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    Quem é Linda Martell, citada em “Cowboy Carter”, novo álbum de Beyoncé?

    Saiba quem é a cantora pioneira nos EUA que você deveria conhecer e a Beyoncé quer te apresentar

    A cantora Linda Martell em uma fotografia de 1969 tirada em Nashville, no Tennessee.
    A cantora Linda Martell em uma fotografia de 1969 tirada em Nashville, no Tennessee. Michael Ochs Archives/Getty Images

    Lisa Respers Franceda CNN

    O esperado novo álbum de Beyoncé contém uma música que leva o nome de uma mulher que parece ter sido a inspiração para o projeto. “Act II: Cowboy Carter” é lançado nesta sexta-feira (29).

    Embora a diva tenha dito que esse “não é um álbum de country, é um álbum da Beyoncé”, os hits previamente divulgados “Texas Hold ‘Em” e “16 Carriages” definitivamente dão um gostinho do country.

    Conforme a tracklist divulgada na última quarta-feira (27), o álbum será composto por 27 faixas, entre as quais está “The Linda Martell Show“.

    Confira mais sobre o ícone que impactou a cultura norte-americana e serviu como musa para a Beyoncé.

    Linda Martell, uma pioneira que tem homenagem em novo álbum de Beyoncé:

    Segundo Beyoncé, seu novo álbum “nasceu de uma experiência que teve anos atrás onde ela não se sentiu bem-vinda… e foi bem claro que ela não era bem-vinda”.

    É um sentimento que Martell consegue se relacionar.

    Nascida como Thelma Bynem na Carolina do Sul em 1941, a cantora enfrentou tremendas dificuldades na década de 60, quando tentou conquistar sucesso na música country quanto mulher negra.

    Ao crescer no Sul segregado dos Estados Unidos, Martell cantou música soul e R&B. Quando tentou expandir seus gêneros musicais para o country, ela encontrou tanto racismo quanto resistência.

    “Enquanto você cantava, eles iriam gritar nomes e você sabe os nomes que eles iriam usar para se referir a você”, disse ela em entrevista à Rolling Stone em 2020.

    William “Duke Rayner”, que cuidava de uma loja de móveis, ouviu que Martell fazia alguns covers de música country e a conectou com Shelby Singleton Jr., que trabalhou na indústria musical e que tinha ideias progressivas na época.

    “Ritmo e blues [R&B] e música country são os tipos de música mais paralelas que existe”, Singleton dizia. “É o trabalho das pessoas que faz com que as pessoas escutem os dois.”

    O trio trabalhou rapidamente. Em questão de dias com Singleton, Martell completou o álbum com um cover de “Color Him Father”, dos The Winston. A faixa chegou até a 22ª posição das paradas de música country.

    “Música country conta uma história”, Martell disse à Rolling Stone. “Quando você escolhe uma música e consegue sentir isso, é isso que me fez me sentir bem sobre o que eu estava cantando. Eu fiz um monte de músicas country e eu amei cada uma delas – porque elas contam uma história.”

    Em junho de 2021, Linda Martell recebeu o prêmio CMT Music Awards em Irmo, na Carolina do Sul. / Sean Rayford/2021 CMT Awards/Getty Images for CMT

    Martell encontrou sucesso com suas faixas “Bad Case of the Blues”, “Before the Next Teardrop Falls” e“You’re Crying Boy, Crying”. Ela se tornou a primeira mulher negra a se apresentar nas grandes casas de show de música country como a Grande Ole Opry, 1969.

    E enquanto Martell era ovacionada de pé durante a note, o caminho para o sucesso na música country foi tudo menos suave.

    Deixando a gravadora e mudando a carreira

    Martell disse que ela continuou a aguentar os xingamentos enquanto se apresentava, mas também ocorreu um conflito interno de trabalhar com Singleton, que fez questão de contar para a cantora que ele lançaria sua voz não em sua gravadora SSS International, mas sim da Plantation Records.

    Martell e o executivo musical discutiram após ela argumentar que essa escolha seria racista, o que Singleton negou. Martell também falou sobre a decisão de Singleton de preferir promover de forma mais entusiasmada Jeannie C. Riley, que fez a música “Harper Valley P.T.A.” em 1968.

    Martell relatou outros momentos em que encontrou racismo, quando um dos executivos do programa de TV de música country “Hee Haw” tentou “corrigir” sua pronuncia em uma música que ela cantou no programa.

    Ela se separou de Singleton em 1970. A cantora relatou que sentiu que o executivo a fez ser rejeitada na indústria.

    Sua carreira na música country fracassou, mas, nas décadas seguintes, ela continuou a cantar o que ela pudesse, voltando ao R&B e soul.

    Um lugar na história

    A história de Martell poderia ter definhado se não fosse tanto por sua família na música country quanto sua família biológica.

    Mickey Guyton, que se tornou a artista negra mais bem-sucedida na música country hoje, disse à Rolling Stone que ela descobriu o trabalho de Martell após uma pesquisa no Google sobre outras mulheres negras no gênero.

    “Eu me senti muito mal quando descobri que eu não a conhecia”, disse. “O que ela passou, com as pessoas duvidando dela e chamando-a da palavra com n”.

    “Eu queria desistir da indústria por causa da dificuldade que é. Eu também fui chamada de nomes… é muito parecido, apesar de sermos de épocas diferentes.”

    A neta de Martell, Marquia Thompson, produziu um documentário sobre Martell, chamado “Bad Case of the Country Blues”. O documentário mostra a luta na música country entre 1969 e 1975.

    “Minorias, mulheres e artistas marginalizados merecem ter espaço no campo da música country”, Thompson falou em entrevista ao The Tennessean. “Minha avó foi uma artista corajosa que desafiou a indústria ao seguir suas paixões. As pessoas que querem se espelhar no sonho da minha avó precisam inegavelmente conhecer sua história.”

    Beyoncé parece estar pronta para contar essa história.

    Este conteúdo foi criado originalmente em Internacional.

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