Mansão de "Scarface" volta aos holofotes e entra no radar de milionários
À venda por valor bilionário, mansão histórica que já serviu como refúgio presidencial e cenário de Scarface reúne luxo extremo, privacidade e negociação restrita a poucos compradores; veja quanto custa

Uma das propriedades mais icônicas dos Estados Unidos voltou a chamar a atenção do mercado imobiliário de luxo. Localizada em Key Biscayne, a mansão que marcou época tanto na política quanto no cinema agora está entre os ativos mais exclusivos disponíveis.
O imóvel ficou conhecido inicialmente por seu papel na história americana. Em 1969, foi adquirido pelo então presidente Richard Nixon e passou a funcionar como uma espécie de “Casa Branca de Inverno”, recebendo autoridades e líderes internacionais em encontros estratégicos. À época, a estrutura incluía até um heliponto oficial, utilizado para deslocamentos presidenciais.
Décadas depois, a residência ganhou um novo tipo de projeção — só que, desta vez, nas telas. A mansão serviu como locação para o clássico "Scarface" (1983), estrelado por Al Pacino, representando a casa do personagem Frank Lopez. Elementos originais do imóvel seguem preservados, incluindo o icônico elevador de vidro que aparece em cenas marcantes ao lado de Michelle Pfeiffer. A propriedade também integrou produções como a série Miami Vice.
Luxo, marina e estrutura fora do padrão
Além da relevância histórica e cinematográfica, a mansão impressiona pela infraestrutura. O antigo heliponto presidencial deu lugar a uma marina privada com capacidade para grandes embarcações, incluindo iates de até 200 pés — um diferencial raro mesmo entre imóveis de alto padrão.
Com ampla frente para a Baía de Biscayne, a propriedade oferece vista aberta para o mar, sem interferências visuais comuns em regiões movimentadas. Outro ponto que chama atenção é a área submersa incluída na escritura, permitindo expansões náuticas futuras.
A capacidade para receber grandes eventos também se destaca: o espaço comporta cerca de 100 veículos, algo incomum para residências à beira-mar, especialmente em regiões valorizadas como o sul da Flórida.
Negociação discreta e voltada a poucos
De acordo com as informações do "New York Post", a propriedade foi colocada à venda por um valor recorde de US$ 237 milhões (o equivalente a mais de R$ 1 bilhão na cotação atual).
Apesar de todo o apelo, o imóvel não está disponível em plataformas tradicionais de venda. Segundo o especialista em imóveis de luxo Daniel Dourado, esse tipo de propriedade segue uma lógica própria de mercado.
“Esse tipo de imóvel entra no que chamamos de off-market, private listing ou até mesmo trophy asset, que são propriedades extremamente exclusivas e que não fazem sentido estar expostas de forma tradicional no mercado”, explica o profissional.
“Estamos falando de imóveis onde o proprietário não quer milhões de curiosos acompanhando a negociação, mas sim um grupo muito seleto de compradores realmente qualificados e com potencial real de fechamento”, destaca Daniel.
De acordo com o corretor, fatores como segurança e discrição também pesam nesse tipo de operação. “Além disso, existe uma questão muito forte de segurança e privacidade. Muitas vezes, são endereços extremamente sensíveis, pertencentes a bilionários, figuras públicas ou propriedades icônicas que carregam valor histórico, político ou até cinematográfico. A exposição excessiva simplesmente não faz sentido nesses casos”, afirma.
Outro ponto determinante está na forma como esses ativos são posicionados no mercado. "Quando um imóvel entra no MLS, ele passa a ser comparado diretamente com outros ativos, e isso pode prejudicar o storytelling da venda. Nesse nível, não se vende apenas metragem ou localização, vende-se narrativa, exclusividade e posicionamento patrimonial", completa.


