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    Threads: mais uma rodinha de conversa que eu entro e não sei o que falar

    O novo aplicativo da META que veio pra ser rival do Twitter chegou. E, com ele, a ansiedade

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    . Logo do aplicativo Threads, da Meta, em ilustração06/07/2023REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

    Mari Palma

    A gente passou os últimos dias lendo várias reportagens com números e dados sobre a chegada do Threads, novo aplicativo da META que veio pra ser rival do Twitter. Não precisou nem de uma hora para um milhão de pessoas se inscreverem nele – hoje, poucos dias depois do lançamento, já são mais de 100 milhões de usuários. Ok, foi um começo bem impressionante, de fato. Mas nesse texto aqui eu quero falar sobre outra questão envolvendo essa novidade: a ansiedade que vem no pacote.

    O ciclo é sempre o mesmo: rede social nova, todo mundo falando sobre ela, a gente corre pra abrir uma conta pra não ficar de fora, entra no aplicativo e aí… faz o quê, exatamente? O que eu vou dizer lá que já não disse em todas as outras que já existem? Que tanto de assunto a gente precisa ter? Não tô me excluindo disso, não. Eu mesma fui correndo abrir meu perfil no Threads, mas logo que entrei e apareceu aquele espaço em branco pra publicar alguma coisa, travei e pensei: “ok, essa é só mais uma rodinha de conversa que eu entro e não sei o que falar”. Tanto que se você me procurar por lá, vai ver que só fiz 2 posts extremamente sem graça que não dizem absolutamente nada.

    Parece muito aquela sensação de quando você tá numa festa, aparece um grupo de pessoas pra conversar e você fica procurando assunto pra tentar ser interessante e engatar uma conversa maior. Admiro os mais extrovertidos que conseguem fazer isso muito bem mas, no meu caso, isso gera uma ansiedade absurda e simplesmente travo. Eu já sabia que isso acontecia comigo no mundo offline, mas agora descobri que pode acontecer no mundo on-line também. Eu travei de verdade, gente. Não fazia (e ainda não faço) a menor ideia do que escrever lá. Pra piorar, ainda fiquei lendo os posts geniais e criativos de outras pessoas, o que só me fez sentir ainda mais desinteressante.

    Esse texto não é um pedido de ajuda ou uma tentativa de terapia (eu juro que a minha tá em dia), mas quero dividir essa sensação porque talvez eu não seja a única que sentiu isso. O que torna tudo ainda mais complexo é que eu AMO a internet e todas as novidades que aparecem sobre ela. Eu, inclusive, comecei minha carreira no digital e desde então venho estudando e me especializando cada vez mais nisso.

    Mas não é um amor cego que não me deixa enxergar os problemas que podem existir. O objetivo é encontrar o meio do caminho pra tentar navegar nesse mar de possibilidades sem se afogar. Claro que vou criar meu perfil na rede social do momento, mas será que preciso sentir a pressão de também ser interessante e descolada lá? Eu realmente preciso ter assunto pra qualquer rodinha de conversa que aparecer na minha frente? Tenho que ter opinião pra tudo e participar de todas as discussões que existem? Eu não sou assim na minha vida fora da internet, então por que raios me sinto pressionada a criar essa personagem?

    Eu não tenho as respostas pra isso, antes que você ache que esse texto vai chegar a algum lugar. A gente ainda tá (e vai ficar por muito tempo) aprendendo a viver essa nova realidade que mistura off-line e on-line. Enquanto isso, continuo brigando pelo meu direito de não saber o que falar e ser desinteressante de vez em quando. Grata.