Atores assinam carta se opondo ao acordo entre Paramount e Warner Bros.

Projeto bilionário propõe a fusão entre os estúdios e a criação de uma única plataforma de streaming com os títulos da HBO Max e Paramount+

Harshita Mary Varghese, da Reuters
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Mais de mil cineastas, atores e profissionais da indústria cinematográfica assinaram uma carta aberta em oposição à proposta de fusão de US$ 110 bilhões (cerca de R$ 499 bilhões) entre a Warner Bros. Discovery e a Paramount Skydance. O documento, divulgado nesta segunda-feira (13), alerta que o acordo reduziria a concorrência e aprofundaria a consolidação no setor de mídia dos EUA.

Atores como Jane Fonda, Joaquin Phoenix e Mark Ruffalo estão entre os signatários da declaração, a qual justifica que a fusão resultará em menos oportunidades para os criadores, pressão sobre os empregos em todo o ecossistema, custos mais altos de produção e menos opções para o público.

"Em conjunto, esses fatores ameaçam a sustentabilidade de toda a comunidade criativa. Isso inclui colocar em risco a vida profissional de dezenas de milhares de trabalhadores que compõem essa comunidade, predominantemente em pequenas empresas e companhias independentes inseridas nas economias e comunidades locais em todo o país", escreveram.

A carta explica que movimentos anteriores de consolidação já pressionaram o setor, reduzindo o número de filmes produzidos e lançados e estreitando a gama de histórias que recebem financiamento e distribuição.

A combinação proposta reuniria dois dos maiores estúdios e bibliotecas de conteúdo de Hollywood e uniria as plataformas de streaming Paramount+ e HBO Max em uma única plataforma.

"Estamos profundamente preocupados com os indícios de apoio a essa fusão, que prioriza os interesses de um pequeno grupo de poderosos em detrimento do bem público em geral. A integridade, a independência e a diversidade do nosso setor seriam gravemente comprometidas", continua a declaração.

Espera-se que os órgãos reguladores dos EUA e da Europa examinem o acordo, avaliando seu impacto sobre os consumidores e a comunidade criativa. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, disse à Reuters que o Estado está investigando a transação e será "vigoroso" em sua análise.

Em resposta, a Paramount enviou um documento à imprensa, afirmando que: "entendemos e ouvimos as preocupações levantadas por alguns membros da nossa comunidade criativa e respeitamos o compromisso de proteger e expandir a criatividade". Até o momento, a Warner não se manifestou sobre o caso.

O pronunciamento, porém, ainda defende o acordo com o estúdio parceiro e reforça que os objetivos do projeto sempre foram "claros e condizentes com os compromissos das instituições".

"Permancemos profundamente comprometida com o talento, e essa fusão fortalece tanto a escolha do consumidor quanto a concorrência, criando maiores oportunidades para criadores, público e as comunidades onde vivem e trabalham", declararam.

Confira a carta aberta dos atores de Hollywood na íntegra:

"Como cineastas, documentaristas e profissionais de toda a indústria cinematográfica e televisiva, escrevemos para expressar nossa oposição inequívoca à proposta de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery.

Essa transação consolidaria ainda mais um cenário midiático já concentrado, reduzindo a concorrência em um momento em que nossas indústrias — e o público que atendemos — menos podem se dar ao luxo disso.

O resultado será menos oportunidades para criadores, menos empregos em todo o ecossistema de produção, custos mais altos e menos opções para o público nos Estados Unidos e no mundo todo. Alarmantemente, essa fusão reduziria o número de grandes estúdios de cinema dos EUA para apenas quatro.

Nossa indústria já está sob forte pressão, em grande parte devido a ondas anteriores de consolidação. Testemunhamos um declínio acentuado no número de filmes produzidos e lançados, juntamente com uma redução nos tipos de histórias que são financiadas e distribuídas. Cada vez mais, um pequeno número de entidades poderosas determina o que é produzido — e em que termos — deixando criadores e empresas independentes com menos caminhos viáveis ​​para sustentar seu trabalho.

A consolidação dos meios de comunicação acelerou o desaparecimento dos filmes de orçamento médio, a erosão da distribuição independente, o colapso do mercado de vendas internacionais, a eliminação da participação significativa nos lucros e o enfraquecimento da integridade dos créditos na tela.

Em conjunto, esses fatores ameaçam a sustentabilidade de toda a comunidade criativa. Isso inclui colocar em risco a vida profissional de dezenas de milhares de trabalhadores que compõem essa comunidade, predominantemente em pequenas empresas e companhias independentes inseridas nas economias e comunidades locais em todo o país.

Estamos profundamente preocupados com os indícios de apoio a essa fusão, que prioriza os interesses de um pequeno grupo de poderosos em detrimento do bem público em geral. A integridade, a independência e a diversidade do nosso setor seriam gravemente comprometidas.

A concorrência é essencial para uma economia saudável e uma democracia saudável. O mesmo se aplica à regulamentação e fiscalização criteriosas. A concentração dos meios de comunicação já enfraqueceu uma das indústrias globais mais vitais dos Estados Unidos — uma indústria que há muito molda a cultura e conecta pessoas ao redor do mundo.

Felizmente, alguém está tomando providências em relação a tudo isso. O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, e seus colegas em outros estados estão, segundo relatos, analisando a fusão e considerando medidas legais para impedi-la. Somos gratos por sua liderança e estamos prontos para apoiar todos os esforços para preservar a concorrência, proteger empregos e garantir um futuro próspero para nossa indústria, para a cultura americana e para nossa exportação mais importante."

Leia a resposta completa da Paramount Skydance:

"Entendemos e ouvimos as preocupações levantadas por alguns membros da nossa comunidade criativa e respeitamos o compromisso de proteger e expandir a criatividade.

É importante ressaltar que, como criadores, sabemos em primeira mão que este também é um momento em que a indústria enfrenta uma disrupção significativa — e a necessidade de empresas fortes, que priorizem a criatividade e sejam bem capitalizadas, capazes de continuar investindo em narrativas, nunca foi tão grande.

Esta transação reúne, de forma singular, forças complementares para criar uma empresa capaz de aprovar mais projetos, apoiar ideias ousadas, dar suporte a talentos em diversas fases de suas carreiras e levar histórias ao público em uma escala verdadeiramente global — ao mesmo tempo que fortalece a concorrência, garantindo que várias empresas de grande porte invistam em talentos criativos.

Temos sido claros em nossos compromissos de fazer exatamente isso: aumentar a produção para um mínimo de 30 longas-metragens de alta qualidade anualmente, com lançamentos completos nos cinemas, continuar licenciando conteúdo e preservar marcas icônicas com liderança criativa independente — garantindo que os criadores tenham mais caminhos para seu trabalho, e não menos.

Entendemos as preocupações levantadas em decorrência das perturbações causadas em nosso setor pela COVID-19, pela entrada das grandes empresas de tecnologia e pelas mudanças no comportamento do consumidor, mas prometemos o seguinte: a Paramount permanece profundamente comprometida com o talento, e essa fusão fortalece tanto a escolha do consumidor quanto a concorrência, criando maiores oportunidades para criadores, público e as comunidades onde vivem e trabalham."

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