"Tira o peso do silêncio", diz Bárbara Reis sobre diagnóstico de lipedema
À CNN Brasil, a atriz conta sobre descoberta marcada por dúvidas e momentos de frustração

Em abril, a atriz Bárbara Reis, 36, compartilhou o diagnóstico de lipedema com internautas após conviver, por anos, com diversos sinais sem entender a causa.
A doença crônica vascular que acomete, principalmente, as mulheres, é caracterizada pelo acúmulo de gorduras nas pernas e nos braços, além de dor e sensibilidade no local afetado.
Para a intérprete de Lena, em "Três Graças", abrir o jogo sobre a condição foi mais do que um post nas redes sociais, foi um movimento de conscientização.
"Eu senti que precisava falar quando entendi o quanto isso ainda é pouco conhecido. Muitas mulheres passam anos sem entender o próprio corpo", conta em entrevista à CNN Brasil.
O caminho até a descoberta e a cirurgia que ainda será realizada, não foi linear. Como muitas mulheres, Reis enfrentou a confusão comum entre o lipedema e o simples ganho de peso, com retenção de líquido. Segundo ela, o período foi marcado por dúvidas e uma sensação de frustração, já que os esforços com a saúde não geravam resultados esperados.
"Eu percebia que meu corpo não respondia como o esperado, mesmo com cuidado. O diagnóstico veio como um alívio, porque trouxe nome, informação e caminho, mas também abriu um processo de aceitação", comenta.
O retorno do público também foi um combustível. Bárbara diz que o feedback das seguidores tem sido "emocionante", criando um rede de apoio e acolhimento, onde muitas mulheres finalmente se sentiram representadas de alguma forma.
Com a agenda intensa na reta final da novela de Aguinaldo Silva, a atriz precisou recalibrar a forma como lida com o próprio ritmo. O diagnóstico trouxe uma nova perspectiva sobre como encarar as longas horas de trabalho e a imagem refletida no espelho.
"[O lipedema] mudou principalmente a forma como eu me escuto. Eu passei a respeitar mais os limites do meu corpo, a entender os sinais", pontua. Quanto à relação com a estética, ela admite que o processo é constante. "Tem sido um exercício diário de acolhimento. Nem sempre é fácil, mas hoje eu me olho com mais compreensão do que cobrança", adiciona.
Inserida em um mercado onde a perfeição, é muitas vezes, regra silenciosa, a artista reconhece que a pressão sobre as atrizes é implacável. No entanto, ao expor uma vulnerabilidade física, ela transforma o diagnóstico em uma ferramenta de quebra de padrões.
"A imagem ainda é muito cobrada. Mas, eu sinto que falar sobre isso é um passo importante para quebrar essa padrão. Quando a gente nomeia, quando a gente mostra, a gente tira um pouco desse peso do silêncio. Para mim, foi um movimento de liberdade mesmo", conclui.


