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    Série “O Rei da TV” dramatiza vida, carreira e polêmicas de Silvio Santos

    Produção que estreia essa quarta-feira (19) no STAR+ tem primeiros episódios livre de polêmicas e mostra como se criou um dos maiores "showman" do Brasil

    José Rubens Chachá como Silvio Santos
    José Rubens Chachá como Silvio Santos Divulgação/Star+

    Isabella Fariada CNN

    São Paulo

    Todo mundo conhece alguém que sabe imitar o Silvio Santos. O tom de voz, os maneirismos e os bordões do apresentador praticamente perseguem o brasileiro que já viu, mesmo que por poucos minutos, TV aberta. Aos 91 anos, Senor Abravanel acumula falas e atitudes polêmicas, porém, continua sendo um dos maiores ícones da televisão nacional e, antes tarde do que nunca, ganhou uma produção audiovisual para chamar de sua.

    A série “O Rei da TV”, que estreia nesta quarta-feira (19) no STAR+, promete mostrar toda a trajetória de Silvio Santos que, por vezes, se confunde com a história do próprio Brasil.

    A CNN teve acesso aos dois primeiros epísódios: “A Geleia é Minha” e “Canta, Peru!”.

    Com boa direção, roteiro amarrado e ótimas atuações, o começo da série surpreende ao dramatizar de forma coesa, sem caricaturismos, a vida e carreira de Silvio Santos, que já são agitadas por si só. Fugindo, portanto, de qualquer traço que pareça documental, “O Rei da TV” começa trazendo um dos momentos mais marcantes da história do apresentador, em 1988, quando ele quase perdeu a voz, ficando afônico por alguns dias. A partir daí, a jornada de como Silvio Santos foi criado começa.

    “Jornada” ao pé da letra já que, no primeiro episódio, temos a evolução de Senor Abravanel nas ruas do Rio de Janeiro, contada por meio da clássica “jornada do herói”. Na década de 1940, nos é apresentada a família de Silvio. Sua mãe preocupada, seu pai alcoólatra e seu irmão confidente. Para ajudar a sustentar a casa, ele passa a trabalhar. Em uma de suas andanças pela cidade, se encanta com um vendedor de rua que mostra uma tal de caneta mágica. Ao olhar Silvio, o homem diz que o garoto vai precisar dela para quando for presidente e tiver de assinar documentos.

    Nessa frase, vemos um claro aceno ao que aconteceria décadas depois: Silvio Santos concorrendo à Presidência do Brasil. Há a dúvida, entretanto, se a série adentrará na área política da vida do apresentador ou se ficará neutra, evitando (mais) polêmicas.

    Ainda no primeiro episódio, Silvio vai de ajudante de vendedor até estrela da sua própria vendinha no centro do Rio, com lábia e carisma incomparáveis. Por fim, ele consegue dinheiro o suficiente para sustentar a casa, comprar sua geleia preferida e se mudar para São Paulo, depois de ter recebido uma proposta para ser locutor na Rádio Nacional.

    No segundo episódio, o tom da série já muda.

    Em “Canta, Peru!”, a história se afasta do amadurecimento de Silvio Santos como pessoa e mostra seu desenvolvimento como homem de negócios. Sua lábia, agora, é destinada a quem trabalha para ele, com ele e acima dele. Em uma de suas manobras na busca por mais dinheiro, Silvio adquire o chamado “Baú da Felicidade”, um sistema de carnê que, através do pagamento de uma pequena mensalidade, o contratante concorre a diversos prêmios e aparições nos programas do apresentador.

    Nos seus primórdios, o programa era uma arena de circo, onde Silvio Santos passava as noites apresentando atrações em troca de mais visibilidade e dinheiro, na série, o bordão “vem pra cá você” aparece, ainda, de forma tímida e espontânea. Ter duas carreiras, mestre de cerimônias e locutor da Rádio Nacional, lhe causa o que hoje conhecemos como síndrome de burnout e, em uma das cenas do segundo epísódio, Silvio desmaia de cansaço.

    Entremeada a sua história de ascenção, temos o pólipo na garganta de 1988 e o surgimento de outra grande figura midiática: Augusto Liberato.

    “O Gugu é no sábado, eu sou no domingo”, diz o apresentador ao sugerirem que ele nomeie Gugu como seu substituto enquanto cuida da voz. Aqui é mostrada uma faceta orgulhosa e frágil de Silvio Santos que sentia que não podia competir com a jovialidade de Gugu Liberato. Se isso de fato aconteceu, nunca saberemos, mas toda essa relação entre os dois apresentadores é muito bem construída na série.

    Com uma cena final à la “Succesion”, o segundo episódio da série mostra detalhadamente os bastidores da TV nacional naquela época e todos os conchavos que estariam prestes a explodir.

    A série, portanto, mira alguns públicos.

    Para quem viu, e ainda vê, Silvio Santos fazendo seus aviõezinhos de dinheiro no programa, a série rememora personagens e momentos históricos, apelando para a nostalgia de quem assiste. E para quem conhece Silvio Santos apenas como um apresentador nonagenário, que solta umas “groselhas” de vez em quando, e fica se perguntando: “Mas como ele chegou lá?”.

    “O Rei da TV” quer te dar a resposta.