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Em show lotado, Humberto Gessinger “revê o que nunca foi visto”

Confira o antes e depois do vocalista da banda Engenheiros do Hawaii, agora com 61 anos

Ellen Nogueira, da CNN Brasil
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O show já começa com a frase: “Todo mundo está revendo o que nunca foi visto”. Da música dos Engenheiros do Hawaii chamada “O papa é pop”, do disco de mesmo nome, de 1990, o trecho resume bem o clima de um Unimed Hall, em São Paulo, lotado, no último sábado (11).

É a geração fã de rock nacional dos anos 80 e 90 que procura se reencontrar com a música, agora carregando uma bagagem de vida bem mais pesada. De alguma maneira, é um reencontro com um passado que, naquelas duas horas de show, se torna novamente presente.

Humberto Gessinger já é sessentão e está prestes a se tornar avô. Mas continua balançando seus cabelos loiros e com pique no palco, misturando músicas hits e do lado B da sua banda formada em 1985, os Engenheiros do Hawaii, com outras de sua fase solo. “Não vim até aqui pra desistir agora”, “pode ser pra sempre, pode não ser mais” são mais algumas frases das canções do show, que mostram tantas fases passadas pelos Engenheiros, por Gessinger e pelos fãs.

Sucesso, ápice, separação, crises, voltas por cima, reencontros e liberdade para ser o que quisermos ser... “Somos quem podemos ser”, diz outra canção. O que aconteceu com os Engenheiros e com Gessinger nesses 40 anos de estrada é um roteiro de vida de muitos de nós também. E as músicas desse show lotado traduzem isso.

“Vida real”, canção do álbum Gessinger Trio, de 1996, primeiro em que Gessinger tocou sem a “marca” Engenheiros, ganhou uma versão reggae nesta turnê. “Tchau, vida real”, virou a frase entoada no show. Mais uma prova da vontade do público de viver outra vida, talvez voltar um pouco ao passado, sonhando com um presente e um futuro diferentes. Uma fuga que usa a música como caminho.

O show também trouxe a música mais nova “Paraibah”, parceria com Chico César. Uma união do Nordeste com o “bah” do Sul, uma mistura de tradições que mostra como, na verdade, somos todos iguais na busca de nossas origens.

“Dom Quixote”, canção de 2003, traz a frase: “Peixe fora d'água, borboletas no aquário”. É a contradição que é uma marca das letras de Gessinger e traduz bem o sentimento de um público, que, na maioria, tem mais de 40 anos. E a guerra em busca de paz, é a política que faz o bem, mas cobra a corrupção.

O show continua com “Alívio Imediato”, de 1989, lembrando que “tudo se divide, todos se separam”. E a curiosidade disso é que, no mesmo momento em que Gessinger canta esse trecho, os outros dois integrantes da fase de maior sucesso dos Engenheiros, nas décadas de 80 e 90, também fazem shows. Augusto Licks, ex-guitarrista da banda, e Carlos Maltz, ex-baterista, fazem uma turnê pelo Brasil com canções dos Engenheiros. Separados, cantando as mesmas canções, da mesma banda.

“Toda Forma de Poder”, “3X4”, “Armas Químicas e Poemas” são outras músicas dessa turnê de Gessinger. “Eu me lembro muito bem, como se fosse amanhã” é mais uma frase que brinca com o tempo, esse combustível do público. "Simples de Coração", “Piano Bar” e “Novos Horizontes” continuam o show. “Se não for isso, o que será?”

“Seria mais fácil fazer como todo mundo faz” continua Gessinger, mostrando que ter personalidade quando todos esperam o óbvio pode ser um bom caminho. Sempre questionado se seria melhor se unir a Licks e Maltz e lotar estádios, ele costuma dizer que fazer seu próprio caminho é o mais importante. Fãs se questionam muitas vezes se é a melhor resposta, mas, ao ir a um show, talvez concordem.

A parceria no palco com o músico Esteban Tavares também é acertada nesta turnê. Muita energia com “Segura a Onda, Dorian Gray”. A música se refere a um personagem de Oscar Wilde que quer que sua imagem em uma pintura envelheça, mas ele próprio, não. Essa busca pela juventude eterna move nossa sociedade, mas a realidade de se olhar no espelho e ver que o tempo passa é mais uma contradição.

O show termina com os hits “Infinita Highway”, “Pra ser Sincero” e “Era um garoto...”. A gente tem que “segurar a onda” para não achar que é aquele jovem dos anos 80/90. Ou será que ainda somos?

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