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    Wolf Maya e Silvio de Abreu falam à CNN sobre a perda de Zé Celso: “Tristeza imensa”

    Charles Möeller, diretor de grandes musicais no Brasil, também falou sobre a dor e a importância do dramaturgo

    Aurora Aguiarcolaboração para a CNN

    São Paulo

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    A morte do diretor, escritor e dramaturgo José Celso Martinez Corrêa, aos 86 anos, nesta quinta-feira (6), em São Paulo, deixou a classe artística de luto. Nas redes sociais, líderes políticos e famosos lamentaram a notícia com profunda tristeza.

    Wolf Maya, que está de férias em Nova Iorque, nos Estados Unidos, falou à CNN sobre a grande perda para a cultura nacional.

    “Fiquei muito surpreendido e entristecido com essa saída de cena tão inesperada do nosso querido Zé Celso”, começou.

    “Digo que ele foi um artista único no teatro, na vida, na história do Brasil. Ele ainda nos deixa uma responsabilidade grande de continuar com a sua coragem de resistir”, lamentou o diretor, que diz se sentir um pouco responsável em manter a boa formação teatral.

    “Eu, que tenho uma escola de teatro, me sinto na responsabilidade de manter o sonho e a fé que transformam a gente em melhorar a nossa época. Essa passagem dele fez isso com a nossa época, e espero que a gente consiga fazer também esse legado”, desejou Maya.

    Antes de se tornar um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, Silvio de Abreu fez escola no teatro após se formar em cenografia pela EAD (Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo). Nesta época, contou que assistiu “tudo” de Zé Celso. À CNN, o autor se disse chocado.

    “É muito difícil falar de uma pessoa tão importante para a cultura e para o teatro brasileiro como o Zé Celso depois dessa tragédia que aconteceu com ele. Uma coisa horrível! Um homem tão criativo, que fez coisas estupendas no teatro. É uma tristeza imensa. Um homem em plena atividade, que estava sempre com ideias novas, que se renovava constantemente. Você perder isso de uma maneira tão trágica e estúpida é muito triste”, disse o autor.

    “Estou profundamente chocado com essa notícia e lamentando muito por uma pessoa ter um final tão trágico. Não tenho muito mais o que dizer numa situação horrível como essa”, limitou-se a falar mais, com a voz embargada.

    Charles Möeller, ator, diretor, cenógrafo e um dos principais nomes do teatro musical no Brasil, responsável pelas remontagens de “Mamma Mia!”, “A Noviça Rebelde”, “Gypsy”, “Hair”, “Judy Garland- O Fim do Arco-Íris”, entre outros, também falou sobre Zé Celso.

    “O Zé é uma lenda, um ícone. Transformou o teatro e colocou todo mundo do avesso. Esteve na linha de frente e permaneceu como um símbolo de resistência durante toda sua vida de celebrações”, disse.

    “Foi de uma geração de diretores mitológicos e ninguém tirou o posto de mais marginal, liberto e certamente o mais irreverente e amado. Ele, ao longo dos anos, se transformou na própria obra de tão antropofágico. Estava sempre em movimento. Transgrediu o próprio tempo. Debochou do tempo. Nunca existirá alguém tão jovem e à frente. Sempre foi um diretor mítico, para todos nós e a partir de hoje se tornou a própria divindade. Voltou para Olimpo e Dionísio e as bacantes certamente o receberam com muito amor e vinho! Evoé, Zé!”, concluiu.

    Morte após incêndio

    Zé Celso estava internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, na capital paulista, após um incêndio atingir o apartamento onde morava, no bairro do Paraíso, na madrugada de terça (4).

    Um dos mais importantes expoentes do teatro brasileiro, Zé Celso criou o Teatro Oficina e dirigiu peças relevantes como “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade, e “Roda Vida”, de Chico Buarque.

    Outros três moradores do apartamento também tiveram de ficar em observação no hospital devido à inalação de fumaça, entre eles, o marido de Zé Celso, Marcelo Drummond.

    O cachorro Nagô também foi levado para uma clínica veterinária para observação.

    O velório do dramaturgo será realizado no Teatro Oficina, no bairro do Bixiga, em São Paulos. Os familiares ainda irão confirmar o horário cerimônia de despedida, mas já há a movimentação de atores que conviveram com o diretor reunidos no interior da companhia.

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