"Natal Amargo" é luta intensa entre ficção e realidade, diz Leo Sbraglia

Novo filme espanhol de Pedro Almodóvar estreia nesta quinta-feira (28) nos cinemas

Nicoly Bastos, da CNN Brasil
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“Natal Amargo”, novo trabalho espanhol dirigido pelo renomado cineasta Pedro Almodóvar ("A Pele Que Habito"), é “uma luta intensa entre ficção e realidade”, descreveu o ator Leonardo Sbaraglia, parte do elenco, em entrevista cedida com exclusividade à CNN. O filme estreia nos cinemas nesta quinta-feira (28) e esteve em competição no Festival de Cannes.

Sbaraglia falou sobre os desafios de interpretar Raúl, personagem que classificou como um alter ego dentro de uma trama marcada pela autoficção e pela complexidade emocional.

 

Segundo o astro, o convite para voltar a trabalhar com Almodóvar, com quem teve contato em "Dor e Glória" (2019), foi o primeiro grande atrativo do projeto. Ele descreveu o reencontro como um “presente”, embora tenha destacado que “Natal Amargo” exigiu um envolvimento ainda mais intenso.

“Ao contrário do filme anterior, esse era um trabalho muito mais exigente, com muito mais responsabilidade”, afirmou.

O ator contou que a construção de Raúl foi especialmente desafiadora porque o personagem não se revela de maneira explícita ao longo da narrativa. Para ele, grande parte do trabalho esteve em descobrir emoções escondidas em pequenos detalhes e silêncios.

“A personagem teve que ser descoberta, e a responsabilidade de encontrá-la foi muito maior porque, sendo um alter ego, uma personagem que também não era muito bem definida conceitualmente, não há cenas em que o que ele está passando seja de fato visto ou expresso”, explicou.

Sbaraglia também destacou o método rigoroso de direção de Almodóvar, a quem comparou a um “cirurgião” na condução dos atores. Segundo ele, o cineasta busca precisão absoluta nas interpretações, o que torna o processo ao mesmo tempo técnico e emocional.

“Você tem que encontrar a conexão orgânica dentro desse tipo de precisão. Encontrar o que ele quer, que é algo tão concreto, e ao mesmo tempo dar vida a algo tão preciso”, disse.

Ao comentar as diferenças entre trabalhar novamente com o diretor espanhol, o ator afirmou que desta vez precisou buscar um retrato “menos lisonjeiro” e mais elusivo do personagem. “Com Raúl, tivemos que encontrar, como diz Pedro, um retrato diferente”, relatou.

Para Sbaraglia, atuar em um filme de Almodóvar significa mergulhar completamente no universo criativo do diretor. O ator comparou a experiência ao trabalho de cineastas com identidade visual e narrativa muito próprias, como Wes Anderson ("O Grande Hotel Budapeste").

“É como se você tivesse que se transformar, tivesse que levar todo o seu ser e toda a sua presença para um lugar que pertence a outra pessoa”, afirmou.

Sbaraglia resumiu o longa em torno da relação entre realidade e invenção. Segundo ele, o filme funciona como uma reflexão sobre a autoficção — conceito que, inclusive, vem sendo utilizado em alguns países para divulgar a produção.

“Acho que o filme é uma luta intensa entre ficção e realidade. É uma reflexão sobre a autoficção”, declarou o ator. “A primeira coisa que Pedro Almodóvar me disse foi: ‘Isto é autoficção; vou usar a mim mesmo para falar sobre algo que não é a minha vida, mas que se assemelha a ela.’”

A sinopse oficial do filme traz "uma diretora de publicidade cuja mãe morre durante um feriado prolongado de dezembro. Ela encontra refúgio no trabalho, embora este seja mais uma rota de fuga. Trabalha sem parar e, sem perceber, não se dá o tempo necessário para lamentar a ausência da mãe. Até que um ataque de pânico a obriga a parar e impor uma pausa."

O elenco também é composto por Barbara Lennie, Aitana Sánchez-Gijón, Victoria Luengo, Patrick Criado, Milena Smit e Quim Gutiérrez.

Assista ao trailer de "Natal Amargo"

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