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    Atrasado pela pandemia, Rodrigo Amarante lança novo álbum; ouça ‘Drama’

    Guitarrista do Los Hermanos retoma carreira solo após 8 anos

    Léo Lopesda CNN

    em São Paulo

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    Oito anos separam “Cavalo” (Easy Sound, 2013), disco de estreia da carreira solo do músico carioca Rodrigo Amarante, e “Drama” (Polyvinyl Records, 2021), que chega às plataformas de streaming, nesta sexta-feira (16).

    O músico – que acumula projetos de sucesso como Los Hermanos, Little Joy e Orquestra Imperial – apresenta 11 faixas inéditas. Em conversa com a CNN, ele comenta os impactos da pandemia no processo de produção, discute sobre a proposta do álbum e reflete sobre a construção da própria masculinidade.

    A chamada por Zoom teve como pano de fundo o próprio local onde boa parte do álbum foi produzido. Em seu estúdio caseiro em Los Angeles – onde mora há mais de dez anos –, Rodrigo não demonstrava ansiedade na véspera do lançamento.

    “Quanto mais perto desse alívio, melhor. Eu quero que isso saia de mim”, brincou enquanto acendia um cigarro.

    Pandemia no meio do caminho

    “Drama” vem ao mundo mais tarde do que se planejava. O processo de gestação começou ainda no final de 2018, nos Estados Unidos, com uma gravação no estúdio do brasileiro Mario Caldato Jr. – produtor que já trabalhou com Beastie Boys, Jack Johnson e Björk, por exemplo.

    A intenção de Rodrigo era de que as gravações seguissem o modelo da primeira, feita em 2018, em sessões. Isso é, com os músicos da banda reunidos para tocar ao vivo e gravar. Com a pandemia, a logística de produção teve que ser repensada. O cantor acabou produzindo e gravando a maior parte das músicas sozinho, no estúdio da própria casa.

    “Como eu estava sozinho aqui, eu tive mais espaço e tempo para experimentar. Eu acho que isso deu vazão às realizações que levaram o disco a ser o que é – nesse sentido de chamá-lo de “Drama”, de abraçar as confusões e exercitar esses arranjos mais dramáticos”, comentou.

    De menino para homem

    O cantor Rodrigo Amarante
    O cantor Rodrigo Amarante lança ‘Drama’ nesta sexta-feira (16)
    Foto: Eliot Lee Hazel

    O tempo extra para pensar no álbum serviu para o projeto consolidar sua proposta. Rodrigo conta que a sua intenção inicial era fazer um álbum focado no ritmo, direto, seco, sem muita frescura. Mas ele conta que quando começou a escrever, as canções involuntariamente não estavam saindo como esperava.

    Ele conta que conseguiu entender melhor seu processo criativo e consolidar a proposta do “Drama” com o auxílio de um livro: “The Will to Change: men, masculinity and love” (A Vontade de Mudar: homens, masculinidade e amor, em português). A obra da escritora bell hooks (escrito em minúsculas) discute, entre outros temas, a construção da masculinidade e como ela impacta negativamente a expressão de emoções.

    Rodrigo conta que o livro o fez entender melhor a construção da sua própria masculinidade, e o período de endurecimento na “transição de menino para homem”. Foi assim que o cantor abriu mão de fazer um álbum seco e direto, para abraçar as próprias emoções em um álbum mais ornamentado. “Me pareceu muito mais musical investigar essas vozes, esses ecos do passado, colocar essas máscaras dos fantasmas que me habitam”, argumentou.

    ‘Chama de drama’

    A sugestão do nome “Drama” surgiu de uma brincadeira da cantora Cornelia Murr, colaboradora frequente no álbum. Rodrigo relembra mostrar para ela um arranjo que estava compondo, justificando as escolhas dos elementos que usou, quando foi cortado: “chama de drama então”. “Ela tava me sacaneando, só falou e saiu”, contou rindo.

    No fim das contas, o nome pegou e acabou batizando não apenas o álbum, mas também a canção de abertura: uma montagem de sons caótica que mistura gargalhadas, orquestra de cordas e até mesmo o barulho de um chuveiro (que só foi percebido por este repórter porque o próprio compositor contou). Rodrigo acredita que essa faixa é um aviso aos ouvintes.

    “Quando você escolhe um filme, você entra na categoria drama pra se surpreender com um sentimento que você não sabe exatamente qual é. A abertura do álbum é um aviso: você tem certeza do que você quer sentir?”, disse.

    Expectativa de turnê

    Com o lançamento nesta sexta-feira (16), a turnê para Rodrigo Amarante apresentar seu novo álbum já tem quase 20 shows marcados. A primeira apresentação deve acontecer em 22 de outubro deste ano, no Ford Theatre, em Los Angeles.

    “Muita saudade de subir num palco. Ainda não estou na fase de adaptar os arranjos pra tocar com banda, mas eu adoro essa parte. Adoro ensaiar e não vejo a hora de fazer isso”, conta o artista.

    Em abril do ano que vem, a turnê avança para Europa – com datas em Portugal, Espanha, França, Itália, Suíça, Alemanha, Holanda, Inglaterra e Bélgica. Rodrigo conta que, apesar de querer muito tocar no Brasil, ainda não sabe quando isso será possível.

    “Estou doido pra tocar no Brasil, mas com a pandemia é impossível marcar. Está todo mundo sem saber, todo mundo inseguro de marcar”, lamentou.

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