Pedro Bial sobre biografia de Isabel do Vôlei: "Voltei na minha história"
À CNN, o apresentador e jornalista revela como recebeu o convite dos filhos da atleta

À CNN, o apresentador e jornalista Pedro Bial, 67, contou como foi receber o convite para escrever "Isabel do vôlei da vida: A Onda mais alta de Ipanema", sobre Isabel Salgado, lenda do vôlei feminino e pioneira ao transformar o vôlei de praia em esporte profissional no Brasil e mundo.
Segundo ele, o pedido veio por meio dos cinco filhos da atleta que morreu em 2022, em decorrência de uma pneumonia bacteriana. "Isabel, entre todos os títulos, musa da democracia, do vôlei, pioneira em tantos aspectos da emancipação feminina, talvez aquele que ela mais se orgulhasse, era o de mãe. A maternidade era algo central", comentou.
"Diante desse golpe terrível, os filhos falaram que os netos precisavam saber quem era aquela avó, e me pediram para escrever a história. A rigor eu não podia aceitar, porque eu já faço coisa demais, mas eu também não podia recusar, não só pelo pedido, mas pelo meu desejo em percorrer, de novo, aquela história", acrescentou.
Pedro Bial revisita Ipanema em biografia de Isabel Salgado
Da adolescência à vida adulta, Pedro e Isabel construíram uma amizade marcada pelo respeito e cumplicidade. "Eu não sabia, mas quando comecei a escrever, não fiz apenas um mergulho na biografia dela, mas na minha história. A gente foi criado no mesmo lugar, no mesmo ambiente cultural, em Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro. Foi mais que um convite, foi uma oportunidade, uma convocação para seleção", brinca.
Sobre contar a história em primeira pessoa, o apresentador disse ainda que não seria honesto da sua parte fingir que estava contando "de fora" ou de "um ponto distante". "Eu estou totalmente envolvido e não acho que isso comprometa, muito pelo contrário, acho que enriquece com honestidade o relato".
"Eu sou muito autocrítico, e Isabel também era. Sou rigoroso comigo e com os outros, como ela também era. E, ao mesmo tempo, procuro criar dos mesmos valores que ela foi criada, que esse rigor seja generoso, seja de acolher, de chamar o outro para, de fato, estar com alguém, e não passar pelas pessoas e pelas coisas. Acho que foi mais honesto contar na primeira pessoa, como uma carta aberta para ela", adiciona.
Pedro confessou ser mais interessante "ter esse molho", essa "pimentinha" no livro que o leitor tenha a sensação de que está lendo uma carta escrita por outra pessoa. "[O que tínhamos de mais bonito] era o compromisso com a alegria, com a liberdade. Jovens criados em ditadura e, no entanto, nunca nos conformamos, nunca nos resignamos em dizer amém, muito pelo contrário, no máximo a gente chamava o pai nosso", conclui.


