'Precisamos manter nossa sensibilidade ao que está acontecendo', diz Chico César

O artista paraibano também falou sobre a luta contra o racismo, o atual momento político do país e a nova turnê 'Violivoz', que fará ao lado de Geraldo Azevedo

Letícia Polydoro, da CNN em São Paulo
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A quarentena do cantor e compositor Chico César tem sido produtiva. Em entrevista à CNN, ele contou que tem aproveitado os últimos meses para compor bastante.

O artista paraibano também falou sobre a luta contra o racismo, o atual momento político do país e a nova turnê “Violivoz”, que fará ao lado de Geraldo Azevedo, em outubro.

CNN: Como tem sido sua rotina neste momento em que é preciso se resguardar?
Chico César: Tenho ficado bastante em casa, toco, alimento meus cachorros e meu gato, faço compras de alimentos pela internet e cozinho para mim. Ver as lives de músicos amigos também ajuda. Tenho composto muito nestes últimos meses.  

O que você tem lido e escutado nesta quarentena?
Adoro ler biografias. E estou aproveitando para ouvir os nomes novos da música. Sempre gostei de estar atualizado.

Qual composição sua você acha que tem a ver com este momento? Por quê?
Uma das que mais gosto é “Inumeráveis”, poema de Bráulio Bessa que musiquei. Tem um trecho que diz “se números frios não tocam a gente, espero que nomes consigam tocar”. Precisamos manter nossa sensibilidade para o que está acontecendo. 

Como surgiu a ideia de fazer lives? Você tem gostado de fazer? Como é sua relação com a tecnologia?
As lives surgiram para nos manter perto do público, da maneira que é possível hoje. É uma interação diferente, mas sinto o carinho das pessoas, mesmo de longe, e isto me alimenta. Estou me virando bem com a tecnologia. Tenho apoio da minha produção e já aprendi bastante.

Depois da morte de George Floyd nos Estados Unidos, protestos antirracistas se espalharam pelo mundo. Como você enxerga essas manifestações e o racismo no Brasil?
O que aconteceu não é um fato isolado, mas marcante, que cria uma conexão entre as pessoas que lutam contra o racismo. O dia 2 de junho, a “Black Out Tuesday”, foi importante e mobilizou inclusive a classe artística. No Brasil o racismo é crime, mas é preciso estarmos alertas e reflexivos. É fundamental analisar tudo com um viés crítico e racial, não aceitando violências que, de tão naturalizadas, aprendemos a conviver com elas.

Você é um artista conhecido pelo ativismo. Qual sua avaliação do atual momento político?
A política tem decepcionado muitas pessoas e elas buscam novos caminhos, inclusive no fundamentalismo religioso. O sistema político e econômico que temos não enfatiza os valores democráticos. O capitalismo ou tem injustiça social ou deu errado em todo o mundo.

Quais ideias você e Geraldo Azevedo tiveram para atualizar a turnê "Violivoz" ao novo normal? Você acredita que, mesmo com o distanciamento, dá para ficar próximo ao público?
O projeto foi adiado para outubro. Enquanto isso, estamos aproveitando para compor juntos e acrescentarmos essas novas músicas no show.

Cantor Chico César
Chico César
Foto: José de Holanda/Divulgação

 

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