Aline celebra 14 anos como rainha de bateria da campeã Mocidade Alegre

Integrante da escola há duas décadas, Aline Oliveira se diferencia por tocar instrumentos na avenida e estava na quadra quando a escola levou o 13ª título

Tatiana Cavalcanti, colaboração para a CNN Brasil
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A rainha de bateria Aline Oliveira, 36, estava na quadra da Mocidade Alegre, no bairro do Limão, em São Paulo, na terça-feira (17), quando o resultado da apuração foi anunciado no Anhembi.

“Na penúltima nota eu ainda achava que faltava a última, não estava acreditando ainda que já era o título, foi muito acirrado. Eu estava encolhida enquanto todo mundo ao meu redor já gritava”, disse Aline à CNN Brasil.

A confirmação do título, o 13º da escola, veio num misto de descrença e alívio, com a comunidade reunida em torno da contagem. Aline finaliza. “A gente trabalha o ano inteiro para esse momento. Ver a quadra explodir quando saiu o resultado foi indescritível.”

Rainha de bateria há 14 carnavais e integrante da escola há 23 anos, Aline participa ativamente da equipe rítmica durante os desfiles: ela executa instrumentos, como tamborim e surdo de terceira durante o desfile no Anhembi e atua em contato direto com os ritmistas. “Eu sou o próprio instrumento. Sou parte da bateria. Boto a mão na massa e o corpo também.”

A entrada de Aline na Mocidade Alegre ocorreu ainda na infância, por volta dos 12 ou 13 anos. Começou nas aulas de teatro, desfilou em 2003 no grupo cênico, passou pela bateria e pela comissão de frente, e foi destaque de carro por três anos antes de assumir a coroa em 2012. "Eu achava o máximo mulher tocando instrumentos."

A experiência em diferentes setores, diz Aline, reforçou o vínculo com a escola: “Sou muito da comunidade mesmo.”

No desfile vencedor, a bateria apresentou a peça "O Imperador Jones", montagem do Teatro Experimental do Negro. Aline interpretou a imagem chamada “bala de prata” dentro da leitura da escola — um símbolo trabalhado como metáfora de ruptura histórica e consciência. “Fizemos uma leitura que afasta a violência literal e aproxima a ideia de libertação.”

Preparação para a avenida

Fora da avenida, a folga pós-Carnaval é curta: depois de um respiro em março, a Mocidade Alegre retoma atividades entre abril e maio com lançamentos de enredo, eliminatórias do samba-enredo e encontros na quadra. Aline é parte integrante de todo esse processo ao longo do ano.

A posição de rainha traz pressão por novidade a cada ano. “A responsabilidade e o desafio caminham comigo a cada ano”, afirma Aline, que ainda não tem planos definidos para o 15º desfile à frente da bateria, mas se compromete a debater ideias com a equipe após as comemorações.

Para ela, a permanência no posto é reflexo de um vínculo contínuo com a Mocidade: “Enquanto eu tiver energia, vou levar com garbo e elegância.”

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