"Saía envergonhado do set", relembra Thiago Lacerda sobre "Ângela Diniz"

Ator dá vida ao jornalista Ibrahim Sued em minissérie sobre socialite assassinada

Nicoly Bastos, da CNN Brasil
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No ar na série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada”, o ator Thiago Lacerda, 47, relembrou o impacto emocional de interpretar um personagem inserido na engrenagem de violência e desigualdade que marcou a vida da socialite morta em 1976, durante entrevista à CNN.

O ator dá vida ao jornalista Ibrahim Sued, que se envolve com Ângela Diniz (Marjorie Estiano) em determinado momento da vida da socialite, e descreveu o processo como um mergulho profundo em estruturas sociais que seguem reverberando no país -- e que, segundo ele, exigem reflexão constante de quem as representa na ficção. “Uma coisa é a gente saber, estudar, teorizar sobre um tema e outra coisa é você se chafurdar nesse tema”, afirmou.

Para Lacerda, assumir o ponto de vista de um personagem dentro desse contexto faz com que o trabalho ultrapasse a técnica. “Quando você se mete a contar essa história do ponto de vista do ator, da atriz, eu acho que a gente se disponibiliza emocionalmente num lugar que transforma a gente inevitavelmente.”

O artista ressaltou que "saía envergonhado do set" depois de gravar as cenas.

“O que mais me pegou como algo que me desconserta muito é me enxergar como agente dessa força opressora, repressora, que é capaz de promover tanta desigualdade, tanta violência, tanta humilhação, tanto horror."

Embora seu personagem reconheça a força da protagonista, o ator disse que ele também integra o ambiente que cerca e pressiona Ângela. “A despeito do meu personagem ser um personagem que representa esse masculino que reconhece a potência dela, por outro lado, ele é também uma estrutura”, destacou.

“É uma ingenuidade achar que eu não sou contaminado pelo tempo em que eu existo. Eu sou um homem branco nascido no final dos anos 70 no Brasil, Ocidente, país de terceiro mundo, colônia. Quer dizer, eu sou produto de um tempo que precisa ser compreendido e precisa ser provocado a transformar.”

Para o ator, encarar essa posição foi um dos aspectos mais desafiadores do trabalho. “Acho que esse lugar do envergonhamento como agente da contação de história é um lugar muito desconcertante, muito difícil às vezes”, conclui.

O elenco também é composto por Emilio Dantas, como o assassino de Ângela Doca Street, Antônio Fagundes no papel do advogado e ex-ministro do STF Evandro Lins Silva, Camila Márdila (Lulu Prado) e Yara de Novaes (Maria Diniz).

Elenco chorou lendo roteiro da série

Assista ao trailer de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada

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