamente em suas anotações no diário.

“O Grito” foi inspirado por um passeio que Munch fez pela cidade enquanto estava em um estado de mal-estar físico e mental.

Uma versão a pastel da pintura arrecadou quase U$ 120 milhões (quase R$ 650 milhões) de um comprador anônimo em um leilão da Sotheby’s, em Nova York, em 2012 – na época, um recorde mundial para uma obra de arte vendida em leilão.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.