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    8 romances de autoras mulheres que você precisa conhecer

    Conceição Evaristo, Aline Bei, Camila Sosa, Elena Ferrante e outros nomes fazem da literatura cada vez mais poderosa e relevante

    Leitura pode levar pessoas a outras realidades sem que saiam do lugar, pode promover a informação, comover, empoderar
    Leitura pode levar pessoas a outras realidades sem que saiam do lugar, pode promover a informação, comover, empoderar cottonbro studio/Pexels/Banco de imagens

    Pedro N. Jordãoda CNN São Paulo

    O Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta sexta-feira (8), é marcado historicamente por lutas por direitos. O processo de construção dessas lutas pode ocorrer de diversas formas, dentre elas o uso da literatura, seja para empoderar, levar informação ou fazer “viajar” no tempo e no espaço, recordando fatos importantes ou criando narrativas fictícias.

    Muitas autoras marcaram gerações e impactaram o Brasil e o mundo com a escrita de romances e livros de não-ficção, como Simone de Beauvoir, Virginia Woolf, Carolina Maria de Jesus, Clarice Lispector.

    Mas a literatura é viva e vem sendo produzida com maestria por muitas outras mulheres que vieram depois desses ícones.

    Confira abaixo oito títulos escritos por autoras contemporâneas e que apresentam personagens femininos marcantes no centro da trama.

    1 – “Ponciá Vicêncio”, de Conceição Evaristo

    Escrito pela imortal da Academia Mineira de Letras Conceição Evaristo, de 77 anos, o livro conta a história de Ponciá, desde a infância até a fase adulta, abordando seus afetos e desafetos na família e fora dela.

    O enredo é centrado na herança identitária do avô da protagonista, estabelecendo um diálogo constante entre passado e presente, imaginação e realidade, lembranças e fatos. A obra é de 2017 e foi publicada pela editora Pallas.

    “Conceição Evaristo é uma mulher negra que foi empregada doméstica e conseguiu chegar ao topo da academia. Ela tem várias obras publicadas, mas ‘Ponciá Vicêncio‘ talvez seja seu romance mais conhecido”, diz à CNN a professora de literatura Claudia Fernandes.

    2 – “O peso do pássaro morto”, de Aline Bei

    A autora paulistana Aline Bei, de 36 anos, conta uma história densa e violenta, mas também poética, de uma mulher que, com todas as forças, tenta não ser apenas a dor de que sente que é feita.

    Romance de estreia de Bei, o enredo passa por momentos simples do cotidiano dessa personagem, mas também por tragédias que persistem a gerações.

    “‘O Peso do Pássaro Morto‘ fala da trajetória de vida de uma mulher. A gente pensa que a personagem poderia ter tido ao menos um suspiro na vida, porque ela passa por muitas desgraças, mas, ao final, ela alcança uma alegria genuína com a vida que leva”, comenta Claudia.

    3 – “A noite em que ela desapareceu”, de Lisa Jewell

    A autora britânica best-seller do New York Times Lisa Jewell, de 55 anos, conta a história de três mulheres, sob os pontos de vistas delas, em três linhas do tempo simultâneas. O livro é lançado neste mês no Brasil pela editora Intrínseca.

    Talullah, que é mãe de um bebê, desaparece, o que faz a vida da mãe dela, Kim, virar de ponta-cabeça. Sophie é uma escritora que tenta se acostumar com uma nova vida, mas o destino dela se torna peça-chave na investigação.

    O desaparecimento serve como pano de fundo para apresentação de cada uma das mulheres, que guardam segredos e mágoas. O enredo traz discussões sobre maternidade na juventude, relações abusivas e sexualidade.

    Em “A noite em que ela desapareceu“, Lisa Jewell mostra sua habilidade de desenvolver histórias nas quais nada é o que parece ser.

    4 – “Tudo é rio”, de Carla Madeira

    Livro de estreia da belo-horizontina Carla Madeira, de 60 anos, publicando pela editora Record em 2021, “Tudo é rio” narra a história do casal Dalva e Venâncio, que tem a vida transformada após uma perda trágica.

    Tal perda tem relação direta com Lucy, uma prostituta cobiçada da cidade que passa a formar um triângulo amoroso com eles.

    A metáfora do rio no título se revela por meio da narrativa que flui – ora intensa, ora mais branda – de forma ininterrupta, mas também por meio dos líquidos que aparecem constantemente na obra: suor, saliva, sangue, lágrimas, sêmen.

    5 – “Oração para desaparecer”, de Socorro Acioli

    Lançado pela editora Companhia das Letras no ano passado, este livro é o segundo romance da jornalista e escritora fortalezense Socorro Acioli, de 49 anos.

    “Oração para desaparecer” conta a história de Cida, que, sem identidade nem memória, reconstrói pouco a pouco uma nova vida em um lugar completamente desconhecido, apenas com a língua portuguesa como porto seguro.

    Outros três personagens, Jorge, Joana e Miguel vivem outras situações, mas, quando os quatro se cruzam em busca de respostas para as próprias angústias, se deparam também com uma trama fantástica sobre magia, ancestralidade e pertencimento.

    “Socorro Acioli é uma autora cearense que está em ascensão. ‘Oração para desaparecer’ foi o último livro publicado por ela. Acho que é um ‘Torto Arado’ escrito por uma mulher, se é que a gente pode fazer esse tipo de comparação”, reflete a professora de literatura Claudia Fernandes.

    6 – “O parque das irmãs magníficas”, de Camila Sosa Villada

    Neste livro, a escritora argentina Camila Sosa Villada, de 42 anos, conta a história da personagem tia Encarna, uma travesti de 178 anos que, em uma noite, encontra um bebê abandonado e decide adotá-lo.

    A decisão muda para sempre a vida dela e de suas amigas travestis. “O parque das irmãs magníficas” foi lançado pelo selo TusQuets Editores, da PlanetaDeLivros, em 2021.

    “Um livro magistral. Tia Encarna é uma das maiores personagens que já li (…) estará para sempre no meu horizonte de humanidade. Sua complexidade, suas grandes tetas de óleo de avião, seu doce namorado, que é um homem sem cabeça. Nunca, nunca vou esquecer”, escreveu a autora Aline Bei nas redes sociais.

    7 – “A filha perdida”, de Elena Ferrante

    Em “A filha perdida“, a escritora italiana Elena Ferrante acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que faz uma viagem ao sul da Itália após as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá.

    Logo nos primeiros dias, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena.

    Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas.

    A aproximação delas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças e segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém.

    O livro foi lançado originalmente em 2006, mas só chegou ao Brasil em 2016 pela editora Intrínseca. Em 2021, virou filme homônimo e está disponível na Netflix.

    “Elena Ferrante é uma autora italiana. Esse é o pseudônimo dela. A real identidade da autora nunca foi revelada, mas ela tem uma legião de fãs no mundo inteiro”, explica a professora Claudia.

    8 – “Um defeito de cor”, de Ana Maria Gonçalves

    O livro de 2006 “Um defeito de cor“, da escritora mineira Ana Maria Gonçalves, de 54 anos, conta a >história de uma africana idosa, cega e à beira da morte, que viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas.

    Ao longo da travessia, ela vai contando sua vida, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão.

    Narrado de uma maneira original e voraz, que prende a atenção do leitor, os fatos históricos presentes no livro estão imersos no cotidiano e na vida das personagens.