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    Michael Lang, um dos criadores do festival de Woodstock, morre aos 77 anos

    Empresário americano foi um dos quatro organizadores do evento histórico de 1969, que reuniu quase meio milhão de pessoas para assistir Jimi Hendrix, Janis Joplin, The Who e outros

    Promotor de show, produtor e gerente artístico Michael Lang, em 1969, em Woodstock, Nova York.
    Promotor de show, produtor e gerente artístico Michael Lang, em 1969, em Woodstock, Nova York. Foto: Ginny Winn/Michael Ochs Archives/Getty Images

    Léo Lopesda CNN

    em São Paulo

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    O empresário e promotor de eventos americano Michael Lang morreu, neste sábado (8), aos 77 anos.

    Lang foi um dos idealizadores e organizadores do festival de Woodstock – cuja primeira edição, em 1969, entrou para a história como um dos maiores festivais de música já feitos.

    O representante do empresário, Michael Pagnotta, informou à CNN Brasil que Lang morreu no Hospital Sloan Kettering, em Nova York, vítima de uma forma rara de linfoma não Hodgkin (LNH), um câncer no sistema linfático.

    Pagnotta também publicou no Twitter uma foto com Lang, de quem era amigo de longa data.

    Michael Lang deixa sua esposa Tamara, seus filhos Harry e Laszlo e suas filhas LariAnn, Shala e Molly.

    Cocriador do Woodstock

    Nascido em uma família judia no bairro do Brooklyn, em Nova York. Em 1967, o jovem Michael Lang, “que gostava de fumar um baseado e ouvir jazz” (como ele mesmo se descreve em seu livro “The Road to Woodstock”), largou a faculdade e se mudou para Miami.

    No estado da Flórida, Lang abriu uma “head shop” – loja que vende produtos para o fumo. Em 1968, após promover uma série de shows pela região, ele organizou junto com outro produtor de eventos, Artie Kornfeld, o Miami Pop Festival.

    O evento reuniu 25 mil pessoas já no primeiro dia para assistir artistas como Jimi Hendrix e Frank Zappa, e serviu de ensaio para o festival que Lang organizaria no ano seguinte.

    Em 1969, Lang se muda para a vila de Woodstock, em Nova York. Ele e Kornfeld, seu parceiro do Miami Pop Festival, acabaram se juntando aos empresários John Roberts e Joel Rosenman e abriram a empresa “Woodstock Ventures”.

    Naquele mesmo ano, os quatro idealizaram um festival que ocuparia os campos verdes da propriedade do fazendeiro nova-iorquino Max Yasgur.

    A “Feira de Música e Arte de Woodstock”, que entrou para a história como o festival de Woodstock, estava prevista para acontecer entre a sexta-feira, 15 de agosto de 1969, e domingo, dia 17.

    Na quarta-feira, dia 13, os organizadores estimam que cerca de 60 mil pessoas já estavam na fazenda com acampamento armado. Quando chegou o dia do festival, as estradas que levavam ao local estavam tão cheias de carros que os artistas tiveram que ser levados de helicóptero.

    Mais de 100 mil ingressos foram vendidos antecipadamente, mas eles logo se tornaram inúteis já que as pessoas invadiram em multidões a fazenda. A estimativa é de que quase 500 mil pessoas participaram daqueles dias de celebração da música.

    O line-up do festival contou com algumas estrelas da época como Richie Havens, Santana, Janis Joplin, The Who. O encerramento aconteceu somente na manhã da segunda-feira, dia 18 de agosto de 1969, por conta dos atrasos provocados pela chuva.

    O lendário guitarrista Jimi Hendrix subiu ao palco por volta das 9 horas da manhã e tocou 16 músicas para cerca de 40 mil pessoas que ainda estavam na fazenda.

    O evento também teve episódios traumáticos. Banheiros lotados, falta de comida e água e atendimento hospitalar improvisado formavam o cenário. Eram aproximadamente 20 leitos para cerca de 3 mil emergências médicas relatadas.

    Pelo menos três pessoas morreram durante o Woodstock. Pelo menos 400 acidentes envolvendo drogas lisérgicas, além de torções de tornozelo por causa da lama e cortes no pés foram relatados.

    Dois bebês nasceram no festival – um deles em um carro preso no trânsito para chegar na fazenda.

    Como resumiu uma reportagem especial da CNN no aniversário de 50 anos do festival, “foram três dias de paz e amor, música, sexo, drogas e rock and roll. Os dias foram assolados por chuva e caos, e deveria ter sido um desastre humanitário épico, mas havia conexão humana suficiente para influenciar gerações inteiras”.

    Michael Lang tinha apenas 24 anos naquele momento em que negociava com os agentes de alguns das principais estrelas do rock, contratava as equipes de segurança ou, como chamavam, de “manutenção da paz”, organizava as equipes voluntárias e apaziguava os ânimos dos Yippies, grupo americano revolucionário de contracultura.

    “Isso é o que mais significa para mim – a conexão sentida por todos nós que trabalhamos no festival, todos aqueles que vieram para ele , e os milhões que não puderam estar lá, mas foram tocados por isso”, disse Lang na época.

    Relembre imagens do festival de Woodstock, de 1969

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