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    J.K. Rowling desperta novas críticas por publicar comentários transfóbicos

    Em situação semelhante à de 2020, a autora da saga "Harry Potter" usou o Twitter para comentar uma notícia, questionando a identidade de gênero de pessoas trans

    J.K. Rowling, autora da saga 'Harry Potter'
    J.K. Rowling, autora da saga 'Harry Potter' Reuters

    Debora Sandercolaboração para a CNN

    A internet voltou a criticar J.K. Rowling por publicar no Twitter comentários ofensivos à comunidade trans. No último domingo (12), a autora da série de livros “Harry Potter” compartilhou um texto publicado no “The Times”, relatando as críticas que a polícia do país vem recebendo após divulgar que passariam a registrar os estupros cometidos por pessoas com genitais masculinos como crimes realizados por mulheres, caso a pessoa acusada se identifique desta forma.

    Comentando em tom sarcástico o artigo do jornal escocês, Rowling escreveu: “Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força. O indivíduo com pênis que estuprou você é uma mulher.”

    Desde então, a escritora tem recebido uma série de críticas na rede social. “Imagine inventar um personagem tão deplorável quanto a Profª Umbridge e então decidir ser ela para sempre”, comentou um usuário. “O amor é paz. Liberdade é aceitação. Compreensão é força. Mulheres trans não são um perigo para a sociedade. J.K Rowling adora alimentar o ódio contra um grupo de pessoas inocentes e lindas”, rebateu outro internauta.

    A medida que originou a polêmica, relatada pelo jornal “The Scottish Sun” na última semana, está relacionada a novas leis escocesas que buscam facilitar a identificação das pessoas com o gênero de sua escolha, simplificando os procedimentos de reconhecimento legal da nova identidade de gênero.

    Histórico de comentários transfóbicos

    Em junho de 2020, J.K. Rowling já havia sido criticada por uma situação semelhante. Na época, ela ironizou o título de um artigo da “Devex”, uma plataforma de desenvolvimento global comunitário, chamado “Criando um mundo mais igualitário pós-Covid-19 para pessoas que menstruam”.

    “‘Pessoas que menstruam’. Tenho certeza de que costumava haver uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajuda? Wumben? Wimpund? Woomud? “, escreveu Rowling, fazendo trocadilhos intencionais com a palavra woman (mulher, em inglês).

    Na ocasião, inúmeros fãs da saga Harry Potter se mostraram ofendidos com as manifestações da autora, destacando que a menstruação pode estar associada tanto a mulheres cisgênero quanto a homens transsexuais, já que a existência de útero e ciclo menstrual não está atrelada à identidade de gênero, e sim a características fisiológicas. Os atores Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint se juntaram ao coro, posicionando-se de forma crítica a Rowling.

    “Mulheres transgêneros são mulheres. Qualquer declaração em contrário apaga a identidade e a dignidade das pessoas trans e vai contra todos os conselhos dados por associações profissionais de saúde que têm muito mais conhecimento sobre esse assunto”, declarou Radcliffe.

    “As pessoas trans são o que dizem ser e merecem viver suas vidas sem serem constantemente questionadas ou informadas de que não são quem dizem ser”, argumentou Watson.

    Grint reforçou o posicionamento dos colegas: “Estou firmemente com a comunidade trans. Mulheres trans são mulheres. Homens trans são homens. Todos devemos ter o direito de viver com amor e sem julgamento”, escreveu.