Giovanna Antonelli sobre "Rio de Sangue": "Não tinha visto isso no Brasil"
Em entrevista à CNN, atriz destacou protagonismo feminino em nova obra nacional policial; Alice Wegmann e Felipe Simas integram elenco

Em "Rio de Sangue", o suspense policial ganha novos contornos ao unir ação, drama e protagonismo feminino em meio à grandiosidade da Amazônia. Em entrevista à CNN, os atores Giovanna Antonelli, Alice Wegmann e Felipe Simas falaram sobre as camadas do longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros na quinta-feira (16).
"Rio de Sangue" conta a história de Patrícia Trindade (Giovanna Antonelli), uma policial que, após comandar uma operação fracassada, é afastada da polícia e se vê sem o trabalho que sempre definiu sua vida. Jurada de morte pelo alto escalão do narcotráfico, ela, mesmo contra sua vontade, busca segurança e, quem sabe, a restauração da relação com a filha, Luiza (Alice Wegmann), bem longe de São Paulo, em Santarém, no Pará.
Logo após a mudança, Patrícia descobre que a filha — médica que atua junto a uma ONG que leva saúde para populações indígenas nos territórios do Alto Tapajós — está de saída para mais uma expedição. O que parecia ser mais uma ação rotineira e humanitária transforma-se em uma emboscada, e Luiza acaba sendo raptada por garimpeiros. Ao saber do rapto, com o relógio correndo e a vida de sua filha em jogo, Patrícia precisa de toda a sua coragem e experiência para resgatá-la.
Para Antonelli, o brilho da personagem está nas "falhas" e em como ela foge de um heroísmo tradicional. "Não tem glamour, não tem construção heroica. Eu gosto da Patrícia porque ela falha, perde o controle e, mesmo assim, precisa agir", afirmou. “O filme vai tirando tudo o que deixa confortável e vai ficando o humano. Os erros são humanos, as buscas são humanas. Eu gosto dessa apresentação por meio do erro."
O filme, dirigido por Gustavo Bonafé, se passa na Amazônia -- elemento que, para o elenco, ganha status de protagonista. “A floresta amazônica é grandiosa, a gente se sente pequeno diante daquela imensidão. Tem também o olhar do povo indígena narrando essa história, o que eu acho muito bonito”, disse Antonelli.
O filme também se destaca por trazer mulheres ao centro da narrativa. “Duas mulheres protagonizando um filme desse gênero eu ainda não tinha visto isso no Brasil. Isso me deu muito orgulho, de trazer esse feminino para um lugar que é nosso. Nós somos corajosas, somos sobreviventes”, completou.
A atriz Alice Wegmann, que interpreta uma médica envolvida em missões voluntárias em comunidades indígenas, destacou o impacto imediato do projeto. “Quando recebi o convite e soube que era um filme do Gustavo Bonafé rodado no Pará, eu falei: ‘Eu quero fazer’. Eu admiro muito o trabalho dele, sabia que ia dar bom”, contou.
Para Wegmann, a relação entre mãe e filha é um dos pilares emocionais da história. “Tem essa causa das duas, né? Uma policial, a outra médica, trabalhando em comunidades indígenas. Isso traz um quê especial. E foi a primeira vez que fiz uma médica, fiquei muito feliz”, disse.
A experiência de filmar na região Norte também marcou a atriz. “Foram dois meses no Pará, entre Santarém e outras regiões, com uma equipe incrível. Poder mergulhar no rio, viver aquele ambiente... foi um grande presente. E tirar a história do eixo Rio-São Paulo dá um tom ainda mais especial”, afirmou. “A Amazônia é a protagonista do nosso país, é o pulmão do mundo.”
Já Felipe Simas ressaltou o caráter intenso e universal da trama. “É um ‘trillerzão’, um suspense que prende a gente na cadeira. É uma perseguição que parece não ter fim -- e isso é um pouco como a vida”, avaliou.
Para o ator, o filme também reflete sobre o enfrentamento do mal e a importância da união. “Parece que sempre tem algo nos perseguindo, e como a gente combate isso? Na força, na união das pessoas. Essa mãe, essa filha e os povos indígenas representam muito isso.”
Assista ao trailer de "Rio de Sangue"


