Denzel Washington sabe que nem todo dinheiro é bom – mas ganhou mesmo assim

Ator está prestes a lançar um novo filme e assumiu ter aceitado papéis no passado pela remuneração

Thomas Page, da CNN
Compartilhar matéria

Denzel Washington sabe que "nem todo dinheiro é um bom dinheiro" — mas às vezes é preciso colocar comida na mesa.

A frase de efeito do mais recente filme de Spike Lee, "Luta de Classes", no qual Washington interpreta um magnata da música envolvido em um sequestro na véspera de um grande negócio, fez com que o vencedor de dois Oscars refletisse sobre seus antigos "trabalhos por dinheiro" em entrevista à CNN.

"Minha mãe costumava dizer: 'Faça o que você tem que fazer, para que você possa fazer o que você quer fazer' — e não o contrário", ele relembrou.

"Quando tínhamos quatro filhos, eu estava fazendo coisas que tinha que fazer. Se você voltar e olhar para meados dos anos 1990, não vou mencionar nenhum filme, apenas vou dizer meados dos anos 1990, por ali."

"Alguns [filmes] para as crianças?", perguntou Jeffrey Wright, co-estrela de Washington. "Mais do que alguns para as crianças — e para a esposa, e para a casa, e para o banco, e para todo mundo", respondeu Washington.

Uma rápida olhada em seus créditos daquela época revela alguns fracassos, com certeza, mas também há Maré Vermelha, Filadélfia e O Dossiê Pelicano – certamente ele não está falando desses. Além disso, nos anos 1990, ele colaborou duas vezescom Spike Lee: O Jogo da Vida (1998) e sua obra-prima, Malcolm X (1992).

A carreira de Washington tem sido, para dizer o mínimo, consistentemente cheia de joias. Quanto aos seus filhos, os "trabalhos por dinheiro" renderam frutos: John David e Olivia são atores de sucesso, Malcolm é diretor de cinema e Katia é produtora.

O novo filme com Spike Lee

"Luta de Classes" é o quinto filme de Lee e Washington juntos. O ator levou o roteiro, uma releitura do clássico de Akira Kurosawa, Céu e Inferno (1963) — que por sua vez é baseado no romance de 1959, "O Resgate do Rei", de Evan Hunter — ao diretor, para o que seria a primeira colaboração deles desde "O Plano Perfeito" (2006).

Transpondo a história de um executivo japonês de calçados para o mundo da música em Nova York, muitos dos elementos-chave permanecem. David King, o executivo da gravadora interpretado por Washington, acredita que seu filho foi sequestrado, apenas para descobrir que o sequestrador (A$AP Rocky) pegou por engano o filho de seu motorista, Paul (Jeffrey Wright).

King deve pagar o resgate, mesmo que isso drene suas contas bancárias e arruíne seus planos de comprar de volta o controle de sua empresa. O que era uma decisão clara quando ele pensava que era sua própria carne e sangue se torna confuso quando é o filho de outra pessoa.

A conexão pessoal e a tecnologia

Curiosamente, há mais do que um pouco de Spike Lee em David. Ambos são titãs culturais em um estágio de suas carreiras em que estão ponderando sobre seu legado com uma sede insaciável de criar. Ambos estão equilibrando arte e comércio, e o horizonte de eventos da tecnologia que está puxando suas indústrias em novas direções. Ambos também possuem coleções de arte requintadas — de fato, a produção fez cópias de pinturas de Jean-Paul Basquiat, Tim Okamura e Kehinde Wiley, entre outros, que realmente pertencem a Lee.

Mas enquanto Lee abraçou os mais novos "players" de sua indústria — "Destacamento Blood" foi distribuído pela Netflix em 2020, e "Luta de Classes" estreará no Apple TV+ após a distribuição nos cinemas dos Estados Unidos pela A24 — King é mais desconfiado da interrupção tecnológica. Ele critica a música gerada por IA sem alma, novos artistas tentando ganhar seguidores nas redes sociais e o vício de seu filho em Instagram.

"Acho que todos nós estaríamos melhor sem esses vícios em nossas vidas. Prometeram-nos harmonia; que a tecnologia nos tornaria mais sábios, mais democráticos, mais pacíficos. Não foi esse o caso. Na verdade, foi o oposto. Acho que é algo em que devemos pensar: para onde estamos indo com tudo isso?", disse Jeffrey Wright.

Washington compartilha das mesmas preocupações de seu personagem? Em uma palavra: não.

"Elas não me afetam no mesmo grau que afetam o personagem, porque eu não dependo dessas coisas para minha felicidade ou minha paz", ele refletiu. "Eu não ganho dinheiro com esse tipo de coisa."

"Eu não preciso ser conhecido, sabe? Eu gosto de ficar quieto", ele acrescentou.

A lenda da atuação, que foi batizada e se tornou um ministro no final de 2024, entrou em sua era zen, contente em soltar aforismos sobre a fama e o cinema; dando "tiros" enquanto caminha para trás em sua própria mística.

"Se eles veem você de graça a semana toda, não vão pagar por você no fim de semana", ele disse. É o mesmo aviso que ele teria dado a Michael B. Jordan sobre o perigo da superexposição de uma estrela de cinema.

Então, não o procure no Instagram, ou em qualquer outro lugar que não seja a tela grande (ou pequena).

"Todas essas supostas contas de Instagram, se meu nome estiver conectado a elas, você foi enganado. Você foi passado para trás. Iludido. Feito de bobo", afirmou.

Acompanhe Entretenimento nas Redes Sociais