Escolas de samba desfilam pela 2ª noite em São Paulo
Sete agremiações entram no Sambódromo do Anhembi na busca de brilhar no Carnaval 2026
A segunda noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo teve início no Sambódromo do Anhembi neste sábado (14). Sete agremiações passarão pela avenida.
Sete escolas cruzam o Anhembi e fazem desfiles que oscilaram entre cortejos que brigaram pelo título e apresentações que credenciam as agremiações à briga contra o rebaixamento para o Grupo de Acesso 1.
Império de Casa Verde
A agremiação abriu os trabalhos, trazendo o enredo "Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras", centrado na figura de Dona Fulô.
Durante a passagem da Ala das Baianas, uma das integrantes que desfilava pela escola de samba passou mal. Além de bombeiros serem chamados para atendê-la, parte do público também ajudou a socorrê-la.
A Império de Casa Verde concluiu a passagem pelo Sambódromo do Anhembi sem preocupações com o tempo limite. Em entrevista à CNN Brasil, o diretor de Carnaval da escola, Rogério Figueira, o "Tiguês", falou sobre o samba-enredo escolhido pela agremiação.
"A gente precisava ter uma temática um pouco mais popular, um pouco mais afro e a gente decidiu trazer as primeiras empreendedoras entre aspas, que eram aquelas mulheres que compravam a própria alforria e alforria do povo preto na época. Com muita coragem, com muita sabedoria e já um toque de malandragem, e fomos muito felizes na escolha desse enredo inclusive na escolha do samba", declarou.
Águia de Ouro
Em seguida será a vez da Águia de Ouro, reverenciando a cidade de Amsterdã, capital dos Países Baixos. “Não me interpretem mal, eu vou me jogar de vez neste Carnaval.” O refrão da Águia de Ouro já indicava o clima do desfile no Anhembi.
No samba-enredo, a capital holandesa surgiu retratada como permissiva e aberta em seus hábitos, tanto no que diz respeito à sexualidade quanto ao uso de maconha. Os girassóis dominaram a avenida, aparecendo desde o carro alegórico até as elaboradas fantasias das baianas, que coloriram o sambódromo.
Mocidade Alegre
A Mocidade Alegre é a terceira a entrar na avenida, homenageando a atriz Léa Garcia, que morreu em 2023, aos 90 anos. Ela foi reconhecida por seu protagonismo e por performances marcantes desde meados do século passado, em um verdadeiro símbolo de resistência ao racismo, a escola realizou uma apresentação irretocável.
Os carros alegóricos e a bateria comandada por Mestre Sombra contagiaram o sambódromo, que ecoou o samba com entusiasmo durante as paradas. Um dos destaques foi um carro alegórico de 13 metros de altura, que utilizou 10 mil litros de água para retratar Iemanjá, impressionando o público pelo forte impacto visual.
À frente, a médica e ex-BBB Thelma Assis surgiu representando a artista homenageada. Ao fim do desfile, a agremiação apressou os últimos carros alegóricos e alas para conseguir cumprir a travessia no tempo estipulado.
Gaviões da Fiel
A agremiação apresentou uma homenagem ao Brasil indígena, com um samba-enredo voltado à defesa do meio ambiente. Na comissão de frente, o transe xamânico, que altera a percepção, serviu de argumento para a ausência do verde no desfile, apesar do tema ligado à floresta.
A cor é tradicionalmente rejeitada pela escola por remeter ao rival Palmeiras, e foi substituída por um efeito cintilante, que trouxe a vegetação com tons cintilantes.
Medindo 72 metros, o maior carro alegórico do Carnaval de São Paulo, o abre-alas simbolizou o “tempo dos sonhos”, trazendo um jacaré monumental e o gavião, emblema da agremiação. Outra alegoria retratou o gado como agente do desmatamento, reforçando a mensagem em prol da causa ambiental.
Estrela do Terceiro Milênio
A Estrela do Terceiro Milênio prestou tributo ao cantor e letrista Paulo César Pinheiro. Na comissão de frente, desfilaram figuras como Clara Nunes, sua ex-esposa. A bateria destacou-se como o grande momento do desfile da escola do Grajaú, que empolgou o público nas arquibancadas.
Nas alegorias, chamou atenção um abre-alas de 34 metros de extensão, 15 metros de altura e equipado com mais de mil luzes estroboscópicas, criando um impacto visual no sambódromo. O carro representava a criatividade de Pinheiro, que costumava enxergar nas nuvens formas de animais e diferentes objetos.
Tom Maior
A Tom Maior apresentou um enredo sobre a trajetória de Chico Xavier, em Uberaba, com diversas alegorias ao longo do desfile.
Entre os elementos cenográficos, destacaram-se a figura de um xamã que assumia forma animalesca e estruturas que remetiam a ossadas de dinossauros, além de mais de 60 componentes caracterizados com trajes escuros no abre-alas, considerado o ponto alto do desfile.
Um problema técnico nos geradores causou a interrupção das luzes do segundo carro alegórico, inspirado em referências indianas, o que pode resultar na perda de pontos importantes na avaliação. Ainda assim, a bateria da escola, originária do Sumaré, foi um dos grandes destaques, empolgando o público presente nas arquibancadas do sambódromo.
Camisa Verde e Branco
O Camisa Verde e Branco encerrou a noite de desfiles com o enredo "Abre Caminhos". A escola da Barra Funda fazia um desfile com alguns problemas nos quesitos plásticos, quando enfrentou contratempos em evolução. A agremiação já havia apertado o passo na tentativa de cumprir o tempo máximo, quando seu último carro alegórico bateu na grade lateral da pista e travou no meio do Anhembi, deixando um buraco grande entre ele e a ala que vinha à frente.
Além dos descontos no quesito evolução, o Camisa terá que lidar com mais um problema: por conta do incidente, a escola finaliza seu desfile com 66 minutos, estourou o limite de tempo e começará a apuração de terça-feira com uma punição de 0,3 pontos.
Na primeira noite de desfiles, na sexta-feira (13), outras sete escolas desfilaram no Anhembi. A apuração dos resultados ocorre na terça-feira (17).
*publicado por Jonathan Pereira, em colaboração para a CNN Brasil; e Mariana Valbão e Flávio Ismerim, da CNN Brasil


