Diretor de "Armageddon Time": racismo da era Reagan foi semente de tensões atuais

O filme ambientado nos anos 1980 tem Anne Hathaway e Anthony Hopkins no elenco - produção é do brasileiro Rodrigo Teixeira

Hanna Rantala e Mimosa Spencer, da Reuters, Cannes
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O diretor de cinema americano James Gray, estreou seu filme "Armageddon Time" no Festival de Cinema de Cannes, e criticou o racismo da era Ronald Reagan com o qual o filme lida, afirmando nesta sexta-feira (20), que isso teria preparado o cenário para as atuais tensões sociais.

"Não posso dizer que causou o que está acontecendo hoje, o que me assusta, mas foram as sementes que foram plantadas", disse Gray em entrevista.

O filme sobre amadurecimento de Gray explora questões de raça e privilégio na sociedade americana, com um elenco repleto de estrelas, incluindo Anne Hathaway, Anthony Hopkins e Jeremy Strong. A produção executiva é do brasileiro Rodrigo Teixeira.

O filme é um dos 21 concorrentes ao prêmio máximo do festival francês, a Palma de Ouro.

Ambientado na década de 1980, o filme leva o título de uma citação do ex-presidente dos EUA, Reagan, que alertou que "nós" podemos ser a geração que vivencia o Armagedom.

Reagan havia iniciado sua campanha presidencial de 1980 na Filadélfia, Mississippi, onde em 1964 três proeminentes defensores dos direitos civis foram assassinados pela Ku Klux Klan - uma mensagem deliberada, segundo Gray.

"Ronald Reagan sabia que sinais ele estava enviando, principalmente para os sulistas brancos, e eu não esqueci disso - está na minha cabeça e eu queria fazer um algo sobre isso", disse Gray.

O filme de Gray, vagamente baseado em sua vida, é contado através do personagem do jovem Paul Graff, que é branco e interpretado por Banks Repeta. Ele traça sua amizade com Johnny, que é negro e interpretado por Jaylin Webb.

Os meninos têm grandes ambições - mas se deparam com estruturas sociais rígidas.

"Tentando lidar com isso psicologicamente, tentei entender, tentei entrar em sua mentalidade e realmente entender o que ele passou. E meus pais me ajudaram, porque eles estão muito familiarizados com esse sentimento", disse Webb.

Vínculos – e tensões – entre gerações é outro tema, com Hopkins desempenhando um papel central como avô de Graff.

"Ele foi sábio", disse Repeta. "Nós dançamos fora do set, o que foi agradável, e ele foi divertido - ele não fez nada muito sério."

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