MC Lan lança álbum "V3NOM", onde se encontra com o rock e mata ego
À CNN, o cantor conta detalhes do processo criativo do disco que traz sua parte "mais crua e instintiva" após anos mergulhado no funk

O cantor MC Lan, 31, apresenta, nesta sexta-feira (21), seu primeiro disco de rock experimental. Após anos mergulhado no funk, o artista explora agora um novo conceito ambicioso, batizado de "V3NOM". À CNN, o músico conta o que o motivou a emplacar um projeto que resgata sua própria conexão com o rock, o metal e a estética dos anos 50, 60 e 70.
"O V3NOM representa aquilo que sempre esteve dentro de mim de alguma forma, que estava guardado no meu coração, na minha alma e eu não conseguia externalizar. Foi um processo meio maçante de se concluir, de se fazer, porque é a parte mais crua, mais instintiva da minha vida", comenta.
O primeiro capítulo chega ao público intitulado de "Eclipse", que, segundo Lan, faz completa referência à própria trajetória. "É nesse momento em que a sombra encontra a luz e aparece para o mundo como símbolo de transição. Eu passei anos fora da carreira tentando entender como é que eu iria praticar e exercer minha arte, porque eu estava perdido, para falar a verdade", confessa.
"Acho que depois de tanto tempo de uma carreira produtiva, chega uma hora que você começa a se perder para se encontrar de novo. Você não sabe mais qual é o seu caminho, de fato. Eu sempre tive uma carreira muito forte no funk, mas desde criança eu sempre fui ligado ao rock", recorda.
Explorando temas humanos e existenciais, abordando sentimentos, propósito, vidas passadas, o cantor diz ainda que a produção não foi pensada para agradar, mas para ser fiel à sua essência, aos gostos musicais particulares.
"É literalmente eu matando meu ego para renascer ou para me encontrar. Então, literalmente ele simboliza a morte simbólica de Michel Ângelo, mas não a morte simbólica, não a morte para o funk, mas eu acho que o antigo dando espaço para novo. Eu continuo sendo do funk. O V3NOM tem umas pinceladas do funk para mostrar que eu não nego minhas raízes, não nego a minha história", continua.

V3NOM recorda traumas e vulnerabilidades
Questionado sobre os maiores desafios que o processo criativo do álbum trouxe, Lan diz que relembrar histórias pesadas do passado não foi um caminho tão fácil assim. "Lembrei o perdão que, às vezes, não pedi para a minha esposa, mas que peço na música. As coisas que talvez não falei para minha família, para os meus amigos, eu falo no disco. O V3NOM passa por essa terapia, acho que não senti em clínica nenhuma o que eu senti fazendo esse disco", reflete.
"O álbum acontece em um momento e que eu estava me subestimando por causa do funk. Essa é a parte mais bonita, porque fez com que eu me conectasse ainda mais com a espiritualidade. Foi a época que mais conversei com Ogum e Iansã e isso serviu muito como uma espécie de autoconhecimento de mim mesmo", adiciona.
A grandiosidade do projeto também se reflete também nas colaborações. O álbum conta com participações e produções de nomes de peso da cena internacional, como John Dolmayan (System of a Down), Ra Diaz (KoRn), Bladee (Suécia), Pink Siifu (EUA) e Twisco (produtor e compositor de “Timeless”, de The Weeknd), além da presença de Criolo, uma das principais referências da cena do rap nacional, a quem Lan se identifica principalmente pelo propósito de vida.
"O nosso propósito de vida é mostrar nossa arte e poder ajudar as pessoas de alguma forma. Nós queremos ajudar novas almas que precisam de algum alento, de algum sentimento bom. É muito importante para mim ter pessoas como Criolo. Acho que ele é o tipo de pessoa que, daqui alguns anos, a gente vai olhar da mesma maneira que olhamos para o Milton Nascimento, para o Gilberto Gil", garante.
Ancestralidade, alquimia, misticismo e espiritualidade
Ao longo das faixas, o artista também não abriu mão de explorar temas mais densos, como ancestralidade, alquimia, misticismo e espiritualidade.
"Sou só uma alma que está tentando aprender, se entender e acho que quando a gente passa por esse processo e compreende o nosso destino na Terra, acho que a gente acaba inevitavelmente entendendo sobre o universo, sobre energias, sobre todos os polos que existem. Acredito que esse é o grande intuito, se aproximar cada vez mais do nosso destino", conclui.


