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    “Viva o Gordo”, “Jô Onze e Meia”, “Xangô de Baker Street”: os marcos de Jô Soares

    Apresentador, ator, humorista e escritor Jô Soares morreu na madrugada desta sexta-feira (5), aos 84 anos

    Renata SouzaThayana Nunesda CNN

    em São Paulo

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    O apresentador, ator, humorista e também escritor Jô Soares, que morreu na madrugada desta sexta-feira (5), aos 84 anos, deixa uma extensa produção cultural.

    De sucessos de audiência, desde “Viva o Gordo” e “Jô Soares Onze e Meia”, que marcaram os anos 1980 e 90, até sua produção literária, foram inúmeros personagens, entrevistas e participações que fizeram sua longa trajetória.

    A seguir, relembre alguns destaques da carreira de Jô Soares:

    Faça humor, não faça guerra

    Jô Soares em retrato tirado no dia 31 de agosto de 1972. Nessa época, o humorista participava do programa da TV Globo “Faça Humor, Não Faça Guerra” / OSVALDO LUIZ/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

    Exibido no início da década de 70, “Faça humor, não faça guerra” foi uma produção inovadora na grade horária da Rede Globo. O programa era composto por quadros curtos repletos de piadas rápidas e corte secos – proposta diferente do que costumava ser feito em produções de humor naquela época.

    Dirigido inicialmente por João Lorêdo e produzido por Ruy Mattos, o programa era estrelado por Jô Soares e Renato Corte Leal, que participavam também da redação dos roteiros das esquetes. O elenco contava ainda com nomes como Miéle, Sandra Bréa, Berta Loran, Paulo Silvino e Renata Fronzi.

    Entre os principais personagens interpretados por Jô em Faça humor, não faça guerra estão a hippie Norminha, o Bêbado, o professor Gengir Khan, o Irmão Thomas e Manchetão.

    Viva o Gordo

    Os humoristas Jô Soares e Chico Anysio, durante entrevista em São Paulo, em 5 de maio de 1985 / GERALDO GUIMARÃES/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

    Depois de “Faça humor, não faça guerra”, Jô Soares ainda participou de “Satiricom” (1973), “O Planeta dos Homens” (1976) e, como entrevistador, do “Globo Gente” (1973).

    Em 1981, Jô estreou seu primeiro programa humorístico de apresentação solo: “Viva o Gordo” (1981). Nele, o humorista interpretava personagens e contracenava com outros humoristas e atores, como Brandão Filho, Walter D’Ávila, Berta Loran, Claudia Raia, Flávio Migliaccio e Pedro Paulo Rangel.

    Sob a direção de Cecil Thiré, Francisco Milani, Walter Lacet, o programa foi exibido na Rede Globo até 1987.

    Jô Soares Onze e Meia

    Jô Soares durante gravação do “Jô Soares, Onze e Meia”, em 15 de março de 1997 / EPITÁCIO PESSOA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

    Após decidir não renovar seu contrato com a Rede Globo, Jô Soares migrou para o SBT e estreou o programa “Veja o Gordo”No mesmo ano, Jô estreia como apresentador de talk show — formato em que se dedicaria por mais de três décadas — com “Jô Soares Onze e Meia”.

    Entre os convidados ilustres que passaram pelo programa, Jô entrevistou Ayrton Senna, Cazuza e Raul Seixas, em sua última aparição na TV aberta brasileira.

    Ao todo, foram 6.927 entrevistas feitas até o ano de 1999.

    Programa do Jô

    O primeiro “Programa do Jô”, apresentado por Jô Soares nos estúdios Rede Globo de São Paulo, em abril de 2000. Ao fundo, quatro integrantes do sexteto que acompanhava o apresentador: (esq./dir.) Tomati, Chico Oliveira, Derico e Bira / VIDAL CAVALCANTE/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

    Por 16 anos, parte das madrugadas da Rede Globo foi preenchida pelo icônico programa de entrevistas comandado por Jô Soares. De segunda a sexta, Jô recebia convidados no estúdio para entrevistas, na maior parte das vezes no clássico formato talk show, comentava notícias e mantinha pitadas de humor.

    Exibido até 2016, o programa contou com mais de 14 mil entrevistas com as mais variadas personalidades, indo desde ex-presidentes da República, juízes e  congressistas até artistas, músicos, jornalistas, atletas, entre outros.

    Livros de Jô Soares

    Livro “O Xangô de Baker Street”, de Jô Soares/ Divulgação

    O astronauta sem regime (1983)

    Sendo sua primeira aventura no meio literário, a obra traz uma série de pequenos contos essencialmente humorísticos.

    Humor nos Tempos do Collor (1992)

    Dividindo a autoria com Luis Fernando Verissimo e Millôr Fernandes, o livro traz o cenário brasileiro nos tempos em que Fernando Collor presidiu o país. A narrativa crítica é conduzida através do humor.

    A Copa Que Ninguém Viu e a Que Não Queremos Lembrar (1994)

    Nas páginas da obra publicada em 1994, Jô Soares, Armando Nogueira e Roberto Muylaert rememoram duas fatídicas derrotas da Seleção Brasileira de futebol — nas copas de 1950 e 1954.

    O Xangô de Baker Street (1995)

    Uma das obras literárias mais famosas de Jô Soares é o romance O Xangô de Baker Street que mistura personagens históricos e fictícios em meio à capital imperial do século XIX, Rio de Janeiro. Devido ao sucesso da publicação, o livro foi adaptado para às telas de cinema em 2001.

    O homem que matou Getúlio Vargas: Biografia de um anarquista (1998)

    Em outra obra de ficção, Jô Soares escreve a biografia de um anarquista que percorre o mundo entre 1914 e 1954 com a missão de matar tiranos. O romance é escrito sob a marcante veia humorística do autor. O livro foi traduzido para outras línguas, incluindo inglês, francês e italiano. Nos Estados Unidos foi publicado em 2001 como “Twelve Fingers: Biography of an Anarchist”.

    Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (2005)

    A trama central do romance é a investigação de uma série de crimes contra os Imortais da Academia Brasileira de Letras. Cabe ao comissário Machado Machado provar que as mortes não eram coincidência.

    As Esganadas (2011)

    Seguindo o gênero romance policial, o livro apresenta tentativas aparvalhadas da polícia carioca em encontrar um assassino em série em meio ao Rio de Janeiro do Estado Novo.

    O livro de Jô: Uma autobiografia desautorizada – Volumes 1 e 2 (2017 e 2018)

    Em dois volumes publicados em 2017 e 2018, Jô Soares narra suas memórias de vida envoltas em, claro, uma boa dose de humor.

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