Vício em games atinge quase 2% da população mundial, mostra estudo

Especialistas alertam para a prevenção do transtorno, batizado de 'gaming disorder'

Cleber Rodriguesda CNN

No Rio de Janeiro

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Quase 2% da população mundial sofre de “gaming disorder”, uma espécie de vício por games, segundo estudo publicado no Jornal de Psiquiatria da Austrália e Nova Zelândia. A publicação pertence à principal organização que representa a especialidade nos dois países.

O transtorno, silencioso e perigoso para a saúde mental de quase 154 milhões de pessoas, pode ser prevenido e tratado.

“Nos últimos anos a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem trabalhando bastante em relação a isso e em 2018 acabou incluindo na 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID 11) a chamada ‘gaming disorder'”, explica psiquiatra Daniel Spritzer à CNN.

Os números apontam um crescimento no mercado de jogos a longo prazo. Até 2023, o mercado deve alcançar US$ 200 bilhões em faturamento no mundo. Segundo estimativa da Game Brasil, consultoria especializada no mercado digital, 7 em cada 10 brasileiros afirmam que jogam games eletrônicos.

“Já fiquei três dias e meio jogando, sem dormir. Eu e meu irmão”, conta o operador de loja Luiz Vitor da Silva.

“É muito ruim quando o jogo deixa de ser um prazer e efetivamente se torna uma obrigação. O jogo é para se divertir. Eu comecei a jogar quando era criança, com o Atari. Sempre foi muito divertido. Até o ponto em que deixou de ser”, confessa um jovem que prefere não se identificar.

A busca pelo equilíbrio é fundamental, pontua Spritzer.

“É super importante pensar em prevenção e ter um olhar mais amplo e mais complexo para outras questões de saúde mental, como depressão, ansiedade, outros problemas emocionais que podem acabar aumento o risco de as pessoas se envolverem com os jogos de maneira mais intensa e problemática”.

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