"Imenso e grandioso": Guillermo del Toro detalha técnica em "Frankenstein"
Filme chega ao streaming nesta sexta-feira (7)
O premiado cineasta Guillermo del Toro, 61, promete uma das adaptações mais ambiciosas e viscerais já feitas de "Frankenstein". Em entrevista cedida com exclusividade à CNN, o diretor detalhou o processo artístico e técnico por trás do título, que entra para a lista de obras cotadas ao Oscar 2026. O filme chega à plataforma de streaming Netflix nesta sexta-feira (7).
Guillermo del Toro ressaltou que muitos trabalhos referentes à cenografia foram feitos de forma manual. Conhecido por rejeitar soluções puramente digitais, o cineasta também fez questão de construir cenários e objetos em escala real.
“Eu quis que o filme pusesse à prova as capacidades de cada departamento cinematográfico. Os sets são imensos, os objetos cênicos são grandiosos, e o figurino é complexo. Eu quis passar a imagem de um filme antigo, feito na era de ouro de Hollywood", disse ele.
“Uma coisa é certa neste filme: tudo foi criado, e grande parte foi feita à mão. Há marionetes reais, navios reais em movimento, sets reais, locações reais. Quisemos montar uma produção bonita, à moda antiga e em escala operística, feita por seres humanos. Uma verdadeira caravana de gente viajou horas a fio para encontrar o ambiente perfeito para uma cena."
Ele conta que um dos maiores desafios foi a criação do navio presente nas cenas iniciais. “Decidi não usar efeitos visuais no navio, pois queria um navio de verdade. E, quando a Criatura o movesse, eu queria que ela realmente o movesse. Por isso, montamos o navio em uma suspensão mecânica. Trabalhar com o navio foi uma façanha.”
Del Toro vê essa escolha como uma homenagem às produções clássicas e à própria autora da obra. “Outras produções de hoje montariam seis metros do navio e criariam o restante digitalmente, mas resolvemos transformar essa imagem em uma declaração de amor bem dramática. Quando se tem essa cena como a abertura, pronto, o espectador imerge no filme, sentindo o espírito de Mary Shelley.”
Essa filosofia também guiou o trabalho sobre a Criatura, desenvolvido em parceria com o designer Mike Hill. “Mike e eu somos fãs de Frankenstein. [Em casa,] eu tenho um cômodo dedicado a Frankenstein, e Mike cria itens que estão nesse meu quarto do Frankenstein. Somos fanáticos. Conhecemos cada cicatriz, cada fio de cabelo, cada ruguinha da Criatura.”
O visual do monstro, segundo o cineasta, combina horror e ternura. “Meu desejo é que ele fosse como uma estátua de mármore; eu queria que a cabeça fizesse as pessoas se lembrarem daqueles crânios de frenologia. Depois que Mike começou a esculpir, eu chegava e desenhava em cima da escultura.”
Del Toro explica que a origem da Criatura no novo longa carrega um subtexto de guerra e humanidade. “Considero a Criatura marcante porque a maquiagem precisa dizer ao espectador que ela é feita de pedaços de gente... Victor está trabalhando com um monte de cadáveres mutilados — foi por isso que eu quis trazer a guerra para o filme. Basicamente, a Criatura é um soldado ressuscitado que foi tirado de uma vala comum.”
Ainda assim, a monstruosidade vem acompanhada de emoção. “A maquiagem precisava refletir isso, mas com beleza. Ela precisava se sentir como um bebê, depois como um filósofo, como um ser humano. A evolução da Criatura é um dos pontos altos que Mary Shelley colocou no livro e que também está no filme. Vemos a Criatura evoluir até se tornar um homem.”
O filme é uma adaptação da clássica obra "Frankenstein" (1818). Segundo del Toro, ele revisita a trama para explorar o que significa ser humano e o que significa ser profundamente incompreendido como criador e criatura.
Oscar Isaac ("Duna") interpreta Victor Frankenstein, um cientista brilhante e perturbado que assume para si a missão egocêntrica de gerar uma nova forma de vida. Esse experimento dá origem à Criatura, vivida por Jacob Elordi ("Euphoria").
No longa, o público vai dos confins do Ártico aos sangrentos campos de batalha da Europa do século 19, enquanto Frankenstein e sua Criatura partem em busca de sentido em um mundo que parece enlouquecido. No elenco, também estão Mia Goth ("MaXXXine"), no papel da cândida Elizabeth, e Christoph Waltz ("Bastardos Inglórios").


