Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Crítica: “Não se Preocupe, Querida” vai além das fofocas fora das telas

    Bem produzido, esse suspense psicológico traz Florence Pugh em seu auge e o astro Harry Styles mostrando que ainda engatinha como ator

    Alice (Florence Pugh) e Jack (Harry Styles) vivem no misterioso Victory Project em "Não se Preocupe, Querida"
    Alice (Florence Pugh) e Jack (Harry Styles) vivem no misterioso Victory Project em "Não se Preocupe, Querida" Warner Bros/Divulgação

    Isabella Fariada CNN

    Nas últimas duas semanas, só se falou de “Não se Preocupe, Querida”, infelizmente, pelos motivos errados. Desde mudanças de última hora no elenco, até atritos com a diretora Olivia Wilde, passando por uma recente (e falsa!) cuspida do protagonista no coadjuvante no Festival de Veneza, esse filme parecia fadado ao cancelamento nas mídias sociais.

    Fato é que bastidores tumultuados não são novidade. Peguemos como exemplo um dos melhores filmes de todos os tempos, “Apocalypse Now” (1979), dirigido por Francis Ford Coppola.

    A produção do longa foi tão confusa que ganhou um documentário próprio, “Francis Ford Coppola – O Apocalipse de Um Cineasta” (1991), contando diversos causos do set de filmagem.

    Eis alguns deles.

    Coppola teve muita dificuldade em conseguir um financiamento para o filme, que atrasou muito, então colocou, do próprio bolso, 30 milhões de dólares na produção.

    Além disso, o protagonista do longa sofreu um ataque cardíaco e Marlon Brando fez “Apocalypse Now” puramente por conta do dinheiro: seriam 3 milhões de dólares com a condição de não trabalhar aos fins de semana e nem depois das cinco e meia da tarde.

    Comparação feita apenas para contextualizar que “polêmicas” no cinema existiam desde antes do Instagram, nem as melhores produções estão salvas de problemas.

    Deixar que fofocas influenciem a experiência do espectador de assistir a um filme, e que afetem, por exemplo, uma opinião final quanto a ele, beira o desserviço.

    Agora sim, vamos ao que realmente importa.

    Ao som de músicos como João Gilberto, “Não se Preocupe, Querida” conta a história de Alice (Florence Pugh) e Jack (Harry Styles). Eles moram, na época dos anos 1950, em uma comunidade fechada na Califórnia conhecida como Projeto Vitória.

    Por lá, tudo é exageradamente perfeito. Há donas de casa sempre asseadas que satisfazem, de todos os modos, seus maridos trabalhadores. Há boa comida, as mulheres fazem aulas de balé e dão golinhos em drinques à beira da piscina.

    Porém, um dia, uma amiga de Alice começa a apresentar sinais de paranoia. Ela age estranho, torna-se mais reclusa e dá a entender, através de frases desconexas, que está presa naquele lugar.

    Todos ignoram essa mulher, menos a própria Alice que, agora, quer descobrir o que há por trás dessa comunidade exemplar.

    A atuação de Florence Pugh é o grande destaque do filme. Seguindo a mesma linha do terror “Midsommar – O Mal Não Espera a Noite” (2019), suas expressões encaixam perfeitamente com uma trilha sonora que se transforma ao longo do filme: os traços são suaves no começo, até atingirem o auge da tensão da metade para o fim do longa.

    Tanta expressividade contrasta com a atuação medíocre de Harry Styles. Considerado um dos maiores astros pop atualmente, ele ainda engatinha em sua carreira de ator.

    Fez sua estreia em um pequeno papel no filme “Dunkirk” (2017) e agora conseguiu maior destaque em “Não se Preocupe, Querida”.

    Porém, do lado de Florence, Harry se esforça, mas se apequena, mostrando que ainda precisa percorrer um longo caminho para ser considerado um bom ator. Ao lado do novato, há Chris Pine e a própria Olivia Wilde, dois bons atores que ajudam a abrilhantar o cantor pop.

    O figurino e a cinematografia ganham pontos também, são bem estruturados, coloridos e o roteiro é bem amarrado. Em um primeiro momento, entretanto, chega a ser previsível a primeira virada na história dessa trama de suspense psicológico.

    Já o desenvolvimento desse plot twist nos pega de surpresa, ficando ali entre um “Show de Truman” e um episódio de “Black Mirror”. Em uma discussão sobre o machismo, o filme acaba sendo um retrato de uma distopia que a gente não quer que chegue.

    Espero que, com a entrada de “Não Se Preocupe, Querida” em circuito comercial, os olhos do espectador estejam voltados para esse filme de drama e não para o drama fora das telas.

    O filme “Não se Preocupe, Querida” está em cartaz nos cinemas brasileiros.

    Assista ao trailer: