Juiz anula julgamento de Harvey Weinstein por acusação de estupro
Ex-magnata do cinema também foi condenado por uma das acusações na quarta-feira (11); outra audiência está marcada para 2 de julho

O juiz que supervisiona o processo criminal de Harvey Weinstein, 73, em Manhattan, Estados Unidos, declarou a anulação do julgamento de uma acusação de estupro nesta quinta-feira (12), um dia após o ex-magnata do cinema de Hollywood ser condenado por uma outra acusação de abuso sexual.
Curtis Farber, da Suprema Corte do Estado, encerrou o julgamento depois de o presidente do júri se recusar a deliberar por um sexto dia, após vários dias de divergências entre os jurados que, às vezes, foram expressas na sala do tribunal.
Os promotores ainda planejam julgar Weinstein uma terceira vez sob a acusação de estupro em terceiro grau, por causa dos supostos maus-tratos à aspirante a atriz Jessica Mann, em 2013.
Na quarta-feira (11), os jurados deram um veredito misto sobre as outras duas acusações contra Weinstein. O ex-produtor da indústria foi condenado por ato sexual criminoso de primeiro grau por agressão à ex-assistente de produção Miriam Haley, em 2006, e o absolveram da mesma acusação por suposta agressão à aspirante a atriz Kaja Sokola, em 2002.
Farber disse que a acusação de estupro ainda sem resolução será levada a julgamento e marcou uma audiência para 2 de julho.
Weinstein, por sua vez, declarou-se inocente e negou qualquer agressão ou sexo não consensual.
Ele planeja recorrer de sua condenação, que prevê uma pena máxima de 25 anos de prisão. Arthur Aidala, advogado de Weinstein, disse a jornalistas do lado de fora do tribunal: "Temos evidências muito fortes de má conduta grosseira do júri nesse julgamento", incluindo o fato de que os jurados consideraram evidências externas sobre a conduta de Weinstein.
Para promotores de Manhattan, Weinstein usou seu poder e influência para prender e abusar de mulheres.
Os advogados de defesa argumentaram que as acusadoras de Weinstein mentiram por despeito, após seus encontros sexuais consensuais com ele não resultarem no estrelato em Hollywood.
Um júri diferente no tribunal de Manhattan considerou Weinstein culpado em 2020 por estuprar Mann e agredir sexualmente Haley, mas a mais alta corte do Estado de Nova York anulou a condenação de Weinstein e a sentença de 23 anos de prisão em 2024.
Weinstein está recorrendo de uma condenação separada por estupro em 2022 e sentença de 16 anos de prisão na Califórnia.
O veredito de quarta-feira foi uma vitória para o promotor distrital de Manhattan, Alvin Bragg, cujo escritório processou Weinstein. Bragg descartou a preocupação com a má conduta do júri, dizendo que as disputas entre os jurados refletem uma vigorosa troca de ideias.
Weinstein foi cofundador do estúdio Miramax, cujos filmes de sucesso incluíam vencedores do Oscar como "Shakespeare Apaixonado" e "Pulp Fiction".
Sua queda começou em 2017 e ajudou a desencadear o movimento #MeToo, que incentivou mulheres a externarem alegações de má conduta sexual por parte de homens poderosos.
Mais de 100 mulheres acusaram Weinstein de má conduta.


