"Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria" é baseado em história real; saiba
Lançado no Brasil no dia 1º de janeiro, o longa mostra uma mãe à beira de um colapso

Misturando uma comédia sobria, terror surrealista e drama psicológico, "Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria" estrou no Brasil no primeiro dia de 2026 e promete ser uma das experiências cinematográficas mais intensas e desconfortáveis do ano.
O longa nasce de uma vivência pessoal da diretora Mary Bronstein e transforma o esgotamento materno em narrativa na nova produção.
A origem do filme está diretamente ligada a um momento traumático vivido pela diretora, quando a filha dela, com então sete anos de idade, adoeceu gravemente e ela precisou abandonar temporariamente a vida que tinha em Nova York.
Sem acesso adequado ao tratamento, mãe e filha se mudaram para um pequeno motel em San Diego, o único local onde a criança poderia receber cuidados médicos. O que deveria durar seis semanas foi estendido para dois meses, transformando o espaço apertado em símbolo de confinamento emocional.
Enquanto isso, o marido de Broinsten, o roteirista Ronald Broinstrein, permaneceu em Nova York trabalhando no filme "Good Time". Sozinha, exausta e emocionalmente abalada, a cineasta começou a sentir a própria identidade se dissolver.
Durante as noites, as luzes eram apagadas às 20h para que a filha pudesse descansar, Mary se via sentada no chão do banheiro, cercada por embalagens de comida, vinho barato e um silêncio ensurdecedor.
Ela descreve o período ocomo uma crise existencial profunda, que não se tratava apenas do medo pela saúde da filha, mas de algo ainda mais assustador: a sensação de estar cuidando dela e esquecendo de si como indivíduo.
No filme, a ficção acompanha Linda (Rose Byrne), uma terapeuta de Long Island que, após uma sucessão de desgraças, precisa deixar o apartamente em ruínas e se mudar com a filha doente para um motel.


