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"Meu Ídolo": atores discutem relação entre fãs e Idols em entrevista à CNN

"Ser fã não se resume a ver o lado da estrela que ela escolhe mostrar", diz Choi Soo Young sobre a conexão explorada em novo K-drama

Ana Julia Bertolaccini e Isabela Gadelha, da CNN Brasil, em São Paulo
Choi Soo Young e Kim Jae Yeong no K-drama "Meu ídolo"  • Divulgação
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O drama sul-coreano "Meu Ídolo", disponível na plataforma Viki, estreou no Brasil no dia 22 de dezembro e conta a história de Maeng Se Na, interpretada por Choi Soo Young, uma advogada prestigiada e conhecida por assumir casos criminais complicados. Na trama, ela aceita defender Do La Ik (Kim Jae Young), o vocalista principal do grupo de idols de que ela é fã há 10 anos, acusado de assassinato. A CNN conversou com os atores sobre a produção, que explora a linha tênue entre a postura profissional e a vida de fã.

"Acho que ser fã não se resume a ver o lado da estrela que ela escolhe mostrar. Trata-se de observar todas as ações dessa pessoa ao longo de um longo período", disse a protagonista Choi Soo Young, que também é integrante do Girls' Generation, grupo de K-pop que estreou em 2007.

Na história, Se Na tenta provar a inocência de Do La Ik e passa a conhecer um outro lado do seu cantor favorito. Ao mesmo tempo, os dois se aproximam emocionalmente, gerando conflitos entre sua vida pessoal e seu papel como advogada. Mesmo assim, Se Na mostra que é possível separar as duas coisas. "Seus sentimentos por La Ik não eram uma devoção cega de fã", comentou a atriz.

Ao contrário de muitas produções — em que a pessoa se apaixona por alguém que lhe é indiferente  — em "Meu ídolo", Do La Ik desenvolve sentimentos por uma fã incondicional, sem saber dessa condição.

"Se Na é uma fã dedicada, mas, a princípio, esse fato não é revelado a Do La Ik. Então, em vez de focar no ponto de partida ou na estrutura do relacionamento serem particularmente diferentes, concentrei-me mais em como os dois reagiriam e continuariam seu relacionamento depois que a verdade viesse à tona.", revelou Kim Jae Young.

Em entrevista à CNN, os atores falaram sobre a conexão entre fãs e ídolos e os estereótipos acerca dessa relação. Eles destacaram como a história mostra o lado humano dos artistas e como os fãs podem perceber suas emoções, vulnerabilidades e crescimento ao longo do tempo.

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Confira a entrevista completa:

Muitas vezes, espera-se que os ídolos sejam modelos a seguir, e até mesmo pequenos erros podem ter consequências graves. No caso dele, a acusação é muito mais séria. Como essa situação o afeta?

Kim Jaeyeong: Ele é acusado de assassinato – especialmente pela morte de seu amigo mais próximo. Acima de tudo, a dor de perder a pessoa em quem mais confiava e de quem mais dependia deve ter sido avassaladora, e ser rotulado como suspeito deve ter parecido surreal. Eu vi isso como uma situação incrivelmente cruel, onde o desejo de descobrir a verdade e o colapso de sua vontade de continuar o atingiram simultaneamente.

Como você descreveria Do La Ik como pessoa, além de sua imagem de ídolo? O que você acha que o define em sua essência?

Kim Jaeyeong: Senti que Do La Ik é uma pessoa genuinamente inofensiva, quase infantil. Quando encontra algo que ama, permite-se ser abertamente feliz, e quando está passando por dificuldades, não tenta esconder – deixa-se sentir a dor. Na Coreia, às vezes descrevemos alguém tão puro como “uma tela em branco”, e senti que essa expressão o descrevia perfeitamente. Por isso, ele é um personagem que precisa, mais do que tudo, de pelo menos uma pessoa que realmente acredite nele.

Ao se preparar para interpretar esse personagem, houve algum momento ou cena específica que te ajudou a entender o peso que Do La Ik carrega?

Kim Jaeyeong: Em vez de se limitar a uma única cena, o passado e a história de Do La Ik se desenvolvem gradualmente a cada episódio. Isso tornou difícil escolher apenas um momento, e espero que os espectadores acompanhem como ele continua a mudar ao longo da série.

Espero que você nunca tenha passado por uma situação como a de Do La Ik. Mesmo assim, houve algum aspecto da jornada emocional dele com o qual você se identificou?

Kim Jaeyeong: Houve uma época em que me senti em uma fase ruim, e naquela época eu pensava que não podia contar com a ajuda de ninguém. Eventualmente, percebi que superar isso era uma luta comigo mesmo. Foi realmente solitário e isolador, mas mudando minha mentalidade, consegui superar aos poucos. Embora minha situação seja diferente da de Do La Ik, a sensação de pensar que você não pode confiar em ninguém era semelhante.

Se Na é uma advogada que entende o sistema e acredita que todo acusado merece uma defesa. Como fã, ela passou dez anos vendo Do La Ik como uma boa pessoa. Quando aceita o caso dele, ela realmente acredita em sua inocência? E se acreditasse em sua culpa, ainda assim escolheria defendê-lo?

Choi Soo Young: Desde o início, ela nunca considerou a possibilidade de que ele pudesse ser culpado. Não porque tivesse certeza absoluta e lúcida, mas porque Se Na carrega a dolorosa lembrança de não ter conseguido confiar plenamente em seu pai no passado – e porque houve um momento em sua infância em que La Ik a consolou. Para ela, a escolha parecia menos sobre confiar na lei e mais sobre decidir confiar em uma pessoa.

Assim como a casa de Se Na, que é cercada por muros, acho que seu coração também tinha uma barreira clara ao redor. Para Se Na, que viveu com a mentalidade de que a verdade é determinada no tribunal e que um advogado simplesmente cumpre o papel que lhe é atribuído, este caso se torna um grande catalisador para crescimento e mudança.

Seus sentimentos por La Ik não eram devoção cega de fã. Em vez disso, depois de perder sua família da maneira como perdeu, quando recebeu outra chance de proteger alguém precioso para ela, pareceu mais uma firme resolução – de não desistir desta vez e acreditar nele até o fim.

Além de sua paixão de fã, qual você acredita ser a principal motivação profissional de Se Na para aceitar este caso? Como você encontrou o equilíbrio entre sua postura de advogada perspicaz e seu lado fã?

Choi Soo Young: Acho que o momento em que Se Na encontra um equilíbrio entre seu papel como advogada e seus sentimentos como fã acontece nos episódios 3 e 4 – quando Hye Ju aparece e Se Na percebe que o momento de maior felicidade que sentiu foi quando simplesmente observava La Ik de longe. Mesmo morando juntos, ela opta por manter uma certa distância, tanto no relacionamento quanto no caso, desejando genuinamente que ele seja feliz como pessoa, enquanto continua trabalhando no caso ao lado dele. A partir dos episódios 3 e 4, acredito que ela realmente se esforça para enxergar La Ik puramente como seu cliente.

Existe um estereótipo comum e depreciativo sobre os fãs, retratando-os como histéricos, delirantes ou incapazes de raciocínio lógico. Sua personagem é uma advogada que também é uma fã devota, mas esconde essa parte de si de todos. Como você acha que esse estereótipo impacta a vida dela? Por que ela precisa esconder essa parte de si para ser respeitada pelos colegas de trabalho?

Choi Soo Young: Tendo vivido a vida sendo chamada de "filha do assassino", acredito que Se Na entende melhor do que ninguém o que significa se posicionar contra o preconceito do mundo. Por isso, mesmo que não fosse fã de idols, provavelmente não teria desejado revelar facilmente outras partes de sua vida privada. O mundo em que Se Na cresceu — e as feridas que sofreu nele — a levaram a escolher o distanciamento emocional, e acredito que essa escolha lhe pareceu a mais confortável e segura. Em um espaço onde não precisava se explicar para os outros, viver escolhendo suas próprias pequenas alegrias pessoais era provavelmente a maneira mais feliz de Se Na viver.

Sendo alguém que é tanto uma idol de sucesso quanto uma atriz, como foi assumir o papel de fã? Você se inspirou em seus próprios fãs de alguma forma, ou existem artistas que você admira e que te ajudaram a se conectar com a sua própria experiência de fã?

Choi Soo Young: Sim, os momentos que compartilhei com os fãs foram de grande ajuda para minha atuação. Desde o jeito como os fãs olham para você, até as palavras carinhosas em suas cartas, passando pelo cuidado e preocupação que expressam – às vezes, sinto até que os fãs me entendem melhor do que pessoas que conheço e com quem converso há muito tempo. Essas experiências se tornaram uma base importante para retratar a jornada emocional de Se Na, desde a dúvida inicial em relação a La Ik até a crença gradual nele.

Acho que ser fã não se resume a ver o lado da estrela que ela escolhe mostrar. Trata-se de observar todas as ações dessa pessoa ao longo de um longo período. Quando você faz isso, naturalmente começa a perceber em que estado emocional o artista se encontra e qual mentalidade ele traz para seu trabalho.

Quando penso em artistas que admiro pessoalmente, percebo que não estou apenas assistindo às suas performances – me pego antecipando também o crescimento e as mudanças internas por trás delas. Esses tipos de imaginação e experiências me ajudaram muito a entender e expressar as emoções de Se Na

Na maioria das histórias desse tipo, a pessoa famosa se apaixona por alguém que lhe é indiferente. Aqui, Se Na é sua fã incondicional. Como você acha que isso altera a dinâmica de poder e a base do relacionamento deles?

Choi Soo Young: Achei que o fato de o caso começar com La Ik sem saber que Se Na é sua fã foi um ponto de partida muito intrigante. La Ik é um personagem que tem medo de mostrar seu verdadeiro eu, mesmo para as pessoas que o amam, então, ironicamente, é justamente por não saber que Se Na é sua fã que ele consegue revelar quem realmente é, exatamente como é.

No entanto, depois que ele passa a confiar profundamente em Se Na, descobre que ela estava escondendo o fato de ser sua fã, e La Ik sente uma forte sensação de traição. Isso se torna outro ponto de virada importante no relacionamento deles. Senti que essa situação vai além de uma simples mudança na dinâmica entre eles – leva ao crescimento e à transformação de cada personagem também. Isso fez com que a história parecesse mais complexa e, como ator, foi um elemento muito divertido e fascinante de explorar.

Kim Jae Yeong: Se Na é uma fã dedicada, mas, a princípio, esse fato não é revelado a Do La Ik. Então, em vez de focar no ponto de partida ou na estrutura do relacionamento serem particularmente diferentes, concentrei-me mais em como os dois reagiriam e continuariam seu relacionamento depois que a verdade — que um é uma estrela e o outro um fã — viesse à tona. Ao mesmo tempo, achei emocionante e divertido observar Se Na tentando esconder o fato de ser uma fã tão apaixonada.

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