Filme iraniano feito inteiramente com IA estreia em festival de Nova York
"Dreams of Violets" será lançado na programação do Festival de Tribeca no dia 10 de junho e relata protestos iranianos

O filme "Dreams of Violets" teve estreia confirmada para o dia 10 de junho pelo Festival de Tribeca, em Nova York. A produção iraniana foi feita inteiramente com IA (inteligência artificial) e atores reais e será a primeira do gênero a estrear em um festival de grande porte, de acordo com a Fountain 0, responsável pelo projeto.
O filme é dirigido pelo cineasta Ash Koosha e retrata os protestos que tomaram a capital do Irã, Teerã, no início de 2026. A trama acompanha cinco pessoas que se encontram na cidade antes de serem executadas. Os confrontos fazem alusão a conflitos reais vividos pela população do Irã contra as autoridades do país, que deixaram mais de 7 mil mortos e 50 mil prisões.
O custo total da produção foi cerca de US$ 2.000 (aproximadamente R$ 10 mil), e durou três meses para ser finalizado. O diretor Ash Koosha usou a IA como recurso perante a falta de acesso a equipes e equipamentos de filmagem adequados e até ao próprio território do Irã. Ele viabilizou a obra a partir de sua própria casa, em Londres, Reino Unido.
Koosha falou sobre as polêmicas em torno da ética do uso de IA em produções cinematográficas, mas defendeu que o filme tem caráter memorialístico de episódios reais e contribui para registrar a história.
""Entendo que um filme gerado por IA sobre pessoas que realmente morreram levanta questões difíceis. Pensei nessas questões a cada minuto de cada dia em que trabalhei neste filme. Minha resposta é que a alternativa — o silêncio, o esquecimento, o resultado preferido do regime — é pior. O filme existe porque os mortos merecem ser vistos", defendeu ele.
Em comunicado oficial, a cofundadora de Tribeca, Jane Rosenthal, afirmou que a mensagem política do filme se equilibra com os recursos tecnológicos utilizados em sua produção e que ambos os temas — conflitos civis e inteligência artificial — estão no centro do debate global.
"Este filme oferece ao público uma perspectiva rara e íntima de um conflito que muitos não conseguiram ver ou compreender completamente. O que nos comoveu não foi apenas a conquista tecnológica, mas a imediaticidade emocional e a urgência da própria história", declarou.
O Festival de Tribeca de 2026 ocorre entre os dias 3 e 14 de junho.


