Em novo álbum e clipe, Tim Bernardes convida o público para seu mundo interior

Um dia após lançar seu segundo álbum solo, "Mil Coisas Invisíveis", artista apresenta o clipe da música "Nascer, Viver, Morrer" nesta quarta-feira (15)

Tim Bernardes lança novo álbum "Mil Coisas Invisíveis" e clipe para o single "Nascer, Viver, Morrer"
Tim Bernardes lança novo álbum "Mil Coisas Invisíveis" e clipe para o single "Nascer, Viver, Morrer" Marco Lafer e Isabela Vdd

Luana Franzãoda CNN*

Em São Paulo

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“Mil Coisas Invisíveis” é um álbum para se ouvir inteiro, de uma só vez: com o som alto ou com fones de ouvido, com os olhos fechados ou olhando para o nada.

Pelo menos, essa é a forma que Tim Bernardes planejou que seus ouvintes aproveitassem seu segundo trabalho solo, “Mil Coisas Invisíveis”, lançado nessa terça-feira (14).

“Quando eu faço o disco, sei que muita gente vai ouvir as músicas separadas, ou na playlist favorita. Mas pra mim, a obra final é o álbum inteiro. Então, a minha vontade é convidar as pessoas a ouvir o disco todo no fone de uma só vez, assim, ouvir com o som alto, no escuro, não sei”, disse o cantor em entrevista à CNN.

O clipe escolhido para abrir a nova fase reflete o tom das canções. “Nascer, Viver, Morrer” mostra Tim sentado em uma paisagem aberta, musicando sozinho, com um piano ao fundo – que aparece em chamas, restaurado e reduzido às cinzas. A reflexão sobre a vida e suas fases permeia todas as faixas.

“‘Nascer, Viver, Morrer’ é uma boa música para mostrar um pouco o que é o DNA desse disco, que é sobre o ‘ser’ realmente. Sobre que antes de pensar ou fazer, a gente já é”, disse Bernardes.

Antes do lançamento da íntegra do novo álbum, o cantor escolheu quatro músicas para encabeçar o projeto: “Nascer, Viver, Morrer”, “Mistificar”, “BB (Garupa de Moto)” e “Última Vez”.

Para ele, foi difícil escolher os singles do disco. “Acho que o disco tem um espectro que vai para vários lados, e tentei buscar canções que mostrassem um pouco de tudo. Que dessem um gostinho, ou uma possível ideia do que seria o álbum – ou até confundisse as pessoas, para não acharem que é só de um jeito.”

Entre as mil coisas invisíveis exploradas por Tim, o amor é um tema importante. Há algumas canções reflexivas, mas em “BB (Garupa de Moto)”, ele passeia por São Paulo e explora lembranças de forma descontraída. Ao ser perguntado sobre o significado da garupa no título, ele revelou que a música, na verdade, foi feita como um presente para sua namorada.

“Nem sempre as músicas são necessariamente autobiográficas, mas ‘BB’ é uma música que fiz de uma maneira muito descompromissada. Era uma piadinha interna nossa”, disse.

Por mais que explore suas próprias memórias, ele também gostaria de criar um espaço de identificação livre para os ouvintes: “Acho legal também as pessoas encaixarem essa imagem solta na cabeça”.

Tim Bernardes em ensaio de divulgação de “Mil Coisas Invisíveis” / Marco Lafer & Isabela Vdd

O mundo particular de Tim conquistou alguns de seus ídolos: ele já foi elogiado por Maria Bethânia e regravou a clássica “Baby”, em parceria com Gal Costa.

No âmbito internacional, o cantor tem ganhado reconhecimento: seu primeiro trabalho solo, “Recomeçar” (2017), foi lançado em vinil nos Estados Unidos e na Europa, e ele cantou em português na canção “Going-To-The-Sun-Road”, dos norte-americanos do folk, Fleet Foxes.

Para “Mil Coisas Invisíveis”, Bernardes buscou um selo internacional para divulgar o disco mundo afora. “Tem muita alegria estar conversando um pouco com mundos que me influenciaram como músico. Seja com artistas dos anos 1960 e 70 do Brasil, que eu de alguma forma pude conversar hoje, quanto o indie mundial, que é uma coisa que também tenho como uma grande inspiração, e admiração”.

“O destino tem sido muito legal e as coisas se sincronizaram muito bem. Tenho muita vontade de espalhar essa música para todo mundo. Isso dá uma empolgação, mas vamos como será a reação por lá”, disse.

As inspirações no trabalho são múltiplas, e Bernardes explora novas sonoridades – e, de acordo com ele, há ainda muito para descobrir. “Em cada disco, acaba vindo alguma coisa que não fiz antes. “Um álbum novo é sempre uma chance também de mostrar mais facetas minhas, porque tem várias que em vários álbuns ainda não consegui mostrar”, declarou. “Não quero ser totalmente homogêneo”.

A mudança e a renovação fazem parte do repertório de Tim desde “Recomeçar”, como sugere o título do projeto de 2017. “Muitos ciclos que vão se abrindo e se fechando, e do ‘Recomeçar’ pra cá muita coisa rolou'”, disse.

O nome de Bernardes ganhou destaque no cenário musical brasileiro com a banda O Terno, da qual é vocalista. Para ele, algumas músicas que estão em “Mil Coisas Invisíveis” poderiam ter sido gravadas pelo Terno, mas há relevância no fato de este ser um projeto pessoal.

“Tem muitas canções ali – até por serem retratos, reflexões interiores, ou pessoais – que conversam com o meu universo solo. Não devo me fechar a algo, como ‘o Terno é esse estilo’, e ‘solo é aquele estilo’. É inevitável que tudo se misture. Até pelas circunstâncias, de realmente eu estar isolado, era o momento para fazer um disco solo”.

O isolamento e a pandemia da Covid-19 fizeram parte do caminho de criação de “Mil Coisas Invisíveis”, segundo Bernardes, que comungou dos sentimentos intensos do período.

A reflexão sobre os caminhos da vida são o coração do projeto: “Eu já tinha certas reflexões profundas, e reparei isso no início da pandemia, quando comecei a juntar as músicas. Já estava em algumas músicas esse tipo de reflexão, que me bateu mais conscientemente”.

“Sinto que a pandemia bateu no cerne da questão, do que é tudo. Muitas reflexões interessantes surgiram disso, e eu comecei a pesquisar e ler coisas que não lia, de outras pessoas que também têm esse tipo de espanto. Mudou a minha perspectiva interna, alguma coisa na minha consciência mudou. Fiquei menos materialista, no sentido de acreditar que o que existe é uma coisa concreta. Deixei de ser cético.”

O novo projeto é lançado pela Coala Records, organizadora do Coala Festival.

*Sob supervisão.

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