Com novo coronavírus, teatros vivem dias de palcos e plateias vazias

Classe artística sente os efeitos do isolamento social para prevenir contágio da doença

Plateia do Teatro Alfa, na Zona Sul de São Paulo
Plateia do Teatro Alfa, na Zona Sul de São Paulo Foto: Divulgação/Teatro Alfa

Paula Forster e Juliana Colombo

Da CNN, em São Paulo

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A classe artística também sente os efeitos do isolamento social recomendado pelo Ministério da Saúde como forma de prevenir a proliferação do novo coronavírus. Com teatros e casas de espetáculos de portas fechadas, as produções teatrais estão totalmente paralisadas.

“Alguns artistas têm feito transmissões pela internet de trechos de peças e recitação de poemas. Mas isso é um esforço individual. A gente não pode esquecer que o teatro em si pressupõe a presença física do ator e a presença física do público. Sem isso, é outra linguagem, é outra coisa que não o teatro”, explica Atilio Bari, diretor da Apetesp (Associação das Produções de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo), quando questionado sobre as alternativas encontradas pelos artistas neste momento de crise.

Segundo o Observatório de Turismo e Eventos da SPTuris, a cidade de São Paulo possui 145 teatros e casas de espetáculos. O Theatro Municipal, um dos cartões postais da capital, suspendeu todas as apresentações e atividades desde 13 de março. Já o Teatro Alfa, localizado na zona Sul, fechou as portas no dia 16 do mês passado, às vésperas da estreia do musical inédito Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate.  A situação hoje é do palco com cenário montado, mas sem artistas, e as poltronas da sala, vazias.

Embora se pense primeiro nos atores, quando se fala em teatro, há ainda outros milhares de profissionais que trabalham nas casas de espetáculo todos os dias, e que o público não vê. Além disso, têm as contas que chegam a estes equipamentos culturais. “Alguns teatros são públicos, outros têm patrocínio, mas a grande maioria vive basicamente de receita de bilheteria. Não havendo bilheteria, não existe receita. E os custos continuam”, acrescenta Bari.

Para Fernanda Azevedo, diretora da companhia de Teatro Kiwi, é preciso que projetos de lei e editais garantam a vida de trabalhadores e técnicos da cultura. “Nós fomos uns dos primeiros setores a fecharem suas portas e, provavelmente, seremos um dos últimos a abrir”, afirma. 

Tramitam no Congresso Nacional os Projetos de Lei 1.075 e 1.089. O primeiro dispõe sobre ações emergenciais destinadas ao setor cultural, enquanto as medidas de isolamento ou quarentena estiverem vigentes. O segundo prevê além do pagamento de um salário mínimo, a inclusão de subsídio para manutenção dos equipamentos culturais.

O Teatro Renaissance, que fica no Jardim Paulista, também fechou no dia 16 de março. Estava com a peça Mãos Limpas em cartaz e tinha atuação de Fulvio Stefanini. “É uma incógnita do que vai acontecer com o entretenimento. Primeiro, porque nem sabemos quando as coisas poderão ser reabertas. Segundo, porque quando tudo isso passar, não sabemos como as pessoas vão reagir. Se já vão querer se aglutinar em um teatro, por exemplo, buscando entretenimento”, comenta o artista que apoia o isolamento social e acha importante que todos tenham essa consciência.

Uma pesquisa da Rede Nossa São Paulo mostra que apenas 20% dos paulistanos frequentaram teatro nos últimos 12 meses e 34% têm ensino superior. Neste momento de quarentena, algumas produções teatrais poderão ser acessadas por um público maior. É que algumas companhias estão disponibilizando peças gravadas para acesso online. Esse é o caso da Companhia Deborah Colker, que disponibilizou tanto no YouTube quanto em seu portal, vídeos de peças na íntegra. “A gente colocou no site e no YouTube, por causa desse momento de isolamento social. Antes não tinha”, comenta o diretor executico da Cia, João Elias.

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