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    Inácia em “Renascer”, Edvana Carvalho fala sobre diversidade religiosa da trama

    À CNN, atriz analisou a importância de sua personagem seguir uma religião de matriz africana na novela

    Inácia (Edvalda Carvalho) segue uma religião de matriz africana em "Renascer"
    Inácia (Edvalda Carvalho) segue uma religião de matriz africana em "Renascer" Reprodução/Globoplay

    Aline Oliveirada CNN

    Edvana Carvalho, 55, interpreta Inácia no remake de “Renascer” (Globo), funcionária e grande amiga de José Inocêncio (Marcos Palmeira). Desde suas primeiras cenas na trama, a personagem encantou o público ao manifestar sua fé através das religiões de matrizes africanas.

    Em conversa com a CNN, a atriz compartilhou sua alegria de dar vida a um papel tão importante. “Eu acho que Inácia é a sabedoria brasileira. Ela é uma zeladora de Orixás”, opina.

    Como uma das mudanças realizadas pelo autor Bruno Luperi, o remake ganhou uma maior diversidade religiosa, o que proporcionou importantes diálogos entre uma candomblecista, um católico e um evangélico.

    “Temos que respeitar o próximo, mas, para respeitarmos, temos que conhecê-lo. Isso é o que estamos fazendo através desse texto maravilhoso do Benedito Ruy Barbosa, que o Bruno [Luperi] está trazendo com uma nova roupagem”, afirma Edvana.

    “O comprometimento é para que recortemos essa história de uma forma respeitável e que o brasileiro consiga ter muito orgulho de todas as origens“, ainda complementa. Para ela, abordar sobre esta temática no horário nobre estimula o debate sobre a diversidade em nosso país.

    “Conseguimos atingir muito mais pessoas! Acho que, o brasileiro, com toda sua miscigenação, é um povo muito rico, que traz sabedorias e trocas ancestrais de, pelo menos, três outros povos — que são os europeus, os africanos e os povos originários da América”, analisa Edvana Carvalho.

    “Isso deveria ser um fator de orgulho para todos os brasileiros”, ainda reforça, relembrando como a ancestralidade no Brasil foi apagada por conta da colonização e da escravização. “É na diversidade da gente que Deus existe“, diz.

    Repercussão nas redes sociais

    À CNN, Edvana ainda conta que recebe muito carinho de pessoas das mais diferentes religiões. “Tenho recebido muito afeto de todos, pessoas que me agradecem ao dizer ‘olha, nunca me foi passado dessa forma, mas a maneira que você transmite [sobre as religiões de matrizes africanas] é tão amorosa, que me faz querer entender mais, mesmo que eu seja evangélico'”, cita.

    Mais do que isso, a artista destaca como a fé é capaz de unir as pessoas. “Eu posso ir em um culto evangélico e compartilhar aquela coisa maravilhosa, como também posso me emocionar em uma missa católica. Assim como frequento o Candomblé e vou à Umbanda. Se é o mesmo Deus, como diz José Inocêncio, não importa onde você está louvando ele“.

    Cenas marcantes de Inácia

    Ainda nos meses iniciais da trama, Inácia foi responsável por inúmeras cenas que marcaram o público. No entanto, para Edvana Carvalho, três se destacam como as mais especiais.

    “Acho que a cena em que ela salva a vida de José Inocêncio, para mim, foi muito importante, porque naquele momento ela tinha deixado o Candomblé de lado”, relembra.

    No momento em questão — que ocorreu na primeira fase da novela — o protagonista interpretado, na ocasião, por Humberto Carrão chega gravemente ferido e Inácia, depois de tanto tempo afastada da religião, recorre aos seus ensinamentos para salvar a vida do protagonista. “Para mim, isso tem uma simbologia muito grande”, diz à CNN.

    Outro momento marcante para a atriz, foi a conversa entre sua personagem e pastor Lívio (Breno da Matta), em que Inácia conta um pouco sobre a ancestralidade de sua religião.

    “Aquela é uma conversa decisiva tanto para ela buscar novamente o Candomblé, como também para o pastor Lívio entender que a missão dele era exatamente igual a de Inácia: aceitar que está no comando de uma religião e ajudar os outros seres”, afirma.

    Por fim, Edvana ainda faz menção à cena de Inácia e padre Santo(Chico Dias), na qual conversam sobre a relação das religiões de matrizes africanas com a natureza.

    “É uma cena muito linda, porque ali ela [Inácia] explica, tira a demonização da religião, ao dizer que a essência das crenças de matrizes africanas é entender o ser humano como parte da natureza”, afirma. “Ele é parte de um ciclo de vida, morte e ressurreição, que tem tudo a ver com que o cristianismo prega também”, complementa.

    Devaneios da personagem

    De tanto negar sua fé, em determinado momento, Inácia começou a misturar lembranças do passado com acontecimentos do presente. Algo que fez com que o público questionasse se a personagem estava dando sinais de uma doença neurológica.

    “Eu também fiquei pensando ‘será que a Inácia vai ficar doente assim? Ela vai ter uma demência?’, mas depois eu percebi que ela não estava assumindo a espiritualidade, ela não queria essa conexão. Só que tem uma hora que você recebe esse chamado”, analisa a atriz.

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