'Annette' liberta Adam Driver em um musical que fica tristemente vazio

'Annette' estreia em 6 de agosto nos cinemas dos Estados Unidos e em 20 de agosto no Amazon Prime

Brian Lowry, da CNN
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Esta é uma resenha crítica do filme "Annette" escrita por Brian Lowry, da CNN.

"Annette" estreou no Festival de Cinema de Cannes, impulsionada pela intrigante dupla Adam Driver e Marion Cotillard em um musical original. O filme resultante, no entanto, atinge as notas erradas, repetindo letras mundanas sem pronunciar as palavras que sempre vêm à mente, que são "preciosas" e "pretensiosas".

O diretor francês Leos Carax foi homenageado em Cannes, onde o filme teve seus admiradores e também opositores. O enquadramento da história mostra timidamente que o elenco e a equipe estão fazendo um show para você (um conceito musical semelhante a "Jesus Cristo Superstar" 50 anos atrás), sugerindo a necessidade de uma certa suspensão da descrença.

No entanto, o que se segue essencialmente usa mal o formato musical, fazendo com que os personagens meio que falam, meio que cantam seus pensamentos e sentimentos em uma canção afetada, e empregando outros dispositivos surreais que se mostram menos transportadores do que simplesmente irritantes.

Não ajuda o fato de haver uma dinâmica familiar de "Nasce uma Estrela" embutida na história, que se concentra na relação improvável entre um comediante provocador, Henry McHenry, de Driver, e uma diva da ópera, Ann (Cotillard). Não há muito sentido de conexão entre os dois, mas eles devem estar apaixonados, porque cantam "Nós nos amamos muito", mesmo no meio do sexo.

Como explica o programa fictício de entretenimento e notícias Showbizz News, quando o filme começa, as duas estrelas estão "no auge de suas carreiras", o que torna seu noivado e casamento um imã de paparazzi (que, como o público de shows de Henry, cantam de volta para eles de maneira desajeitada). Logo, porém, os dois dão as boas-vindas a uma garotinha, Annette, momento em que seu vínculo começa a azedar, com a carreira de Henry declinando enquanto a de Ann ascende.

O que acontece depois disso se torna cada vez mais sombrio e distorcido, e não deve ser estragado ao máximo. Basta dizer que o filme dá a Driver – que explorou um relacionamento azedo em "Marriage Story" – ampla oportunidade de se emocionar e cantar (as músicas são cortesia de Sparks), o que é admirável em um aspecto e exagerado em outro. A certa altura, o pensamento mais intrigante se torna o que John Oliver, da HBO, depois de falsificar o apelo de Driver, fará com essa abundância de material recém-cunhado.

O elenco inclui Simon Helberg de "The Big Bang Theory" como acompanhante de Ann, sobre o único papel além dos protagonistas que aparece significativamente.

Pressionado a explicar do que trata "Annette" em última análise, a tentação é responder, com desenvoltura, que se trata apenas de cerca de duas horas e 20 minutos. Porque tudo o que o filme quer transmitir sobre a natureza torturada do amor, da fama e do preço que a paternidade pode exigir é tão confuso quanto letras das músicas que repetem frases como "Não estou tão bêbado".

Embora o filme vá estrear primeiro nos cinemas dos Estados Unidos, um local mais prático para os curiosos será vê-lo via Amazon, onde "Annette" estreará em algumas semanas. Que o registro mostre, aliás, que não houve nenhuma bebida alcóolica enquanto via o filme para fazer esta resenha. Mas quando acabou, não parecia uma má ideia.

"Annette" estreia em 6 de agosto nos cinemas dos Estados Unidos e em 20 de agosto no Amazon Prime.

(Texto traduzido. Leia o original em inglês.)

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