"Caso Eloá": como foi a entrevista ao vivo de Sônia Abrão com Lindemberg?
Na época, o programa "A Tarde é Sua" interrompeu as linhas telefônicas de comunicação da polícia com o sequestrador por audiência

O novo documentário da Netflix, "Caso Eloá: Refém ao Vivo", tem gerado grande repercussão e curiosidade, principalmente sobre como a mídia cobriu o crime em tempo real.
Um dos principais pontos abordados é a cobertura do caso pela apresentadora Sônia Abrão, do programa "A Tarde é Sua", da Rede TV!, e o envolvimento do sequestrador Lindemberg Alves, ex-namorado da vítima Eloá Pimentel.
Em 2008, Lindemberg manteve Eloá, de 15 anos, refém por mais de 100 horas em seu apartamento. Durante o período do sequestro, imagens do local foram transmitidas ao vivo por diversos canais de televisão, mostrando a jovem debruçada na janela, chorando e afirmando que a situação no cativeiro “estava bem”. Esse momento gerou intensa cobertura midiática, com a situação sendo acompanhada em tempo real por milhares de pessoas.
Um dos momentos mais críticos da cobertura foi a entrevista ao vivo com Lindemberg, realizada três dias antes do trágico desfecho do caso. O repórter Luiz Guerra, do programa "A Tarde é Sua", conseguiu falar com o sequestrador por telefone, durante uma ligação exclusiva de sete minutos.
Durante a conversa, Luiz o procurou acalmar, tratando ele com palavras como "rapaz de bem" e dizendo frases como "nossa preocupação é com você" e "eu quero te ajudar", tentando criar uma atmosfera de confiança. Ele também garantiu que tudo o que Lindemberg falasse seria transmitido ao vivo para a audiência.
No decorrer do bate-papo, Lindemberg questiona o repórter sobre como ele conseguiu o número de telefone do apartamento onde ele estava com Eloá. Luiz Guerra hesita na resposta e afirma que explicaria depois, enfatizando que o objetivo era apenas passar tranquilidade para ele.
No entanto, Lindemberg, visivelmente irritado, responde: "Você vai me responder porque eu tô perguntando primeiro, não me deixa nervoso não". O repórter então menciona que a produção do programa conseguiu o contato com algum familiar dele.
Esse momento gerou uma das maiores controvérsias do caso, já que Sônia Abrão, enquanto apresentadora, interrompeu a linha telefônica e assumiu funções típicas de um negociador, tentando convencer Lindemberg a se entregar à polícia e evitando que algo pior acontecesse. Esse episódio gerou discussões sobre os limites da atuação da mídia em situações como essa, com muitos questionando a ética de suas ações.
Luiz Guerra, que atuou como intermediário na conversa com Lindemberg, aparece no documentário e comenta que qualquer jornalista gostaria de estar em seu lugar naquele momento, devido ao impacto e à audiência que a cobertura gerava.
Vale destacar que, apesar de sua participação central na cobertura do caso, Sônia Abrão não aparece no documentário. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a produtora Veronica Stumpf revelou que tentou incluir a apresentadora no projeto, mas que ela recusou, alegando que seus advogados a orientaram a não falar sobre o caso. "Ela não quis de jeito nenhum", explicou Veronica.
Em relação à sua atuação no caso, Sônia Abrão reconhece que a entrevista com Lindemberg foi o momento mais dramático de sua carreira, mas afirma não se arrepender da maneira como conduziu a cobertura. "Faria tudo de novo", declarou a Quem em 2023.


