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    Gilberto Gil toma posse na Academia Brasileira de Letras nesta sexta-feira

    Cantor foi eleito em novembro do ano passado; na ocasião, em entrevista à CNN, ele afirmou a importância de ter um participante negro na ABL

    Gilberto Gil durante show no Rio de Janeiro
    Gilberto Gil durante show no Rio de Janeiro Reuters

    Isabelle Resendeda CNN

    no Rio de Janeiro

    O cantor e compositor Gilberto Gil toma posse, nesta sexta-feira (8), na Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio de Janeiro.

    O ex-ministro da Cultura vai ocupar a cadeira de número 20 da Academia. Gilberto Gil foi eleito com 21 dos 34 votos possíveis, em novembro do ano passado.

    Ele irá ocupar a vaga do jornalista Murilo Melo Filho que morreu em maio de 2021.

    Os ocupantes anteriores da cadeira 20 foram Salvador de Mendonça, advogado e um dos fundadores da ABL, os jornalistas Emílio de Meneses, Humberto de Campos e Múcio Leão e o general do Exército, Aurélio de Lyra Tavares.

    Para o presidente da ABL Marco Lucchesi, Gilberto Gil representa a união entre a cultura erudita e popular. Na ocasião da eleição do cantor, Lucchesi citou uma metáfora do sociólogo, escritor e político brasileiro Darcy Ribeiro para se referir ao novo imortal da instituição.

    “Para Darcy, o pássaro da cultura tinha duas asas. Uma delas era erudita e a outra popular. Para que o pássaro possa voar mais longe, ele precisa das duas asas. Certamente, Gilberto Gil é esse traço de união entre a cultura erudita e popular”.

    De acordo com o presidente da ABL, Gil é um intelectual que pensa o Brasil.

    “Canta e pensa esse país; provou o exílio, em um momento muito difícil da nação; ocupou cargos importantes, como o Ministério da Cultura. Enfim, é um homem poliédrico, que representa parte essencial desses últimos anos do século 20 e do início do século 21. Portanto, ele é um homem que tem muitos traços de união: a política e a poética; século 20 e século 21; a tropicália e o modernismo. Ele é uma figura de extrema riqueza e, certamente, é muito bem-vindo agora como acadêmico, na casa de Machado de Assis”, disse o acadêmico.

    Em entrevista à CNN no ano passado, o poeta, cantor e compositor Gilberto Gil afirmou que é importante a Academia Brasileira de Letras (ABL) ter um representante negro.

    “A importância do negro para a civilização brasileira, para a formação da civilização brasileira, é extraordinária. Esses momentos, esse acolhimento a alguém como eu na Academia têm esse significado também”.

    A cerimônia de posse está marcada para às 21h, no salão nobre da sede da academia, no Centro do Rio.

    O novo acadêmico

    Gilberto Gil iniciou sua carreira no acordeon, ainda nos anos de 1950, inspirado por Luiz Gonzaga, pelo som do rádio e pela sonoridade do Nordeste.

    Com a ascensão da Bossa Nova, Gil passou a tocar violão e, em seguida, a guitarra elétrica, presente em sua obra até hoje.

    Em seu primeiro LP, Louvação, lançado em 1967, traduziu em música, de forma particular, elementos regionais, como nas canções Louvação, Procissão, Roda e Viramundo.

    Em 1963, iniciou com Caetano Veloso uma parceria e o movimento Tropicália, que acabou internacionalizando a música, o cinema, as artes plásticas, o teatro e a arte brasileira.

    O movimento gerou descontentamento do regime militar vigente à época, e os dois parceiros acabaram exilados. O exílio em Londres contribuiu para a influência do mundo pop na obra de Gil, que chegou a gravar um disco em Londres, com canções em português e inglês.

    Ao retornar ao Brasil, Gil deu continuidade a uma rica produção fonográfica, que dura até os dias atuais. São ao todo quase 60 discos e em torno de 4 milhões de cópias vendidas, tendo sido premiado com nove Grammy.

    Suas múltiplas atividades vêm sendo reconhecidas por várias nações, que já o nomearam, entre outros, Artista da Paz, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1999; embaixador da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO); além de condecorações e prêmios diversos, como a Légion d’ Honneur da França, a Sweden’s Polar Music Prize, entre outros.