Dia do Orgulho Lésbico: relembre casais que marcaram a TV brasileira
A data é celebrada nesta terça-feira (19), sendo escolhida em memória à primeira grande manifestação de mulheres lésbicas no Brasil

O Dia do Orgulho Lésbico é celebrado nesta terça-feira (19). A data foi escolhida em memória à primeira grande manifestação de mulheres lésbicas no Brasil, realizada em 1983, em São Paulo.
Naquela noite, conhecida como "Stonewall brasileiro", ativistas do Grupo Ação Lésbica Feminina (Galf) protestaram contra abusos e preconceitos que vivenciavam no Ferro's Bar. O local era um ponto de encontro paulistano, e costumava receber o público LGBT+, no entanto, um mês antes, os donos vetaram a distribuição do foletim "ChanacomChana", considerada a primeira publicação ativista lésbica do país, expulsando as autoras do estabelecimento.
Ainda no mês de agosto, comemora-se, no próximo dia 29, o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, estabelecida para contrapor o apagamento histórico das vivências do trabalho feito pelas mulheres lésbicas dentro do movimento LGBT+ e feminista. A data também faz referência à realização do 1º Seminário Nacional de Lésbicas (Senale), realizado em 1996, no Rio de Janeiro, com a proposta de tratar os temas relacionados à violação de direitos em razão da orientação sexual.
Representatividade lésbica na TV brasileira
Com o passar dos anos, a representatividade lésbica na TV brasileira tem se tornado centro de diversas discussões. Embora a ficção ainda caminhe para incluir - verdadeiramente e sem fetichização - a vivência de mulheres lésbicas, algumas personagens já se destacaram diante das telinhas.
Em função da data, a CNN recorda abaixo cinco produções que abriram o diálogo sobre as relações entre duas mulheres.
Christiane Torloni e Silvia Pfeiffer - Torre de Babel (1998)
Em 1998, Christiane Torloni e Silvia Pfeifer interpretaram Rafaela e Leila, em "Torre de Babel". O romance - sem nenhum tipo de afeto mais explícito - foi altamente rejeitado pelo público, ocasionando assim na morte prematura do casal, em uma explosão do shopping Tropical Tower, considerado um dos principais cenários na trama de Silvio de Abreu.

Clara e Rafaela - Mulheres Apaixonadas (2003)
Em "Mulheres Apaixonadas", de Manoel Carlos, as estudantes do ensino médio Clara e Rafaela, vividas por Alinne Moraes e Paula Picarelli, respectivamente, enfrentaram a não aceitação familiar e a rejeição dos colegas de escola para que fiquem juntas. Mesmo com todas os empecilhos, o romance se fortaleceu ao longo da história, até o um breve beijo acontece ao final da trama.

Clara e Marina - Em Família (2014)
Alguns anos mais tarde, Manoel Carlos voltou a colocar a temática nas telinhas. No enredo de "Em Família", o ator explorou a história de Clara (Giovanna Antonelli), uma mulher casada, mãe de um filho, e que se enxerga apaixonada pela fotógrafa Marina (Tainá Müller).
Com o desenrolar dos capítulos, as duas vão se conhecendo melhor, desenvolvem a intimidade e, ao final, acabam dizendo o aguardado "sim" diante em uma cerimônia que reuniu amigos e familiares.

Teresa e Estela - Babilônia (2015)
Em 2015, o casal Estela e Teresa, personagens de Nathalia Timberg e Fernanda Montenegro, também rendeu grandes debates nas redes sociais, já que discutia o amor lésbico na terceira idade.
Juntas há mais de 30 anos e com um filho, elas trocaram o primeiro beijo ainda nos primeiros minutos na estreia da trama de Gilberto Braga. A cena rapidamente viralizou por explorar a naturalidade na relação.

Jânia e Otília - Guerreiros do Sol (2025)
Por fim, Alice Carvalho e Alinne Moraes estiveram mergulhas na pele de Jânia e Otília em "Guerreiros do Sol". Em cena, elas interpretavam um romance considerado proibido diante dos padrões da década de 1920. Após idas e vindas, além dos perigos típicos que rondavam o cangaço, o final feliz do casal foi amplamente celebrado pelos fãs nas redes sociais.
À CNN, Alice disse que o projeto foi muito corajoso, feito com cuidado, justamente pensado em ser diferente das representações vista nos últimos anos. "Seguimos a mesma linha do que aconteceu na novela inteira. Reconstrução, imaginário e fugimos dos velhos clichês que são destinados há algumas décadas à tramas sáficas na TV brasileira".



