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Quem foi Scott Adams, criador da tira em quadrinhos "Dilbert" que morreu

Relembre a vida e obra do quadrinista que marcou gerações e enfrentou polêmicas recentes.

Scottie Andrew, da CNN, Giovana Christ, da CNN Brasil
Scott Adams, cartunista, autor e criador de “Dilbert”, posa para uma foto em seu escritório em casa na segunda-feira, 6 de janeiro de 2014, em Pleasanton, Califórnia
Scott Adams, cartunista, autor e criador de “Dilbert”, posa para uma foto em seu escritório em casa na segunda-feira, 6 de janeiro de 2014, em Pleasanton, Califórnia  • Lea Suzuki/The San Francisco Chronicle via Getty Images
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Morreu Scott Adams, o criador da popular tirinha em quadrinhos "Dilbert", de acordo com informações divulgadas pela família nesta terça-feira (13), durante o programa "Coffee with Scott Adams", que ele apresentava diariamente.

O artista revelou em maio de 2025 que foi diagnosticado com uma forma agressiva de câncer de próstata. "Tive uma vida incrível", escreveu o quadrinista em um texto escrito no dia de Ano Novo.

"Dilbert", uma crônica sobre as indignidades do trabalho em escritório nos Estados Unidos, foi uma das tirinhas mais populares do país, desde seu sucesso estrondoso nos anos 1990 até fevereiro de 2023.

No momento do encerramento, Adams fez comentários racistas contra americanos negros, chamando-os de "grupo de ódio" e sugerindo que pessoas brancas deveriam "se manter longe deles", em resposta a uma pesquisa questionável sobre se "era ok ser branco".

Centenas de jornais deixaram de publicar "Dilbert" em questão de dias, e a tirinha logo foi descontinuada por sua distribuidora.

Adams começou a autopublicar a tirinha, uma "versão mais picante" chamada "Dilbert Reborn", em seu site mediante assinatura. Ele parou de desenhar os quadrinhos em novembro de 2025 devido a câibras e paralisia parcial nas mãos, embora tenha continuado a escrever as tirinhas.

Relembre a trajetória

Natural de Nova York, Adams trabalhou como caixa de banco de 1979 a 1986, o mesmo ano em que se formou com um MBA pela Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Ele chegou a ser rendido duas vezes à mão armada enquanto trabalhava como caixa, escreveu no retrospecto de 20 anos “Dilbert 2.0”.

Ele lançou a célebre tirinha em 1989, quando trabalhava como engenheiro na companhia telefônica Pacific Bell, cujo ambiente estéril e funcionários excêntricos inspiraram.

“Dilbert” só se tornou um sucesso alguns anos após sua estreia, quando Adams passou a ambientar a maioria das tiras no local de trabalho de seu protagonista, um funcionário de escritório de óculos.

“Não era exatamente o que eu queria fazer, mas funcionou”, disse ele à Associated Press ao vencer o prêmio Reuben, da National Cartoonists Society, de melhor tira de quadrinhos de 1997.

Ele atribuiu o sucesso da tira à “neutralidade” de Dilbert — à ausência de olhos visíveis, por exemplo, mas também à falta de detalhes específicos sobre seu local ou função na empresa.

“As pessoas não têm motivo para achar que não é exatamente como a experiência delas”, disse Adams à EE Times. “Por exemplo, tanto engenheiros quanto programadores estão convencidos de que Dilbert é um deles.”

E por décadas, “Dilbert” foi isso mesmo.

Os leitores reconheciam seus próprios chefes que fracassavam para cima no “chefe de cabelo pontudo” e sem noção de Dilbert, ou se identificavam com a batalha perdida do herói homem comum contra a incompetência em reuniões com colegas pouco brilhantes.

Adams incluiu seu endereço de e-mail nas tiras por anos para reunir histórias de leitores que enfrentavam dificuldades em seus próprios escritórios, material que “me mantém em movimento”, como disse à revista New Yorker em 2008.

Após o sucesso da tira, Adams se sentiu imparável: “Por um tempo, tudo o que eu tocava virava ouro”, afirmou à Bloomberg em 2017.

Confiante na sua capacidade de vender praticamente qualquer coisa, ele entrou no ramo alimentício, com bem menos sucesso. Em 1997, abriu um restaurante perto de sua casa, na Califórnia, chamado Stacey’s Cafe.

Mais tarde, assumiu como chefe na unidade irmã, onde funcionários o descreveram ao New York Times como “dramaticamente alheio às duras realidades da indústria de restaurantes”, apesar de seus muitos anos satirizando chefes desligados.

As duas unidades do Stacey’s fecharam as portas em algum momento antes de 2017, segundo a Bloomberg.

Ele também foi, por um breve período, o responsável pelo “Dilberito”, um burrito vegetariano congelado batizado em homenagem ao seu cartum e vendido como uma alternativa nutritiva às refeições de micro-ondas pouco saudáveis. Lançado em 1999, foi descontinuado em 2003.

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