Dia do Livro: Editoras e livrarias se reinventam para driblar crise

Cerca de 27 milhões de leitores são das classes C, D e E, aponta pesquisa

Tiago Américo

Da CNN, em São Paulo

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Editores de livros e livrarias usaram de tecnologia e de saídas criativas para driblar a crise e trazer um bom resultado ao setor: em março de 2021, as vendas foram 31% maiores do que no mesmo mês de 2020. O Dia do Livro é comemorado nesta sexta-feira, 23 de abril.

As crianças e os adolescentes são o principal público que lê por prazer no Brasil, segundo a pesquisa Retratos da Leitura, coordenada pelo Instituto Pró-Livro e realizada pelo Ibope. De acordo com o levantamento, os jovens dos 5 aos 13 anos são mais de 40% dos que leem por prazer.

Foi mirando esse público que André Campelo criou a plataforma Dentro da História, que monstra livros infantis personalizados, em que a criança pode colocar ela mesma na história que está criando com os seus personagens preferidos.

“Quando você visualizou aquela personagem, você vai ter a história online. Vê todas as páginas do livro e quando decide receber em casa acontece uma mágica que transforma o livro online no livro físico na mão da criança, mas é um livro com muita tecnologia”, explica à CNN. A ideia deu tão certo que, só no ano passado, as vendas na empresa dispararam em mais de 100%.

Quarentena

A CNN visitou uma livraria no centro de São Paulo que ocupa uma antiga residência familiar, onde estão dispostos os seus mais de 14 mil exemplares. Com as portas fechadas, literalmente, em razão das medidas de distanciamento social, a solução foi abrir as janelas, que passaram a ser utilizadas para conversar e entregar livros aos clientes.

Venda de livros pela janela (23.abr.2021)
Venda de livros pela janela (23.abr.2021)
Foto: Reprodução/CNN

“Entendemos que, mesmo que não desse para que os clientes entrassem, nós ainda poderíamos atendê-los, de forma mais rápida, como se fosse um drive-thru de livros”, diz o livreiro Felipe Beirigo.

Receita quer aumentar impostos sobre livros

A Receita Federal argumenta que os livros deveriam perder a isenção tributária por serem mais consumidos por pessoas com renda superior a dez salários mínimos, o que tem provocado uma polêmica entre políticos e nas redes sociais.

A pesquisa Retratos da Leitura aponta um cenário diferente. De acordo com o levantamento, o país tem 27 milhões de leitores que pertencem às classes C, D e E e que dizem que comprariam mais livros se as obras fossem mais baratas. Esse contingente é de 17 milhões de pessoas nas classes A e B.

Para Zoara Failla, coordenadora da Retratos da Leitura, o Brasil precisa incentivar — principalmente nos preços dos livros — o acesso à informação e ao conhecimento.

“Esses números nos desafiam a pensar onde precisamos mudar, onde precisamos investir. Para que numa próxima edição da pesquisa a gente tenha números mais compatíveis com as nossas necessidades de desenvolvimento social e humano. A gente não consegue mudar o nosso patamar o nosso desenvolvimento humano se não investir em qualidade de educação, leitura e possibilitar o acesso ao livro e ao conhecimento”, avalia.

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