Cantora Paula Lima fala sobre racismo e manifestações após morte de George Floyd

Segundo a artista, protestos nos Estados Unidos refletem "grito de basta"

Da CNN

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O assassinato do americano George Floyd — um homem negro, de 46 anos, que foi morto asfixiado por um policial branco durante uma abordagem — desencadeou uma sequência de protestos não só nos Estados Unidos, mas em diversos países, inclusive no Brasil.

Em entrevista à CNN na tarde desta terça-feira (2), a cantora Paula Lima falou sobre racismo e afirmou que a população negra está “cansada e exausta”. 

“Aqui no Brasil nós já tivemos [a morte] de João Pedro, houve uma comoção e um momento de expressar essa dor. Mas quando vemos George Floyd sendo assassinado daquela maneira, remetendo ao pior da escravidão ou pós-escravidão, onde os negros eram enforcados, sentimos na pele essa dor”, contou a cantora.

Segundo ela, as ondas de manifestações pelo mundo refletem um grito de basta. “Não vejo o ‘lá e cá’. O que sentimos aqui é o que se passa lá. O que se passa lá é o que acontece aqui”, afirmou.

Questionada sobre o papel dos formadores de opinião para ampliar o movimento antirracista, a cantora disse acreditar que tanto os negros como os brancos precisam usar sua voz e poder de fala para “fazer diferença, transformar, lutar por igualdade e, inclusive, abrir os olhos de quem ainda não entendeu o que está acontecendo”.

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“Os artistas negros que conheço estão todos na mesma luta que eu, então não posso dizer pelos que eu não conheço. Sobre os atletas, acho que é uma obrigação fazer parte desse movimento”.

Para a artista, as pessoas que não se engajam com o movimento “talvez não se veem como a gente os vê”. “Temos que saber em primeiro lugar quem a gente é para se engajar em qualquer luta”, afirmou.

Racismo em pauta

Para que a questão do racismo continue em evidência, Paula acredita que é preciso pensar na educação das crianças e dos jovens para que o ódio contra a população negra não aumente, além de achar importante que a história do negro seja contada de forma justa e real.

Segundo a artista, quando estava na quarta série, uma professora falou para os alunos que “graças à Princesa Isabel, todos os negros foram felizes para sempre e que não tinham emprego porque eram preguiçosos. Eu era uma criança e não tinha como me defender”, contou. 

A outra coisa que precisa ser feita, segundo Paula, é entender que apesar de uma pessoa não ter escravizado ninguém, é preciso ter consciência de seus privilégios. 

Paula também citou a importância de mudar a formação policial. “O que o policial ouve quando está se formando? Que negro é criminoso, assassino, bandido. Isso vai ter que mudar”.  

A cantora disse também que os negros, para terem cada vez mais força, precisam se entender como povo, além da importância da “adesão do branco que entende que isso [a violência e desigualdade racial] é injusto, absurdo e não pode mais acontecer”.

(Edição: André Rigue)

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