Demonstração da força do cinema brasileiro, diz diretor de ‘A Última Floresta’

Longa que ganhou prêmio em Berlim é uma mistura de documentário e ficção e acompanha o cotidiano de uma aldeia ianomâmi isolada no norte do país

Filme "A Última Floresta"
Filme "A Última Floresta" Foto: Divulgaçao

Roberta Russo

Da CNN, em São Paulo

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“Pareceu um sonho”. Foi assim que o diretor Luiz Bolognesi resume a sensação de ver, em Berlim, seu longa que retrata indígenas ianomâmi que vivem isolados e tentam afastar garimpeiros invasores, ser premiado pelo público no Festival de Berlim, um dos maiores eventos do cinema mundial, enquanto a indústria do cinema brasileiro passa por uma das piores crises da história por causa da pandemia.

Bolognesi conversou com a CNN do aeroporto de Paris, fazendo escala para voltar ao Brasil, depois de acompanhar a premiação no domingo.

“A Última Floresta” é uma mistura de documentário e ficção, que acompanha o cotidiano de uma aldeia ianomâmi, isolada no norte do país há mais de mil anos. Liderada por um xamã, ela tenta expulsar garimpeiros invasores e proteger o território. “Misturar o real com ficção foi uma forma de mostrar os sonhos e os mitos do universo das aldeias, as histórias de como foi criada a floresta, do ponto de vista deles: e, no mundo indígena, os sonhos são reais. Para entrar nesse universo, precisei fazer um filme misturando as duas linguagens”; resume o diretor.

 

Xamã roteirista

A ideia de produzir o longa premiado surgiu quando Bolognesi filmava outro filme, “Ex-Pajé”,vencedor do Prêmio Especial do Júri, na Berlinale de 2018, que retrata um líder atacado pela Igreja Evangélica. “Eu percebi que, em muitas aldeias, existe uma resistência muito forte pra manter a cultura, a língua e força dos xamãs, dos pajés, então, resolvi fazer outro filme que mostrasse o contrário: uma aldeia com cultura forte. Foi por isso que escolhi os ianonami e decidi convidar um grande xamã, que é o Davi Kopenawa, pra ser roteirista do filme.”

Bolognesi conta que o objetivo principal do filme foi servir de referência cultural para a própria cultura indígena. “A imagem do ianomami como um povo forte, bonito, que cuida da floresta precisava viajar o mundo”. As imagens de destruição da floresta pelos garimpeiros também chamam atenção no longa.

A 71ª edição da Berlinale aconteceu este ano em versão híbrida, com uma parte online e em presencial em junho. Os vencedores do prêmio de público dos filmes em competição pelo Urso de Ouro são: “Mr. Bachmann and his Class” (Alemanha), de Maria Speth, “I’m Your Man” (Alemanha), de Maria Schrader, e “Ballad of a White Cow” (Irã/França), de Behtash Sanaeeha e Maryam Moghaddam.

O fime “A Última Floresta” foi premiado também no Festival de cinema da Coreia do Sul na última semana.

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