"Michael": o que é real e o que é ficção na cinebiografia?

Sucesso de bilheteria levantou questões sobre a vida pessoal e profissional da estrela do pop

Giovana Christ, da CNN Brasil
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Com o sucesso da cinebiografia "Michael", aspectos da vida privada e profissional da estrela do pop Michael Jackson (1958-2009) vieram à tona e se tornaram motivo de dúvidas sobre a veracidade da história contada na produção.

A primeira parte do filme acompanha a trajetória do artista desde a infância no The Jackson 5 até o início da carreira solo, dando destaque para a relação do cantor com os pais e irmãos antes do sucesso estrondoso. Veja algumas curiosidades abaixo.

Relação com o pai

No filme, Joe Jackson é retratado como uma pessoa difícil de lidar, que fazia questão de disciplinar os filhos — com cenas dele espancando Michael enquanto reunia os integrantes do The Jackson 5.

Em 1993, o astro confirmou que o pai batia nele em uma entrevista com a apresentadora Oprah Winfrey. "Só o olhar dele já dava medo. Houve vezes em que ele vinha me ver e eu ficava enjoado. Começava a vomitar", disse na época.

Em entrevista posterior ao jornalista Louis Theroux, Joe Jackson disse que o chicoteava com uma vara e um cinto, negando que o espancava porque só se "bate em alguém com um pedaço de pau", segundo ele.

Sobre não ser chamado de pai pelos filhos, ele se defendeu dizendo que eram muitas crianças e que não se importava com o modo em que o abordavam.

No documentário "Living with Michael Jackson", de 2003, Michael afirmou que perdoou Joe por tudo, mas admitiu que o abuso sofrido influenciou a maneira como ele encarou a paternidade.

“Até hoje, não encosto um dedo nos meus filhos. Não quero que eles jamais se sintam assim em relação a mim”, disse ele. “Ele não nos deixava chamá-lo de papai, e eu queria muito chamá-lo de papai. Ele dizia: 'Eu não sou papai, sou Joseph para vocês'.”

Animais de estimação exóticos

Era de conhecimento público que Michael era um grande amante dos animais — inclusive os exóticos, que se tornaram seus pets em alguns momentos da vida.

Não há evidências de que Jackson tenha realmente possuído uma girafa até 1986, como retratado na cinebiografia, mas elas eram vistas em seu rancho, Neverland, na Califórnia, que foi sua casa e parque temático de 1988 a 2005.

Enquanto morava com seus pais, até os 29 anos, ele já era responsável por gatos, cachorros, pássaros e cobras.

Além das gigantes, o cantor teve um chimpanzé de estimação, Bubbles. É sabido que o animal está vivendo a velhice com conforto e segurança em um santuário no Texas, Estados Unidos.

Michael Jackson também teve dois tigres, Thriller e Sabu, e uma lhama.

Gangues no clipe de "Beat It"

Assim como retratado em "Michael", o cantor realmente reuniu gangues rivais para o projeto audiovisual em que liga a televisão e vê reportagens sobre o aumento da violência entre grupos como os Crips e os Bloods, formados em Los Angeles.

Jackson contou com o apoio do Departamento de Polícia da cidade para manter a paz na presença de 80 membros das gangues em um galpão para aparecerem no fundo do clipe de "Beat It".

Em entrevista à revista Boards, o diretor do vídeo, Bob Giraldi, contou que a ideia de reunir essas pessoas foi do próprio cantor.

"Ele saiu e conseguiu convencê-los, acho que por meio da equipe de combate a gangues do Departamento de Polícia de Los Angeles, de que, com presença policial suficiente, seria uma atitude inteligente e caridosa: fazer com que se dessem bem e passassem dois dias juntos gravando o vídeo", disse.

Estreia solo de Michael

A cinebiografia não mostra que o primeiro álbum da carreira solo do cantor foi "Got To Be There", lançado em 1972, seguido por outros dois projetos em 1973 e 1975.

O roteiro do filme faz um salto para 1977 e mostra Michael ansioso para gravar músicas sozinho e com medo de pedir ao pai para dar esse passo sozinho. Na produção, Joe concorda, contanto que as gravações acontecessem à noite, para não interferirem no trabalho de Michael com seus irmãos.

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