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    Conheça as gêmeas siamesas mexicanas de 22 anos que são sucesso no TikTok

    Conectadas pelo torso, Carmen e Lupita Andrade buscam normalizar a vida de gêmeas nas redes sociais; confira

    As gêmeas siamesas de 22 anos viralizaram com vídeos compartilhando a rotina no TikTok
    As gêmeas siamesas de 22 anos viralizaram com vídeos compartilhando a rotina no TikTok Reprodução/Carmen Andrade/Instagram

    Caroline Ferreiracolaboração para a CNN

    São Paulo

    Com mais de 3 milhões de seguidores, as gêmeas siamesas Lupita e Carmen Andrade fazem sucesso no TikTok detalhando a rotina compartilhada. Os vídeos que elas publicam na rede costumam viralizar com uma média de 8 milhões de visualizações.

    As irmãs, de 22 anos, nasceram em Veracruz, no México, mas se mudaram para Connecticut, nos Estados Unidos, ainda na infância, em busca de tratamentos específicos.

    Na época, os médicos diziam que seria arriscado separá-las, uma vez que as duas compartilhavam muitos órgãos vitais, como o torso e o mesmo sistema reprodutivo, conforme publicou o jornal britânico “The Mirror”.

    Ambas têm os dois braços, mas apenas uma perna cada. Carmen é responsável pela direita. “Eu dirijo”, conta ela ao “Today Parents”. Enquanto isso, Lupita olha o GPS e solta o play nas músicas enquanto passeiam de carro pelo bairro.

    Ainda que estejam unidas fisicamente, as jovens defendem que são bem distintas. A Carmen, por exemplo, é a mais falante e cursa enfermagem.

    Enquanto isso, Lupita é a mais engraçada e pretende trabalhar na mesma área, como técnica. Mas não descarta o sonho em escrever uma comédia.

    Vídeos virais

    Na redes sociais, um dos pontos que mais chama atenção dos seguidores é que Carmen namora e Lupita é assexual. “Conheci meu namorado, Daniel, em um aplicativo de namoro, em outubro de 2020”, conta.

    “Nunca tentei esconder o fato de ser gêmea siamesa, o que significa que recebi muitas mensagens de caras com fetiches. Eu sabia logo de cara que Daniel era diferente dos outros, porque ele não começou com uma pergunta sobre minha condição”, explica.

    “Estamos juntos há dois anos e meio e discutimos o noivado, mas queremos morar juntos primeiro. Daniel e minha irmã se dão muito bem. E engraçado porque fico acordada até mais tarde que a Lupita, mas quando o Daniel vai dormir comigo, eu adormeço rápido – e ele fica conversando com ela”, acrescenta.

    Mesmo com o difícil entendimento para quem está de fora, as duas garantem que são felizes assim. “Compartilhamos uma correndo sanguínea, um fígado, muitas estruturas internas”, ressalta Carmem.

    “Se fizéssemos a cirurgia de separação, qualquer uma de nós poderia morrer, nós duas poderíamos morrer ou acabar na UTI, sem nunca mais poder sair”, completa Lupita.

    A condição de Carmen e Lupita

    À CNN, o neurocirurgião Felipe Mendes explica que os gêmeos siameses ou gêmeos xifópagos conjugados, ou seja, cujo os corpos unidos são resultantes de uma falha do processo de embriogênese, basicamente a fecundação.

    “Existe uma incidência em torno de um para 50 mil casos, porém como até 60% desses casos acabam não nascendo, a incidência verdadeira acaba sendo de um para 200 mil. E, como no caso das meninas, há uma predisposição maior em que pessoas do sexo feminino sejam mais afetadas. A proporção é de três para um”.

    Assim como Carmen e Lupita, os gêmeos siameses podem estar unidos pelo abdômen, tórax, cabeça e até coluna vertebral.

    “O que acontece é que temos duas classificações para gêmeos. Os idênticos que resultam da fertilização de um único óvulo e aqueles que são um pouco diferentes, que chamamos de dizigóticos, e são resultados da fertilização de dois óvulos por dois espermatozoides distintos”, conta.

    “No caso dos siameses, durante o processo de embriogênese acontece uma falha com duas teorias. A primeira é a da fissão, onde a fase de separação do embrião não acontece de forma adequada e ele se divide parcialmente. E a teoria da fusão traz essa divisão inicial completa, mas, em algum momento da gestação, eles se unem novamente”, comenta.

    Cirurgia

    O especialista também argumenta que nem sempre a cirurgia é recomendada, uma vez que o procedimento é complexo e precisa estar muito alinhado com os pais, familiares e a equipe médica.

    “Há casos em que o risco de perder um gêmeos é muito alto e, nessas ocasiões, a separação não é indicada. Porém, naquelas situações em que se é constatado a possibilidade minimamente segura, aí sim há a recomendação”, finaliza.