Pintura rara de Churchill vendida por Angelina Jolie bate recorde de leilão

Única obra do político britânico durante a Segunda Guerra Mundial foi presente a ex-presidente dos Estados Unidos e arrecadou R$ 65 milhões

Jacqui Palumbo, da CNN
02 de março de 2021 às 06:51 | Atualizado 02 de março de 2021 às 20:28

A rara pintura de Winston Churchill, que foi presenteada ao presidente dos Estados Unidos Franklin D. Roosevelt durante a Segunda Guerra Mundial e acabou entrando na coleção da atriz Angelina Jolie, se tornou a pintura mais cara do ex-primeiro-ministro britânico a ser vendida em leilão, alcançando quase £ 8,3 milhões (R$ 65 milhões).

A obra, denominada “Torre da Mesquita de Koutoubia”, foi vendida em 1º de março pela coleção da família Jolie e apresenta as sombras longas e os tons quentes de um pôr do sol em Marrakesh, no Marrocos – um dos temas favoritos de Churchill para pintar.

Churchill criou a pintura após participar da Conferência de Casablanca em 1943
Churchill criou a pintura após participar da Conferência de Casablanca em 1943
Foto: Christie's Images Ltd

“Churchill visitou o Marrocos pela primeira vez em 1935, onde se apaixonou pela qualidade da luz de lá”, disse Nick Orchard, diretor de arte moderna britânica da Christie's em Londres, local em que ocorreu o leilão. “Ele sentia que suas pinturas do país estavam entre as melhores”.

A venda mais do que triplicou sua estimativa de £ 2,5 milhões (R$ 19 milhões). O recorde anterior de Churchill foi de £ 1,7 milhões (R$ 13 milhões), em 2014, na casa de leilões Sotheby's em Londres.

De acordo com uma fonte com conhecimento da venda, o ator Brad Pitt comprou a cena do pôr do sol de Churchill como um presente para Jolie em 2011. O casal se separou em 2016 após dois anos de casamento.

“Torre da Mesquita de Koutoubia” é a única pintura que Churchill fez entre 1939 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.

Em janeiro de 1943, depois de participar conjuntamente da Conferência de Casablanca no Marrocos para criar uma estratégia contra a Alemanha nazista, Churchill convenceu Roosevelt a se juntar a ele na vizinha Marrakech e assistir ao pôr do sol atrás das Montanhas Atlas. A breve estada juntos foi homenageada pela pintura, que Churchill criou no dia seguinte à partida de Roosevelt. Após a conferência, os dois líderes exigiram “rendição incondicional” da Alemanha, Itália e Japão – uma declaração histórica que teve um impacto de longo alcance na guerra.

Pitt comprou a pintura do negociante de antiguidades Bill Rau, que anteriormente disse à CNN que o filho do presidente Roosevelt havia vendido a peça para um cineasta na década de 1960. Segundo Rau, a pintura acabou em Nova Orleans (EUA), onde foi mantida no armário de uma família local por mais de cinco décadas antes que um membro da família contatasse sua galeria, a M.S. Rau.

“A pintura retrata o momento exato em que os dois líderes mundiais compartilharam enquanto viam a paisagem majestosa de Marrakech enquanto o sol se punha sobre as Montanhas Atlas, e saber que Churchill presenteou Roosevelt com a pintura depois de seu tempo juntos me deixou ainda mais animado”, disse Rau.

Churchill começou a pintar na idade adulta, por volta dos 40 anos, após um ataque naval fracassado durante a Primeira Guerra Mundial, que lhe custou o título de Primeiro Lorde do Almirantado. No entanto, ele foi prolífico, produzindo mais de 500 obras em sua vida.

O mercado para a arte do ex-primeiro-ministro continua crescendo. Além de “Torre da Mesquita de Koutoubia”, duas outras obras suas tiveram um desempenho superior no leilão noturno de “Arte Moderna Britânica” da Christie's.

“Cena em Marrakech”, outra composição repleta de luz do lugar favorito de Churchill, foi vendida por cerca de £ 1,9 milhão (R$ 14 milhões), e “Cemitério da Igreja de São Paulo” vendida por quase £ 1,1 milhão (R$ 8 milhões). Ambos os preços de venda foram mais do que o triplo de suas estimativas.

“O apetite pela arte de Winston Churchill foi demonstrado com grande efeito na Christie's”, conclui Orchard.

Texto traduzido. Leia o original em inglês.