Lívia Andrade fala de estreia no Salgueiro, samba e dá spoiler de fantasia
À CNN, a musa da Academia do Samba, recorda raízes na folia e comenta sobre a importância de se criar conexão com a escola

Lívia Andrade, 42, está de volta ao Carnaval do Rio de Janeiro e, desta vez, sob as cores vibrantes do Salgueiro. Veterana da folia com décadas de passarela, a apresentadora agora integra o time de musas da Academia do Samba para o desfile de 2026.
À CNN Brasil, a artista revelou que o reencontro com a Marquês de Sapucaí foi guiado por uma sucessão de "sinais" do destino. "Minha vida é feita de sinais. Eu precisava deles para ver que rumo levaria a minha vida. E eu queria voltar para o Carnaval. Já tinha recebido alguns convites que mexeram comigo, mas nada forte", revela.
O aguardado e definitivo "sim" veio de forma inusitada. "Um dia eu estava no meu médico cuidando da saúde e falei: 'Esse ano a gente vai ter que cuidar melhor. Agora é pensar em cuidar do corpo também, porque quem sabe estou pensando em voltar'. Eu desci a escada e tocou meu telefone. Era a Renata Melão me convidando para o Salgueiro. Ali eu falei: 'Opa, alguém me ouviu'", recorda.
"O Carnaval foi minha Disneylândia", diz Lívia Andrade
Muito antes de se tornar um dos rostos mais conhecidos da TV brasileira, a relação de Lívia com o samba já pulsava na Zona Norte de São Paulo. Para ela, o universo das agremiações foi a primeira janela para o lúdico.
"O Carnaval foi a minha Disneylândia. Na periferia, a realidade das pessoas é bem diferente. Então, você estar num sambódromo ou num barracão, onde existem alegorias coloridas, brilhantes, fumaça... aquilo era a Disneylândia da gente", conta.
"Eu era muito pequena, nem sabia do que se tratava, sabe? Mas eu sabia que queria aquilo para mim. Saí na ala das crianças, depois fui ala da comunidade e ganhei a fantasia. Fui crescendo dentro do samba, admirando e aprendendo", acrescenta.
Entre o glamour e a tradição
Questionada sobre a recorrente polêmica envolvendo celebridades que ocupam postos de destaque em detrimento de componentes da comunidade, a musa propõe uma reflexão sobre a gestão das escolas e o papel de quem chega de fora.
"Às vezes, as pessoas jogam a culpa só na celebridade e esquecem que existe uma administração, uma diretoria, um presidente. Se for cobrar alguma coisa de alguém, tem que cobrar do líder da comunidade", afirma.
Andrade também ressalta que o aporte financeiro trazido por figuras públicas pode ser vital para a saúde das agremiações.
"Se for para somar, não vejo isso só como ponto negativo. Existem comunidades que podem agregar aquele dinheiro para melhorar a situação da escola. Mas tem que somar com alguma coisa: ou com a sua presença, com o seu samba, ou você ajuda", comenta.
Para a sambista, a palavra-chave é pertencimento. "Você tem que se identificar com algo ali, além do seu posto. Não é pelo lugar. Tem que se preocupar mais em sentir e viver o samba do que apenas 'estar' no samba. É de dentro para fora, não de fora para dentro."
No entanto, ela é categórica quando o assunto é o posto à frente da bateria.
"Rainha de bateria tem que sambar. Para mim, não existe isso de não sambar. Você pode ser musa, se dedicar, aprender... mas à frente de uma bateria, uma musa, uma rainha, uma madrinha, tem que sambar. Além de ter a conexão com a escola, ela tem que sambar. É um dever", afirma.

Misticismo na Sapucaí
No dia 17 de fevereiro, o Salgueiro entra na avenida com o enredo que celebra a trajetória da carnavalesca Rosa Magalhães. Lívia define a apresentação como o "poder e o auge da mulher" e antecipa que sua fantasia carrega uma carga pessoal profunda.
"Minha fantasia representa uma manifestação da natureza, uma coisa mística que acontece num país vizinho onde tem mar. Eu carrego um pingente com esse fenômeno há muitos anos e já fui até esse país algumas vezes presenciar. De repente, o carnavalesco me vem com a fantasia desse ser. Foi muito especial", entrega.
Apesar da agenda intensa na televisão, a musa garante que o compromisso com o pavilhão vermelho e branco é inegociável.
"Quem quer, dá um jeito. Depois que inventaram o avião, você vai para qualquer lugar. Quem gosta e se sente bem não vê apenas como um compromisso. Tem que ter prazer", finaliza.


