Louvre: diamantes históricos podem estar entre joias roubadas; veja outras

Historiador Paulo Garcez Marins explica que valores das peças são inestimáveis e fazem parte da história do planeta

Felipe Carvalho, da CNN
Compartilhar matéria

O roubo das joias do Museu do Louvre, na França, assustou amantes da arte do mundo inteiro na manhã deste domingo (19). As informações exatas sobre as peças levadas do local ainda são muito inconsistentes, mas já se tem uma ideia do que pode ter sido roubado -- e todas elas têm valores inestimáveis.

Paulo Garcez Marins, historiador e diretor do Museu do Ipiranga de São Paulo, conhece bem essas joias. Ele disse à CNN que, provavelmente, houve a violação da Galerie d’Apollon e das vitrines onde estavam expostos vários itens das joias das sucessivas coroas da França. Entre os objetos levados estava a coroa de diamantes e pérolas da Imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, composta por 1.354 diamantes e 56 esmeraldas. A peça já foi recuperada com danos.

"Ela foi comprada pelo Louvre há alguns anos, quando foi dispersa a coleção privada da família Thurn e Taxis, onde essa diadema estava", diz. "Há também diamantes históricos da monarquia Bourbon, anteriores à Revolução Francesa — como o Régent, de 140 quilates, um dos diamantes mais célebres do mundo, o Sancy e o Hortênsia. Também há conjuntos de diamantes e safiras que pertenceram à rainha Dona Amélia e à condessa de Paris, que tem origem brasileira, uma neta da Princesa Isabel", destacou.

O historiador explicou que essas joias foram sendo recompradas pela França ao longo do tempo, após dispersões ocorridas tanto na Revolução Francesa quanto na queda de Napoleão III, quando as joias da Imperatriz Eugênia foram leiloadas.

"O que aconteceu hoje é muito triste. Trata-se de um esforço de décadas do Louvre para reunir novamente objetos que fazem parte da história da França. Além do valor histórico, são obras-primas feitas pelos maiores joalheiros da França. Ainda não sabemos a escala completa do problema, mas qualquer que tenha sido a perda, é realmente muito triste."

Marins compara o assalto sofrido neste domingo ao roubo ocorrido em 2019 em Dresden, na Alemanha, quando também foram saqueadas joias cravejadas de diamantes pertencentes à antiga monarquia da Saxônia — e que nunca foram recuperadas.

O diretor do Museu do Ipiranga ainda lembrou que o Louvre já passou por outros roubos, como a obra Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci, que foi levada e, posteriormente, recuperada com alguns danos. Ele também destacou o furto de objetos de menor valor, como peças de armaduras.

"Quase todos os grandes museus europeus já enfrentaram situações assim, o que gera um esforço contínuo de aprimoramento dos sistemas de segurança, hoje altamente tecnológicos. Mas exibir obras sempre traz riscos. E quem rouba esse tipo de peça sabe que nunca poderá exibi-la publicamente. São obras tão conhecidas que é impossível revendê-las sem ser identificado. É um tráfico ilícito e quem recepta esse tipo de arte se torna parte de um crime e carrega algo que jamais poderá mostrar, pois essas peças são imediatamente reconhecíveis."

Acompanhe Entretenimento nas Redes Sociais