Primeiro idol de K-pop norte-coreano fala à CNN e cita Pelé e Garrincha
1VERSE se apresenta em São Paulo nos dias 23 e 24 de maio na Virada Cultura; conheça o grupo de k-pop
O grupo de K-pop 1VERSE está com data marcada de vir ao Brasil com três apresentações na Virada Cultural 2026, nos dias 23 e 24 de maio, em São Paulo. Em entrevista à CNN Brasil, o vocalista Seok, um dos integrantes nascidos na Coreia do Norte, contou que admira o futebol brasileiro e citou Pelé e Garrincha como referências.
“Eu gosto muito e respeito os jogadores de futebol brasileiros. Quando eu era criança, lia aqueles livros sobre jogadores, sabe? Aqueles que mostram todo o processo, desde a infância, de como eles treinavam e cresceram”, revelou. Atualmente, ele também acompanha Neymar e Vinícius Júnior.
O 1VERSE chama atenção pela formação multicultural. Criado pela Singing Beetle Entertainment, o grupo debutou em julho de 2025 e conta com cinco integrantes de diferentes origens: Seok e Hyuk são da Coreia do Norte — sendo os primeiros idols de K-pop nascidos no país —, Nathan e Kenny são dos Estados Unidos e Aito é do Japão.
Atualmente, Hyuk está em hiato das atividades. Ele deixou a Coreia do Norte em 2013, aos 13 anos de idade, após a mãe desertar antes dele. O cantor atravessou a fronteira com a China e, ao longo de cerca de seis meses, passou por outros países até chegar à Coreia do Sul, onde se reuniu com a família. Já Seok saiu do país em 2019, motivado por parentes que já viviam no Sul, também cruzando a fronteira chinesa antes de se estabelecer em Seul.
À CNN, Seok contou que teve contato com o K-pop ainda na Coreia do Norte.
“Quando ouvi pela primeira vez, senti que as letras traziam inspiração. Comecei a cantar e quis aprender profissionalmente. Entrei na música com a esperança de também inspirar outras pessoas”, disse.
CNN: Vocês são um grupo multicultural, de diferentes países. Como foi no começo para vocês se comunicarem e se entenderem? Hoje vocês estão mais "fluentes" entre si?
Nathan: Cada um chegou em momentos diferentes, então eu diria que cada um tem suas próprias experiências. Quando cheguei e pude conhecer todo mundo, vi que vínhamos de origens diferentes, mas meio que trouxemos nossas culturas juntas quando se trata da nossa personalidade. Claro, sempre nos esforçamos para aprender os idiomas uns dos outros. Kenny e eu estamos aprendendo coreano, e eles estão aprendendo inglês. É uma troca. Agora, acho que superamos a barreira da linguagem corporal; passamos tanto tempo juntos que já nos entendemos pela personalidade.
CNN: Vocês aprenderam algo recentemente uns com os outros? Pode ser um "TMI" (Too Much Information).
Nathan: O Kenny fala dormindo. Em três idiomas diferentes, na verdade! A primeira vez foi em mandarim, a segunda em inglês e coreano.
Kenny: Aparentemente, eu também falo espanhol dormindo! Eu fiz aulas no ensino médio, sabe? Fiz um curso avançado, mas não achei que ainda estivesse em mim. Acho que estava guardado e saiu em um sonho.
Nathan: Então são quatro línguas, na verdade.
CNN: Seok, é histórico o fato de você ser um norte-coreano em um grupo de K-pop. Você já disse que, na Coreia do Norte, tinha contato com o gênero, mesmo ilegalmente. Como você se sentia ouvindo essas músicas na época e como essa trajetória influencia sua música hoje?
Seok: Quando ouvi K-pop pela primeira vez, havia muitas letras que serviam de inspiração para a vida. A melodia era muito interessante e eu gostava muito de cantar porque me sentia inspirado. De tanto cantar, comecei a querer cantar bem e aprender profissionalmente. Foi quando conheci nosso CEO e entrei no K-pop. Comecei na música com a esperança de que eu também pudesse ser uma inspiração para alguém.
CNN: Sobre o processo de fazer música, como funciona para vocês hoje? Cada um tem uma parte favorita, como letra, melodia ou coreografia?
Kenny: O que é interessante é que cada um tem um papel muito distinto. Para o single WABIF, por exemplo, eu e o Nathan contribuímos para a melodia e a letra. Desta vez, o Aito também estava envolvido com a coreografia. Ele escolheu os coreógrafos que queria para dar vida à música e assimilou tudo com nosso diretor de performance para deixar no estilo do 1VERSE. O Seok agora também está envolvido com os aspectos coreanos da composição. Todo o time faz parte da produção em cada etapa.
CNN: Vocês lembram da primeira vez que se apresentaram diante de um público?
Aito: Sim, com certeza! Quando estou no palco, eu aproveito totalmente, é onde mais mostro meu estilo. Especialmente em "Shattered", gosto muito do dance break. Sobre a primeira vez, foi na nossa turnê americana este ano. Quando subimos ao palco e vimos os fãs, pensei: "Uau, então é esse o sentimento de ser um idol". Senti muita gratidão.
CNN: Vocês estão em turnê. Como é conhecer os fãs internacionais? Houve alguma surpresa?
Nathan: É muito divertido porque podemos agradecer pessoalmente a quem nos apoia pelas redes sociais. Na sala de prática, estamos sempre olhando para o espelho ou para nossos chefes, mas diante das 5TARS [nome dos fãs] a energia é diferente.
Kenny: Os fãs são muito apaixonados. Teve uma parada específica da turnê, na Sérvia... no momento em que a música de "Shattered" começou, pronto. Não conseguíamos nos ouvir, nem ouvir a música! Ficamos tipo: "uau". Não sabíamos que as pessoas podiam ser tão apaixonadas por nós, ainda mais sendo um grupo que debutou há pouco tempo.
CNN: Vocês sabem que o Brasil é conhecido por isso, não é?
Kenny: Sabemos! Me disseram que a América Latina em geral tem uma plateia muito, muito apaixonada, que eles sabem a letra das músicas, eles fazem seus próprios fanchants, ou às vezes, se é uma música muito incrível, uma música que tem algo a ver com feminilidade e ser uma mulher orgulhosa, eles vão trazer leques. Então, para o KATSEYE foi em "Touch". Um monte deles simplesmente mostraram os leques e eu fiquei: "Que diabos? Isso é loucura".
CNN: Vocês conhecem algo da cultura brasileira? Música, filmes, futebol?
Seok: Sim, eu gosto muito e respeito os jogadores de futebol brasileiros. Quando eu era criança, lia aqueles livros sobre jogadores, sabe? Aqueles que mostram todo o processo, desde a infância, de como eles treinavam e cresceram. Por exemplo, li muito sobre Pelé, Garrincha, Ronaldinho, Neymar... Eu queria ver o futebol brasileiro pessoalmente um dia. E agora que sabemos que vamos para lá, estou muito ansioso. Atualmente, meus jogadores favoritos são o Vinícius Jr. e o Neymar.
Kenny: Eu vou pelo açaí também. Eu fui a um evento brasileiro e coreano onde há muitos artistas coreanos e brasileiros que se apresentavam no palco e, além das apresentações, havia tigelas de açaí grátis e eu estava comendo. Eu comi tipo cinco tigelas, ok? Estava tão bom e eu estava conversando com uma dos gerentes do evento e ela disse: "Você parece gostar muito" E eu disse: "Eu gosto!” E ela: "Bem, espere até você ir ao Brasil, porque é lá que está a verdadeira qualidade.” Então eu fiquei tipo: "Ok. Está bem. Eu tenho que ir." É barato e também é realmente muito bom no Brasil, então eu devo ir.
Aito: E quando começamos no TikTok, ainda na época de trainees, havia muitos fãs brasileiros. Isso realmente nos emocionou profundamente. Desde o momento em que começamos de verdade, mais de 30% dos nossos fãs eram do Brasil, então ficamos muito animados e com grandes expectativas. E somos extremamente gratos por isso.
CNN: Podem mandar um recado para os 5TARZ brasileiros?
Aito: Para os fãs brasileiros que esperaram tanto por nós, finalmente estaremos indo ao Brasil no próximo mês. Então, por favor, aguardem com muita expectativa!
Natha: Temos grandes expectativas! É brincadeira! Estamos super animados para finalmente conhecer as 5TARZ brasileiras e claro, vamos mostrar a todos vocês do que somos capazes, contanto que vocês mostrem do que são capazes.
Seok: Desde que começamos com o TikTok e o YouTube lá no início, estamos com uma expectativa enorme para encontrar nossos fãs brasileiros que têm nos acompanhado tanto. E, ah, também estamos muito ansiosos para vivenciar a cultura do Brasil e coisas desse tipo. Sim, a expectativa é grande.
Confira a entrevista completa em vídeo:


